Réveillon de Lisboa expulsa sem-abrigo
Quando chegarem os primeiros foliões à Praça do Comércio, em Lisboa, para festejarem o Réveillon de 2008, dezenas de sem-abrigo preparam-se para passar uma noite longe daquele local, que consideram a sua 'casa'. Alguns, dos cerca de 80, fogem do barulho e do brilho de um espectáculo que não rima com a insignificância em que vivem. Mas a maioria não tem alternativa e sabe que se decidir pernoitar nas arcadas arrisca-se a sofrer na pele - como em anos anteriores - as risadas dos foliões, episódios de violência física e até roubos, ficando sem o pouco que tem. Depois há ainda os que, mesmo querendo ali permanecer nestas noites, são vítimas do efeito de "varredura", promovida pelas autoridades, que policiam os ministérios. Amélia Martins já sabe qual vai ser o seu trajecto esta noite. "Pego nas minhas coisinhas e se calhar vou para a Praça da Alegria", diz, ao JN, a mulher de 61 anos, que tem um filho [Amadeu da Conceição Martins], professor, "até dá aulas ...