Lisboa: Grémio Lisbonense com ordem de despejo (act.)

O Grémio Lisbonense é uma associação de cultura e recreio, fundada em 1842, sita no Rossio (por cima do Arco do Bandeira). Ocupa uma casa pombalina e a entrada faz-se pela rua dos Sapateiros, subindo umas escadas íngremes e escuras, mas assim que entramos no salão principal somos transportados no tempo para o início do século.
O Grémio tem sido palco das mais recentes festas temáticas. Desdobrando-se em dois salões imbuídos de charme, com uma vista única sobre o Rossio.
O Grémio faz parte do circuito de todos os noctívagos. No entanto, recebeu hoje uma ordem de despejo, revelou à Lusa Natário Pedro, vice-presidente desta associação centenária.
De acordo com Natário Pedro, as chaves são hoje entregues ao senhorio mas o património da associação continua dentro do edifício até ser encontrado um novo sítio.
O vice-presidente admitiu que a associação Grémio Lisbonense continua a tentar entrar em acordo com o senhorio mas tem «poucas esperanças» de chegar a um acordo.
O caso remonta ao ano de 1998 quando o proprietário do imóvel iniciou uma ordem de despejo ao Grémio Lisbonense após a realização de obras numa das salas do Grémio, alegadamente sem o consentimento do senhorio.
O proprietário do edifício alega que «demoliram-se paredes interiores» na sala sul do imóvel, que «parte do chão de madeira foi levantado e substituído por mosaicos» acrescentado que as referidas obras alteraram substancialmente a arquitectura do edifício bem como afectaram a «resistência e a segurança do prédio».
O senhorio acrescenta ainda que o Grémio «cedeu a utilização de parte do imóvel a terceiros» sem aviso prévio.
O Grémio Lisbonense, apesar de compreender os argumentos apresentados pelo senhorio, defende que «as obras eram necessárias devido à idade do imóvel» que não tinha casa-de-banho e a cozinha não respeitava os padrões actuais exigidos.
No entanto, defende que as obras não incluíram as paredes mestras ou as estruturas.
O Grémio Lisbonense pediu recurso, sem sucesso, para anular a ordem de despejo, alegando que o tribunal que julgou o caso não tinha competência para o fazer, isto porque o Grémio é uma associação que não tem fins lucrativos e tem uma função social reconhecida, logo seriam os Tribunais Administrativos os mais aptos para julgar o caso.
Apesar das inúmeras tentativas para salvar o Grémio Lisbonense, o caso encerrou hoje com a concretização da ordem de despejo.

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