Rock in Rio à espera da enchente

Está tudo a postos hoje, às 15 horas, as portas da Quinta da Bela Vista abrem-se para a segunda edição do Rock In Rio Lisboa. A mega-estrutura do evento está preparada para receber 100 mil pessoas por dia, ainda que a organização tenha estimado uma média diária de 77 mil espectadores. Todavia, ontem, ao final da tarde, uma fonte da organização assegurou-nos que a quantidade de bilhetes vendidos para o dia de hoje já ultrapassava essa média, e, apesar de não adiantar números concretos, previa uma lotação quase esgotada. A julgar pela experiência de 2004 e por aquilo que o JN tem testemunhado nas últimas semanas, toda a área do evento - com 200 mil metros quadrados - está pensada para proporcionar o máximo de conforto aos espectadores. Uma das novidades, aliás, passa pela colocação de um manto verde de 2675 metros quadrados de relva sintética na zona frontal mais próximo do palco principal. Tal medida visa diminuir o volume de poeira levantada durante os espectáculos. O recinto, todo ele verdejante, com várias árvores, sombras, declives e colinas, divide-se em várias zonas há dois palcos para concertos, uma tenda para djs de música electrónica, uma tenda VIP, uma pista de neve, zonas de bares e restaurantes, lojas, e áreas mais indicadas para um pequeno repouso. Ou seja, tudo parece estar planeado para entreter público de todas as idades. As crianças, que até aos cinco anos não pagam bilhete, têm, por exemplo, uma zona própria denominada "espaço kids" com educadores e animadores prontos para actividades como teatro de fantoches, pinturas faciais ou contadores de histórias. O objectivo passa por proporcionar aos pais um espaço onde os seus filhos possam ser deixados enquanto os graúdos vêem os concertos. Todavia, o coração do festival reside no Palco Mundo (na foto). É lá que vão actuar os grandes nomes do cartaz (ver página ao lado). O palco, com 2100 metros quadrados, 70 metros de comprimento e 35 de altura, está decorado com uma tela de alumínio em várias formas curvas nas quais serão projectadas uma panóplia de cores e luzes. À sua frente, uma colina verde sobe em forma de concha, possibilitando a total fruição do palco às dezenas de milhar de pessoas. O palco "Hot Stage" situa-se no lado oposto da Cidade do Rock. De dimensões mais reduzidas e com uma decoração pensada para transmitir uma ideia de "garagem", será aí que vão desfilar as bandas com um nível de popularidade menor, ainda que algumas delas seja sobejamente conhecidas pelo povo. Não muito longe daí, a Tenda Electrónica distingue-se pelas suas formas uma estrutura com um design arrojado assente numa complexa teia de mais de quatro quilómetros de tubos PVC que lhe confere uma estilo futurista. Esperam-se, assim, cinco dias de animação e festa naquele que é, seguramente, o mais concorrido festival do ano. A programação centrada em artistas de alto gabarito é assaz apelativa para uma vasta massa humana Shakira, Gun'n'Roses, Sting, ou Roger Waters são apenas alguns exemplos de campeões de vendas .
Para além disso, o Rock In Rio, e a sua máquina de marketing, trabalha no sentido de captar uma fasquia de público que não tem por hábito frequentar outros festivais. Mais ainda: há quem vá ao Rock in Rio apenas para participar na festa e no ambiente, não atribuindo grande importância à programação. Recorde-se que um recente estudo de mercado realizado pela empresa Aczioma e que se debruçou numa amostra de 1100 pessoas, chegou à conclusão que o Rock In Rio é percepcionado como o terceiro maior evento realizado em Portugal na última década, logo a seguir à Expo 98 e ao Euro 2004.
Com uma campanha de marketing nunca antes vista em eventos do género, o Rock In Rio tem um investimento global de 25 milhões de euros.

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