Lisboa entra agora no roteiro mundial da arte contemporânea
Figuras da política, cultura, media e finança na inauguração do museu"Depois do meu casamento, este é o dia mais feliz da minha vida". E com estas palavras Joe Berardo encerrava o pequeno discurso informal pelo qual deu boas-vindas aos perto de 800 convidados presentes num fim de tarde que concentrou no Museu Colecção Berardo figuras da política, da cultura, das finanças. E foram poucos os ausentes. Vários candidatos à Câmara de Lisboa, rostos dos media, ministros, ex-ministros. E, como Joe Berardo fez questão de sublinhar, muitos artistas, "que vieram de diversas partes do mundo".Em ritmo de procissão, os muitos convidados avançaram depois pelas galerias do novo museu que conhecia assim os seus primeiros visitantes. O cortejo lento percorreu salas, tornando-se logo evidentes alguns dos artistas mais "desejados". Picasso no piso zero. Warhol, Liechenstein e um conjunto de fotos de Jorge Molder no andar superior. Salas mais iluminadas que antes, com a luz do dia, conferindo ao espaço uma sugestão de humanidade. Ao ver cumprido um sonho, o coleccionador agradeceu ao primeiro ministro e à ministra da Cultura o desfecho "feliz" de dez anos de negociações. "Se estou aqui hoje é porque as raízes do meu país me chamaram", vincou, num conjunto de palavras que revelavam um homem feliz, que não limitou agradecimentos aos políticos. A família e os que trabalharam no museu mereceram atenção.Lembrando os casos recentes de Bilbao e Valência, em Espanha, cidades cujos museus reforçaram as suas posições no turismo e economia, Isabel Pires de Lima frisou a importância para a cidade de um equipamento como o que se inaugurava. "Vem preencher uma lacuna no panorama museológico nacional", disse entre palavras que lembraram o cumprir de uma das vocações do CCB (a museológica). Citando o realizador Wim Wenders, recordou que "a realidade é que ninguém ama verdadeiramente o seu país pela economia, por mais forte que esteja, mas pela sua cultura".José Sócrates felicitou o facto de um coleccionador privado ter colocado o seu acervo "à disposição de todos os portugueses". Com a inauguração do Museu Colecção Berardo, Portugal, disse o primeiro ministro, "fica um país mais rico" e Lisboa, "uma cidade mais competitiva, mais atraente, com uma maior oferta cultural". José Sócrates terminou as formalidades, ao afirmar que "antes, o roteiro da arte contemporânea terminava em Madrid. Hoje começa aqui, em Lisboa".Enquanto a inauguração oficial decorria, no exterior do museu juntavam-se os primeiros visitantes sem convite. Prontos para a "borla" oferecida em noite longa de inauguração feita "o" acontecimento sócio-cultural do ano em Lisboa.
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