Priest Feast

Cerca de oito mil dedicados fãs participaram ontem na jornada de peso no Pavilhão Atlântico, que teve os Judas Priest como cabeças de cartaz.
Ainda assim, longe de lotarem a sala, os fãs tingiram de negro a plateia com as suas t-shirts e sborearam a intensa jornada.

Nestes tempos modernos em que a palavra de ordem é a crise, nem isso pára as hordas do metal, como se viu num Pavilhão Atlântico cheio de povo que há mais de 20 anos, não sabe de mais nada senão da crise.
Os Testament entraram com força e do P.A. pudemos ouvir 'Over The Wall', 'Practice What You Preach' e 'The Formation Of Damnation', entre outras.
Depois de um set relâmpago de uma das primeiras bandas thrash da mítica Bay Area de São Francisco, a noite prometia e com o público já bem quentinho entraram os Megadeth com um set em formato best of que pôs o povo a cantar e a gritar por mais. Abriram com 'Sleepwalker', para avançar com 'Skin O' My Teeth'. O Chefe Dave
Mustaine avisou que ia falar muito pouco porque eles estavam lá era para tocar devido ao curto espaço de tempo. Seguiram-se 'Tout Le Monde', 'In My Darkest Hour', 'Hangar 18', 'Symphony of Destruction'.
O público não parava com o mosh e sempre que havia oportunidade lá havia uns quantos a fazer crowdsurf na crista da onda metaleira. Mustaine pedia perdão por não aparecer mais vezes por terras lusas, e de seguida elogiou a legião de fãs que cantava hinos desportivos. O concerto fechou com 'Peace Sells' e 'Holy Wars', com Mustaine a sair de palco com a bandeira de Portugal às costas entre as palmas e os gritos por mais «Megadeth».
A noite encerrou com os Judas Priest que em 2010 fazem 40 anos de carreira e que numa boa forma e com o melhor som da noite, puseram os fãs em polvorosa.
Desde 1969, não páram de impulsionar, inovar e influenciar novos talentos no mundo do metal. Não são meros humanos, mas sim deuses mortais do metal que ficam imortalizados no historial da música pesada. A lenda e chama ainda mais que viva do heavy metal. Logo a abrir soam 'Dawn Of Creation' e 'Prophecy', seguido de clássicos que há muito tempo não viam a cor do palco, tais como 'Eat Me Alive', 'Between The Hammer and The Anvil' e 'Breaking the Law' do velhinho LP "British Steel", para regressarem ao novo disco com 'Messenger Of Death', com a assistência sempre a vibrar e a seguir Rob Halford nas suas linhas melódicas. 'Hellion Electric Eye' antecede a entrada de uma Harley em palco para gáudio de um público mais que entusiasta.
Com o concerto quase no fim, rematam com 'Rock Hard Ride Free', 'Painkiller', 'Hell Bent For Leather' e fecham com 'Another Thing Coming'. Halford promete um regresso em breve e repete o gesto de Mustaine, ao sair de palco com a bandeira portuguesa às costas.
Foi uma noite fenomenal com um espectáculo de luzes sem igual e um público mais que à altura. Ficam as lembranças de ver mosh, crowdsurfing e até vários sapatos no ar... Alguém foi descalço para casa, depois de um avassalador Priest Feast.

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