Genealogia: «vícios» do passado

O tempo que uma pesquisa genealógica exige não a torna acessível a todos mas quem começa a «puxar o fio à meada» garante que a procura rapidamente passa de uma mera «ocupação das horas vagas» a um «vício», escreve a Lusa.
António Alves Borges, um reformado de 70 anos, começou a pesquisar há quatro décadas e é agora um utente assíduo do Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa, onde passa «três horas por dia, quatro dias por semana».
«Comecei a ter curiosidade pela genealogia aos 12 anos e, através de um avô e de uma tia-avó com excelente memória, consegui chegar aos trisavós», contou António Borges à agência Lusa, acrescentando que, «além das certidões das conservatórias ou das igrejas, a ajudar familiar é preciosa».
Mas se por intermédio da família conseguiu recuar «até metade do século XIX», foi no Centro da Avenida Almirante Gago Coutinho que a busca se intensificou, permitindo-lhe «chegar ao século XVI, no caso de alguns parentes». «No caso de famílias humildes, é difícil um maior recuo, dada a inexistência de registos, mas as famílias nobres conseguem ir mais atrás, pois costumam manter a árvore genealógica actualizada», declarou à Lusa.
Com «família paterna oriunda das Beiras e família materna de raízes transmontanas», António Alves Borges tem encontrado na sua árvore «pessoas muito simples e outras de certo valor».
Centros de pesquisa
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida por Igreja Mórmon, tem em Portugal vinte centros de pesquisa que permitem a qualquer cidadão traçar árvores genealógicas até ao séc.XVI.
Abertos a todos e de acesso gratuito, os centros disponibilizam microfilmes com registos paroquiais de Portugal que permitem recuar cinco séculos e os únicos requisitos para proceder a uma busca são o tempo e a paciência.
Na capital, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem o Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa, na Avenida Almirante Gago Coutinho, e um pólo em Benfica mas existem outros locais de pesquisa de Norte a Sul do país e nas ilhas.
«Quando o utente da biblioteca a visita pela primeira vez, preenche um Gráfico de Linhagem onde coloca o seu nome, a freguesia, o concelho, o distrito e o país onde nasceu e a data de nascimento, dando as mesmas informações para os pais, avós e bisavós», explicou Justino Cardoso, director do Centro, adiantando que essas informações servem de ponto de partida para a pesquisa.
Se a memória familiar não for suficiente para obter estes dados, é possível encontrá-los nas conservatórias do registro civil ou nos arquivos distritais, para onde a informação transita cem anos após o nascimento da pessoa e onde os voluntários da Igreja Mórmon fazem as microfilmagens, autorizadas por um acordo celebrado com o Estado.
"O Centro da História da Família - Biblioteca Genealógica de Lisboa reúne de 600 a 700 microfilmes com registros paroquiais, podendo cada microfilme conter vários anos da mesma freguesia ou até de freguesias diferentes", acrescentou o responsável.Os dados mais antigos remontam ao século 16, "pois foi por decisão do Concílio de Trento [realizado entre 1545 e 1563] que passou a ser obrigatório o registro de nascimento ou batismo, de casamento e de óbito de cada pessoa" - explicou Justino Cardoso à Agência Lusa.
Mesmo assim, existem lacunas nos registros portugueses e estrangeiros devido a vários fatores, caso de acontecimentos históricos, como a Revolução Francesa, e catástrofes naturais, como o terremoto que devastou Lisboa em 1755.
Também é possível proceder a buscas através da Internet, no sítio www.familysearch.org, onde se lê que a Igreja Mórmon tem mais de 3.500 pontos de pesquisa no mundo

Em Portugal, além dos Centros da História da Família da Igreja Mórmon, é possível obter informação para construir uma árvore genealógica na Torre do Tombo, na Santa Casa da Misericórdia (devido à roda dos expostos) e nos arquivos militares.

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