Morreu o actor fazedor de teatros
O empenho era uma das suas características, fosse no palco de um teatro, na advocacia ou na militância comunista. O público recorda-o da televisão, em particular na pele do professor da série da RTP, ‘As Lições do Tonecas’. O actor José Morais e Castro morreu ontem, ao início da tarde, vítima de cancro, no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa.A um mês de fazer 70 anos, deixa para trás uma carreira com mais de meio século, iniciada em 1956, no Teatro Gerifalto, com a peça ‘A Ilha do Tesouro’. Se o teatro era entendido como primeira paixão, a televisão apareceu cedo no seu percurso, com ‘O Rei Veado’ (1958), às ordens de Artur Ramos. Este também o dirigiu no cinema, em ‘Os Pássaros de Asas Cortadas’ (1963).
Em cima do palco, fundou ao lado de Rui Mendes, Irene Cruz e João Lourenço o Grupo 4 no Teatro Aberto (1968), trabalhou com Mário Viegas na Companhia Teatral do Chiado (1985) e, já em 2004, obteve os elogios da crítica com ‘O Fazedor de Teatro’, com a Companhia de Teatro de Almada.
No pequeno ecrã, foi um rosto celebrizado em telenovelas e séries da RTP, como ‘Cinzas’ (1993), ‘Verão Quente ‘ (1994) ou ‘Conde de Abranhos’ (2000), e em programas cómicos como ‘Euronico’ (1990) e ‘As Lições do Tonecas’ (1997), papel que se tornou muito popular.
"Era grande amigo, alguém com quem tive comunicações fortíssimas. Foram quatro anos de grandes audiências", disse ao CM o actor Luís Aleluia, que fez de ‘Tonecas’.
Ainda no pequeno ecrã, mais recentemente entrou em ‘Inspector Max’, da TVI (2004), e em ‘Quando os Lobos Uivam’, da RTP (2006).
Morais e Castro era militante do PCP, partido que integrou desde jovem. Era candidato pelas listas da CDU a Lisboa nas próximas eleições autárquicas.
FUNERAL NO ALTO DE SÃO JOÃO
O funeral de Morais e Castro realiza-se hoje, às 15h30, com a saída do Palácio das Galveias em direcção ao cemitério do Alto de São João, em Lisboa. O corpo do actor será cremado em cerimónia privada, a realizar por volta das 17h30.
Os restos mortais do actor estiveram desde o início da noite de ontem no referido palácio, por onde passaram familiares e amigos próximos, entre os quais o actor Francisco Nicholson e a mulher Magda Cardoso, as actrizes Manuela Maria, Irene Cruz e Rosa do Canto ou o cantor Carlos do Carmo.
Casado há mais de 30 anos com a actriz Linda Silva, Morais e Castro esteve internado cerca de um mês no IPO, após longo internamento na Casa do Artista.
Os restos mortais do actor estiveram desde o início da noite de ontem no referido palácio, por onde passaram familiares e amigos próximos, entre os quais o actor Francisco Nicholson e a mulher Magda Cardoso, as actrizes Manuela Maria, Irene Cruz e Rosa do Canto ou o cantor Carlos do Carmo.
Casado há mais de 30 anos com a actriz Linda Silva, Morais e Castro esteve internado cerca de um mês no IPO, após longo internamento na Casa do Artista.
REACÇÕES
"TRATAVA-ME QUASE COMO UM FILHO": Luís Aleluia, Actor
"Vou lembrar Morais e Castro como um grande suporte, um pilar. Não é que já não se ame o teatro, mas ele vivia a arte com amor. Estivemos com ‘As Lições do Tonecas’ durante quatro anos e dessa cumplicidade surgiram milhares de espectáculos até pelo estrangeiro. Tratava-me quase como um filho. O único espinho que leva é não ter terminado o seu trabalho de advogado contra a permuta de terrenos do Parque Mayer."
"UM GRANDE AMIGO E UM HOMEM BOM": João Lourenço, Encenador
"Morais e Castro era um grande amigo, um homem bom e foi alguém que traçou comigo um caminho muito importante no teatro dos anos 60 e 70 [João Lourenço foi, ao lado de Morais e Castro e dos actores Irene Cruz e Rui Mendes, um dos fundadores do Grupo 4, que se estreou em 1968 no Teatro Aberto]. Esse caminho que traçámos juntos foi de esperança e algo que me ajudou muito ao longo da minha carreira."
"Morais e Castro era um grande amigo, um homem bom e foi alguém que traçou comigo um caminho muito importante no teatro dos anos 60 e 70 [João Lourenço foi, ao lado de Morais e Castro e dos actores Irene Cruz e Rui Mendes, um dos fundadores do Grupo 4, que se estreou em 1968 no Teatro Aberto]. Esse caminho que traçámos juntos foi de esperança e algo que me ajudou muito ao longo da minha carreira."
"ERA FIGURA DE EXTREMO PROFISSIONALISMO": Rui Mendes, Actor e encenador
"Éramos amigos, quase como irmãos. Estreámo-nos juntos em 1956 com a peça ‘A Ilha do Tesouro’. Fizemos uma carreira próxima, onde formámos o Grupo 4. É uma figura importantíssima da nossa geração, de extremo profissionalismo. Era empenhado em tudo e será lembrado tanto pela televisão como pelo teatro. Talvez pudesse ter ido um pouco mais longe, nos últimos anos, mas a doença que teve foi horrível."
"Éramos amigos, quase como irmãos. Estreámo-nos juntos em 1956 com a peça ‘A Ilha do Tesouro’. Fizemos uma carreira próxima, onde formámos o Grupo 4. É uma figura importantíssima da nossa geração, de extremo profissionalismo. Era empenhado em tudo e será lembrado tanto pela televisão como pelo teatro. Talvez pudesse ter ido um pouco mais longe, nos últimos anos, mas a doença que teve foi horrível."
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