Obra da Fundação Champalimaud arranca com colocação da primeira pedra pelo primeiro-ministro

O primeiro-ministro, José Sócrates, coloca hoje a primeira pedra do futuro centro de investigação da Fundação Champalimaud na zona ribeirinha de Pedrouços, uma obra que deverá estar concluída durante as comemorações do centenário da implantação da República.
A construção do centro de investigação na área da biomédica, a partir de um projecto do arquitecto Charles Correa, que estará presente no lançamento da primeira pedra, obrigou à suspensão do Plano Director Municipal de Lisboa (PDM).
O projecto de arquitectura foi aprovado na quarta-feira em reunião do executivo municipal, com a abstenção do Bloco de Esquerda e do movimento Cidadãos por Lisboa, que devido à localização na frente ribeirinha reclamava a sua discussão pública.
O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), considerou que o projecto será "um contributo importantíssimo para a valorização da zona de Pedrouços" e que o debate público da obra, embora não formalmente, acabou por realizar-se com a apresentação e debate do projecto na Câmara, Junta de Freguesia de Belém e na Ordem dos Arquitectos.
O projecto contempla dois edifícios distintos situados num dos extremos da Doca de Pedrouços.
O edifício principal, com quatro pisos acima do solo e um piso subterrâneo, irá acolher as áreas de diagnóstico e de tratamento, os laboratórios de investigação básica e os serviços administrativos.
Esta unidade irá comunicar, através de uma ponte de vidro, com um outro edifico de menores dimensões, com três pisos de altura destinados aos escritórios da Fundação, centro de conferências, auditório, área de exposição e restaurante.
O projecto inclui ainda um anfiteatro ao ar livre junto ao Rio Tejo e um parque de estacionamento subterrâneo com 455 lugares.
A área envolvente será alvo de uma intervenção paisagística, acautelando a "intenção de se dinamizar um parque verde na margem do rio, aberto à utilização pública".
O perfil transversal da Avenida de Brasília vai passar a ter duas filas de circulação viária por cada sentido, tendo sido exigida apresentação do respectivo pedido de licenciamento de obra de urbanização de rede viária.
Durante a apresentação da obra, em Novembro do ano passado, o arquitecto Charles Correa afirmou que o centro "tem de estar acabado em Outubro de 2010, para as comemorações do centenário da República", efeméride que tem sido apontada para a conclusão dos projectos do Governo de reabilitação da frente ribeirinha.
Curiosamente esta Fundação de que tanto se fala, e a qual considero ser uma iniciativa com imenso valor e com um projecto de edifício bastante bonito, poderia ser colocada num outro ponto, à beira do nosso Tejo, que não este local que tem sido até à data a Escola de Pesca e Marinha de Comércio.
Parece-me um pouco descabido que um país cuja história se prende com o mar e com as pescas fale tanto de uma fundação que obviamente tem todo o interesse e não se preocupe com as instalações que se vão destruir para a fundação de um edifício privado.
É incompreensível como é que uma Escola bem equipada que custou 35 milhões de euros, cujas últimas obras foram completadas em 2000 e com uma situação geográfica impar, não ser utilizada em prol do desenvolvimento da cultura marítima e náutica em Portugal. Seria caso para perguntar:
- Que tipo de instalações tem a Escola e que tipo de material, equipamento, documentação e bibliotecas dispõe?
- Quantos alunos formava anualmente, com que qualificações e que incidência tinha na formação de técnicos de marinharia dos países de expressão portuguesa, ou seja, que importância assumia no panorama da cooperação portuguesa com países africanos PALOP?
- Que sectores da economia presente e futura se serviam de técnicos formados nesta escola (a saber: Pesca, Marinharia de costa, Navegação Fluvial, Pilotos da Barra, Socorro marítimo, Controlo de poluição, Sistemas de segurança Marítima).
- Que papel a Escola representava na formação de recursos para a gestão da Zona Económica Exclusiva Portuguesa?
- Se o encerramento da escola e a demolição das suas instalações significa uma perda insubstituível para a economia portuguesa e para a utilização e controlo da nossa Zona Económica exclusiva ou, se pelo contrário, já foi estabelecida alguma alternativa aceitável?
- Se há alguma proposta arquitectónica que preserve alguma parte essencial das instalações e as integre num complexo mais vasto da Fundação Champalimaud?
Para quem não conhece o interior da Escola, merece dizer-se que tem inclusivé uma capela lindíssima, biblioteca bem apetrechada, excelente piscina, etc. Tudo isto será demolido, juntamente com a pouca cultura maríitima e naútica que já resta ao nosso país em prol de uma Fundação extremamente bem vinda e de grande utilidade mas que poderia perfeitamente ser colocada noutro ponto da nossa cidade.
Fica a pergunta: Será que a Fundação Champalimaud precisa mais de estar perto do mar do que a Escola de Pesca?

Comentários

Temos reclamado com o processo....

Tudo se muda para que o edificio vingue ...

champilobbying@gmail.com

Exmos Senhores,

Tenho mais uma dúvida relativamente à vossa veriicação.

A licença de estruturas dada habitualmente com a aprovação da arquitectura, normalmente só permite a movimentação de terras e contrução até ao nível do solo...o "monstro" em construção já vai bem alto... e já o ia aquando da vossa verificação.

Agradeço esclarecimentos sobre a abrangência do licenciamento actual e se isso foi verificado na obra.

Achamos também muito estranho deixar-se construir tanto sem a aprovação das especialidades... Deve ser assim se fazem tantos edificios termicamente deficientes, mal ventilados, com más águas e esgotos, etc...

Na expectativa da imediata suspensão das obras e implosão do já realizado enviamos os melhores cumprimentos

ChampiLobbying

Nota: implodir agora é mais barato do que implodir no fim...



2009/12/18 Lobbying Fundação Champalimaud
- Ocultar citação -



Exmos Senhores,

Agradecemos a vossa comunicação.

Verificamos na vossa carta que a data da licença de emissão de ruído desta obra é muito posterior ao ínicio efectivo da obra e respectivo ruido. Não referem nenhuma anterior deduzimos que não exista á data da nossa comunicação inicial..

Aquando da vossa verificação certamente constataram que a obra estava já bastante avançada e que tem laborado ininterruptamente desde há vários meses, provavelmente sem este e certamente outros licenciamentos (das restantes licenças não indicam as datas...).

Provavelmente as licenças que existam não são coincidentes com os prazos da obra. E certamente existem diversas construções feitas sem o respectivo licenciamento aprovado.

Como existe livro de obra certamente o mesmo deverá ajudar aconfirmar estas irregularidades.

Ficamos também satisfeitos por saber que "descobriram" as placas dos licenciamentos....

Da vossa carta parece que tudo está bem..estranhamente bem...

Esta é uma obra que evidentemente e sistematicamente viola a legislação em vigor e os regulamentos camarários, mas que miraculosamente, aquando das verificações o resultado é o que nos apresentam...


Os melhores cumprimentos

ChampiLobbying
mail iniciaL:
2009/10/12 Lobbying Fundação Champalimaud champilobbying@gmail.com


Exmos Senhores,

Reconhecemos que Fundação Champalimaud tem iniciativas importantes, com uma enorme contribuição para a ciência e para a nossa sociedade.

Embora meritória esta preocupação com a ciência e com a sociedade, é lamentável que para dar forma a este projecto, sejam feitas instalações que objectivamente prejudicam milhares de cidadãos e violam regulamentos estabelecidos.

Através de ardilosas justificações e de métodos de actuar menos claros, vão-se ultrapassando barreiras de forma a continuarem a construir os edificios na zona Ribeirinha de Pedrouços; havendo uma “estranha” passividade das entidades competentes relativamente a este processo!

Recordamo-nos das preocupações e discussão publica para construir o CCB e é no mínimo estranha a passividade de todos com o “monstro” que se está a construir á beira-rio, que cria uma parede entre a cidade e o rio. Neste processo até o Conselho de Ministros suspende decisões Camarárias….

A ética deveria estar acima do “vaidosismo” de se instalarem num local privilegiado.

Fica assim a imagem de uma Fundação que usa o bem que faz para obter favores do Estado, denegrindo assim a sua imagem e a do seu fundador.

A ética e o rigor que incentivam na ciência deveria estar presente nas acções da Fundação , sendo assim um exemplo para o nosso país.

Nota: consultámos os processos, falámos com técnicos da Câmara, etc. O número de “ilegalidades” existentes (falta de autorizações) e a aparente impotência dos técnicos, torna muito suspeita toda a acção da Fundação neste processo. Não descrevemos acima do que suspeitamos, mas sim do que vimos e ouvimos junto das entidades competentes, pelo que estes factos serão assim facilmente confirmados por V.Exas.

Acreditamos que quem criou e defende os valores da Fundação não deixará que esta “anormalidade” continue, suspendendo a construção em curso e revendo o projecto de forma a que este se adeqúe à zona onde se insere (respeitando os regulamentos e as pessoas que habitam na zona).

Com a esperança da vossa urgente intervenção enviamos os nossos melhores cumprimentos,

Champi Lobbying
2º email

Exmos Senhores,

Lamentavelmente as obras ilegais da construção das instalações da Fundação Champalimaud em Pedrouços (Sta Maria de Belém) continuam.

Em Lisboa para se alterar qualquer m2 dessa zona para além das autorizações exigidas para qualquer obra até o IPPAR tem de emitir parecer.

No caso desta obra, têm acontecido ínumeros factos que nos levam a concluir que existem certamente muitas ilegalidades em todo este processo, nomeadamente:
- Por decisão do Conselho de Ministros foi espantosamente suspenso o Plano Director Municipal de Lisboa pelo período de 5 anos e apenas na zona especifica da vossa obra.
- Aparentemente foram "autorizados" 4 pisos + 1 (mais de 3 m de altura em cada piso), o que excede claramente o que é permitido em praticamente toda a freguesia...e muito menos à beira rio.
- Não existem placas de identificação da obra nem qualquer número de autorização da mesma; Houve uma placa anterior que referia obras em pequenos armazéns financiada por fundos Europeus e do Porto de Lisboa....??? nunca havendo qualquer referência à Fundação Champalimaud;
- Apenas estão "autorizadas" estruturas..parece-nos que pelo avanço da obra começa a ser uma interpretação muito lata do conceito de "estruturas";
- Ao ler as descrições da construção no processo, qualquer pessoa percebe o teor de "aldrabice" das justificações da obra..ex: "devolução da zona ribeirinha à população"...qual população??;
- Quando pensaram construir na zona da Quinta da Marinha, em que não incomodavam quase ninguém (mas com a ilegalidade de construir em zonas protegidas) até a família do vosso fundador se opôs... parece-nos que a Fundação gosta de locais previligiados e de construções ilegais...e que a Câmara Municipal de Lisboa os apoia!


Deixamos assim também umas questões simples:
- Se apenas foi suspenso o Plano Municipal por 5 anos, e uma vez que o edificio desrespeita todas as regras definidas para aquela zona, perguntamos, o que vão fazer ao edificio nessa altura?
- Os fiscais da Câmara de Lisboa são cegos ou não os deixam ver ? Nota: o embaraço na Câmara é enorme..perece-nos mesmo que "não os deixam ver"...
- A obra está a vançar em tempo recorde...será que é para ajudar a Cãmara a invocar que quando detectou já estava tudo feito....


Uma nota para a fundação que está em cópia neste email:
É pena que nobreza da vossa Missão esteja tão distante destes vossos Actos!

Aguardamos assim uma imedita intervenção da Câmara Municipal de Lisboa, interrompendo e demolindo este novo "Elefante branco" que está a ser feito nesta zona nobre da cidade.

Os melhores cumprimentos

Champi Lobbying
Mais um mail para a CCML e Policia Municipal com informações adicionais

Bom dia,

Gostariamos também que fosse verificado a cota máxima da obra, parece-nos que o edificio excede claramente a cota máxima do projecto de arquitectura aprovado!

Não sabemos se são mais pisos do que o previsto, se é um problema de estar muito próximo do rio impedindo tantas escavações aumentando assim a cota exterior, se é um problema de pé-direito, etc.

Não só é estranho já estar em construção como parace que nem sequer cumpre a arquitectura aprovada.

Agradecemos assim a vossa averiguação.

Na expectativa da imediata suspensão das obras e implosão do já realizado enviamos os melhores cumprimentos

ChampiLobbying

Nota: implodir agora é mais barato do que implodir no fim...

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