Terminal gera guerra de petições

João Quaresma Dias, professor universitário e ex-administrador portuário, lançou na Internet uma petição a favor da ampliação do terminal de contentores de Alcântara. Ao final da manhã de ontem, já tinha mais de 500 assinaturas.
"Em defesa de Lisboa", assim se chama a petição criada anteontem, é a resposta do docente aos subscritores do abaixo-assinado "Lisboa é das pessoas. Mais contentores não", liderado pelo escritor Miguel Sousa Tavares, e que deu entrada na Assembleia da República na sexta-feira com um total de oito mil assinaturas.
João Quaresma Dias sublinha, no texto da petição, que "todas as grandes cidades ribeirinhas europeias não dispensam, antes desenvolvem, os seus portos comerciais", dando como exemplo os casos de Barcelona, Valência e Vigo.
Acredita mesmo que o porto de Lisboa desaparecerá se não existir ali o terminal de contentores. Alerta também para o acréscimo do custo de transporte caso o terminal seja deslocado para mais longe, além, de um aumento do congestionamento, sinistralidade e desgaste das rodovias, com impacto negativo para o ambiente.
"O Porto de Lisboa e as actividades que dele dependem empregam cerca de 140 mil pessoas e representam cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) regional e 2% do PIB Nacional. Trata-se, por isso, de uma estrutura económica de importância vital para Lisboa e para o bem-estar dos seus cidadãos, sendo também uma peça estratégica do sector portuário nacional sem a qual seriam alguns portos estrangeiros os grandes beneficiados", argumenta o professor do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.
Os que se opõem à ampliação do terminal alegam que a obra vai criar uma muralha de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a cidade e o Tejo, sujeitando a zona a obras por um período de seis anos e impedindo a população de aceder ao rio pelas docas.
Ontem, a comissão política distrital do PSD de Lisboa juntou-se à polémica, contestando a ampliação do terminal com um outdoor que exibe uma montagem gráfica a simular uma barreira entre a cidade e o Tejo.
Quaresma Dias desvaloriza argumentos e estratégias dos que se opõem à obra. "Vastas áreas da zona ribeirinha estão ainda pouco aproveitadas e podem ser convertidas em locais de lazer e recreio, a juntar ao muito que já existe. Não vamos permitir que uma das infra-estruturas mais importantes para o desenvolvimento e sustentabilidade da cidade e do país sucumba ao populismo irresponsável", remata.

Comentários

Tiago disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago disse…
Caríssimo,

essa fotografia tem direitos de autor e eu gostaria que os referisse ao publicá-la. Foi tirada por mim e publicada no Viver na Alta de Lisboa.
(http://viveraltadelisboa.blogspot.com/2006/02/o-homem-na-cidade.html)

Obrigado.
DarZen disse…
Tem toda a razão. Peço desculpa por tê-lo feito sem mencionar o seu nome, mas garanto-lhe que não a retirei do seu blog mas sim de uma outra pesquisa.
De toda a forma, uma vez mais peço-lhe desculpa e desejo-lhe continue a fazer um bom trabalho.

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