A história de Lisboa no jardim do palácio
Em vinte painéis muito bem ilustrados, a equipa do Gabinete de Estudos Olisiponenses, liderada por Luísa Mellid Monteiro, apresenta até dia 25 de Novembro a exposição "História de Lisboa - Tempos Fortes", com concepção e direcção de José Manuel Garcia.
Em cada um destes quadros alinhados numa agradável alameda do jardim do Palácio Beau Séjour, são vários os flashes de momentos marcantes na história da cidade, história esta que se enreda com a própria história de Portugal. A começar pela lembrança forte da ocupação romana, quando Lisboa era chamada Felicitas Iulia Olisipo, em 138 a.C., quando Décimo Júnio Bruto ordena a fortificação da cidade.
Um passo adiante é a Lisboa islâmica que surge nos quadros, a cidade que se chamava Al-Ushbuna quando Aidulfo, nobre visigodo, entrega a cidade a Abd al-Aziz, em 714.
A Lisboa Afonsina, entre a conquista aos mouros e a outorga do primeiro foral, de 1147 a 1179, retraça um dos momentos-chave na história da cidade que já assumia o status de capital do reino.
Depois seguem-se os anos terríveis da peste negra e a subsequente construção da Cerca fernandina.
Com uma fotografia da estátua de D. João I na Praça da Figueira, recorda-se a aclamação do Mestre de Avis e o cerco dos castelhanos de 1383 a 1384.
Segue-se então a época manuelina e a riqueza e bulício de Lisboa são mostradas em detalhes de iluminuras e pinturas, pórticos manuelinos e painel de azulejos.
"A ideia principal da exposição é que as pessoas consigam abarcar momentos-chave da história de Lisboa em apenas alguns minutos", diz Elisabete Gama, explicando que há também visitas guiadas para as escolas e o público em geral, mediante marcação prévia pelo telefone 217 701 100. A exposição está aberta de segunda a sábado das 10.00 às 19.00.
Assim, sob a sombra das árvores, a visita continua com momentos mais negativos da história da cidade, como o período entre o massacre dos judeus e a Inquisição, de 1506 a 1821. Mas logo a luz brilha outra vez com o elogio de Lisboa no Renascimento.
Depois são as cenas das batalhas de Alcácer Quibir - um marco de um período em que o País perdeu D. Sebastião, o herdeiro desejado do trono português - e a de Alcântara, em 1580, quando o partido popular de D. António é derrotado frente ao exército de Filipe II de Espanha. Seriam depois os anos da Lisboa Filipina.
Segue-se então a Restauração e o esplendor dos anos de D. João V, em que pontuam as imagens dos quadros e gravuras a retratarem os palácios. A imagem do marquês de Pombal, na tela de Louis Michel Van Loo, evoca o terrível terramoto mas também o renascimento da cidade.
Mais um período difícil é lembrado na exposição com desenhos aguarelados da partida de D. João VI para o Brasil e as invasões francesas. E também são as reproduções das gravuras a água que mostram a vitória do liberalismo e o fim da guerra civil. Em passos largos, alcança-se a Lisboa da era industrial, da inauguração do caminho-de-ferro e as comemorações do tricentenário de Camões.
As cenas fortes do regicídio, o fim da Primeira República, a Lisboa do Estado Novo e a Exposição do Mundo Português já apontam alguns dos marcos do século XX, destacando-se também a Revolução dos Cravos, de Abril de 1974. E neste último painel também cabe a história recente do País integrado na Europa comunitária - momentos emblemáticos como a assinatura do Tratado de Adesão à CEE por Mário Soares, as imagens da Expo'98 e a assinatura do Tratado de Lisboa em Dezembro de 2007.
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