130 filmes na maior edição de sempre do Queer Lisboa

O Queer Lisboa regressa no dia 19, naquela que promete ser a maior edição que o festival já conheceu. A organização apresentou ontem a programação desta edição que decorre, de 19 a 27 de Setembro, no Cinema São Jorge. Segundo João Ferreira, o director do festival, serão apresentados 130 filmes, escolhidos de entre cerca de 600, demonstrando, como explicou em conferência de imprensa, que "a produção de cinema queer está a crescer cada vez mais".
O director fez também questão de salientar a importância dos muitos festivais que hoje se realizam em Lisboa e, no seu entender, têm a "responsabilidade" de mostrar outro tipo de cinema, ignorado por um circuito comercial dominado pelas grandes salas. Esta tendência tem vindo a ganhar força nos últimos anos, graças ao recente aparecimento do MOTELx ou à consolidação do Indie Lisboa, que se juntaram, nos últimos anos, a outros festivais especializados como o Doc Lisboa ou o próprio Queer Lisboa.
Uma das mais interessantes características desta edição é o cuidado com a organização dos filmes pelas várias secções. Além da criação de novos blocos, como o Queer Art ou o Queer TV, há também obras que, além de integrarem a Secção Competitiva, se encontram inseridas nos vários ciclos propostos. A esse nível, convém destacar o Ciclo de Cinema Positivo, dedicado ao VIH/sida, bem como o programa sobre Religião e Homossexualidade.
Este último promete ser um dos mais interessantes, ao apresentar filmes como A Jihad for Love, um documentário que integra a secção competitiva, e conseguiu mesmo garantir distribuição comercial nos Estados Unidos, como o director do festival fez questão de sublinhar. Além da exibir várias obras cinematográficas, a programação irá ainda reservar um debate para o polémico tema, moderado por Fernando António Cascais. O catedrático dirige também a discussão sobre a homossexualidade durante a guerra colonial.
É também importante destacar o ciclo dedicado ao Obsceno, que pretende pensar os limites do cinema explícito; e um par de filmes em exibição, como Otto; or Up with Dead People, de Bruce LaBruce, o filme espanhol Chuecatown, bem como o brasileiro Antônia. Estas últimas fitas marcarão, respectivamente, o arranque do festival a 19 deste mês, e o seu encerramento a 27.
Outra novidade da 12.ª edição do festival de cinema gay e lésbico de Lisboa é a introdução de dois novos prémios, que distinguem o Melhor Actor e a Melhor Actriz. Estas categorias juntam-se assim a outras como Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Documentário e Melhor Curta-Metragem. Ferreira admite que a distinção dos melhores intérpretes "não é comum nos festivais gays e lésbicos". No entanto, "já era altura de homenagear aqueles que dão a cara por este tipo de cinema".
Além de João Ferreira, também estiveram na conferência de ontem Albino Cunha, da Associação Cultural Janela Indiscreta, e Pedro Moreira, director de gestão cultural da EGEAC, que, juntamente com a Câmara Municipal de Lisboa, é um dos principais parceiros deste festival. Ao longo dos últimos anos, a mostra tem reunido uma série de apoios institucionais que a ajudaram a cimentar o seu nome e garantiram um orçamento avaliado em cerca de 80 mil euros.
Apesar de ainda faltar mais de uma semana para o início do Queer Lisboa 12, a direcção começa já a pensar na próxima edição. João Ferreira prometeu a legendagem dos filmes em português já para o próximo ano. Uma prática dispendiosa, que só será possível caso o orçamento da próxima edição se aproxime dos 100 mil euros desejados pela organização.
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