Lisboa: o metro dez anos depois
«Os lisboetas já estavam a perder a paciência», disse o primeiro-ministro na cerimónia que se seguiu ao percurso inaugural do troço, entre a estação de Santa Apolónia e a do Terreiro do Paço. «Isto é uma obra importantíssima para a cidade de Lisboa, liga o transporte ferroviário e o metro, mas também o fluvial, mas o mais importante nesta obra era acabá-la», acrescentou o governante.
No primeiro dia de vida do novo troço, a rede abriu as portas automáticas aos passageiros de forma gratuita. Mas esta não foi uma obra barata. Ao todo, os custos ascenderam a 299 milhões de euros, substancialmente mais do que os 165 milhões para que apontavam as previsões em 1997 ¿ um dos muitos anos apontado para a sua conclusão, mas acabou por ser a do seu início.
Estes custos foram justificados com a necessidade de garantir que a infra-estrutura respondesse a todos os desafios de segurança, um dos problemas que levou a atraso de dez anos na obra. «Prevê todas as situações de emergência que são necessárias ter em consideração antes de uma obra destas entrar em funcionamento», assegurou o primeiro-ministro.
«Não é propriamente um deslizamento»
A mesma garantia foi dada pelo ministro dos transportes, Mário Lino, que explicou o processo que se seguiu a ruptura do túnel em 2000 e ao período em que esteve inundado até 2003.
«Teve de se construir um outro túnel dentro do primeiro e a estação do Terreiro do Paço foi deslocada 40 metros e todo o terreno envolvente foi consolidado», explicou Mário Lino, adiantando que foi por causa destas obras que o projecto apenas terminou agora.
Para Mário Lino, «não se pode falar numa derrapagem superior a 40 milhões». E defendeu que «a obra estava estimada em 165 milhões de euros, mas isto não incluía o troço do Terreiro do Paço a Santa Apolónia, era apenas para a ligação da Baixa-Chiado ao Terreiro do Paço».
«Isto não é propriamente um deslizamento, é uma nova obra, um novo túnel e uma nova estação», disse.
«Dormia lá em caso de sismo»
O presidente do metropolitano de Lisboa, Joaquim Reis, realçou, por seu lado, a importância de uma obra que «vai servir 20 milhões de passageiros» por ano.
Quanto à segurança, Joaquim Reis explicou que o túnel se encontra preparado para suster os efeitos de um terramoto de alta intensidade e está equipado com um sistema de monitorização constante.
«Dormia lá dentro em caso de sismo», garantiu o presidente do metropolitano.
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