Pedalar nas sete colinas de Lisboa
A câmara quer ver os lisboetas a pedalar já no próximo Verão. A capital segue o exemplo de Paris, onde quase 200 mil pessoas aderiram ao uso partilhado deste veículoA capital terá 2500 bicicletas em Junho de 2009.
Usar a bicicleta para ir trabalhar ou até para fazer compras poderá ser em breve um novo hábito dos lisboetas. Esse é o plano que a câmara municipal traçou para Lisboa a partir do Verão do próximo ano. António Costa, presidente da autarquia, quer pôr toda a gente a pedalar na cidade e para isso prometeu instalar até Junho de 2009 uma rede de 2500 bicicletas de uso partilhado e 250 parques de estacionamento espalhados por vários pontos da capital.
A medida foi uma das suas promessas eleitorais, mas por enquanto desconhece-se qual o modelo que a cidade irá adoptar ou em que zonas será possível usar o novo transporte público que o autarca quer inaugurar a tempo do Dia do Ambiente - 5 de Junho de 2009. No próximo mês de Setembro será lançado um concurso público para as empresas poderem apresentar as suas candidaturas.
Lisboa segue assim o exemplo de outras cidades europeias que já se renderam à bicicleta - Berlim (Alemanha), Viena (Áustria), Helsínquia (Finlândia), Barcelona (Espanha) ou Londres (Inglaterra) - e descobriram o poder do pedal para fintar os engarrafamentos, combater a poluição e até reduzir o colesterol. Mas se quisermos saber qual é o maior caso de sucesso na Europa teremos de viajar até à capital francesa para conhecer o modelo Velib. Em Paris encontra-se a maior rede de bicicletas de uso partilhado do mundo. O sistema foi instalado em Julho de 2007 e, um ano depois, conseguiu cativar quase 200 mil utilizadores regulares e outros 3,4 milhões ocasionais.
O segredo está na facilidade com que qualquer pessoa usa uma das 20 mil Velib. "A cada cem metros é possível encontrar um dos 1451 parques que foram instalados ao longo da rede de metropolitano e nos principais interfaces de transportes públicos", explica Thomas Veleau, responsável da empresa JC Decaux pelo projecto das bicicletas. O preço é o maior incentivo: cada utente paga 29 euros/ano e tem direito a uma bicicleta a qualquer hora do dia ou do ano. Só os primeiros 30 minutos são gratuitos, mas é possível continuar a pedalar sem pagar um cêntimo. O truque é simples: ao fim de meia hora, deposita-se a bicicleta num estacionamento e retira-se outra. A partir do momento em que se senta num novo selim, a contagem recomeça do zero. A fórmula tem resultado porque em Paris, uma bicicleta não fica em média mais de 17 minutos na mão do mesmo ciclista. "Cada um destes novos transportes públicos é usado entre dez e 15 vezes por dia e todas juntas fazem mais de 200 mil viagens diárias", conta Thomas Veleau.
O sistema quase que funciona sozinho, exigindo apenas a supervisão de dois funcionários da empresa de mobiliário urbano, que coordenam a distribuição das bicicletas pela cidade através de uma frota de carros movidos a gás natural. A reparação e a manutenção é assegurada por cerca de 400 pessoas que viajam de bicicleta para socorrer os ciclistas em apuros.Antes de o modelo ser inaugurado, a autarquia parisiense adoptou várias medidas de incentivo. Desde 2001, investiu 300 milhões de euros para construir 371 quilómetros de ciclovias. É o "pormenor" que ainda falta a Lisboa.
Comentários
Já deixei um comentário no artigo sobre a Casa da Moeda. (Muito bem feito).
Parabéns pelo "blog" que passa a fazer parte dos "meus" blogs com interesse.
Um bom dia!
António Serra