2005 - Lisboa hollywoodesca

Dezenas de estrelas invadiram a capital portuguesa por ocasião da Gala de Prémios Europeus da MTV, no Pavilhão Atlântico, que foi vista por mil milhões de espectadores.
Nunca Lisboa assistiu a tão pomposo desfile de estrelas do universo musical. A 3 de Novembro, no Pavilhão Atlântico, a MTV fez a sua Gala de Prémios Europeus de Música e o evento trouxe à capital portuguesa dezenas de artistas de todos os quadrantes. Tão importante quanto a cerimónia hollywoodesca de entrega de Óscares, com direito a passadeira vermelha (por acaso, e porque a irreverência é a imagem de marca da MTV, até era azul...), foi a promoção turística para a cidade, que por via da transmissão televisiva chegou a mais de mil milhões de lares um pouco por todo o Mundo. Mais importante ainda: palco da grandiosa festa, Lisboa registou uma enchente na sua capacidade hoteleira que só o Euro’2004 terá proporcionado. De acordo com dados da organização, foram cerca de sete mil as dormidas agendadas. Se a isto somarmos os postos de trabalho criados, ainda que temporários, é caso para dizer que a cidade saiu a ganhar.
Em palco, que é como quem diz no Atlântico, a cerimónia revelou-se, sobretudo, um espectáculo para televisão. Para a MTV, ou seja, irreverente quanto baste, com uns quantos ‘f***’ à mistura e um apresentador que parecia ter saído do ‘Wayne’s World’. Sacha Cohen (mais conhecido como ‘Ali G’) surgiu no Atlântico na pele de um jornalista do Cazaquistão, Borat Sagdiyev, e a ele se ficaram a dever as tiradas mais insensatas da noite, em especial aquela em que gozou com o facto de Freddie Mercury ter morrido de sida. Se é isto humor britânico...
A prestação de Ali G não retirou, contudo, qualquer brilho ao desfile de estrelas. Madonna, em especial, que, seduzida por Lisboa desde que por aqui passou em Setembro de 2004, fez da capital portuguesa a rampa de lançamento para o seu novíssimo disco, ‘Confessions on a Dance Floor’, interpretando ao vivo o single ‘Hung Up’. E em boa hora o fez, já que a sua ‘performance’ foi simplesmente arrebatadora, arrasando toda e qualquer concorrência.
Green Day, Robbie Williams, Coldplay, Shakira, Foo Fighters, Gorillaz – numa prestação virtual com os De La Soul – e System of a Down foram os restantes artistas que tiveram oportunidade de actuar na cerimónia, que chegava aos ecrãs com um atraso de alguns ‘preciosos’ segundos. Nos bastidores, por onde as estrelas passavam em passo de corrida, comentava-se que o ‘delay’ se devia à preocupação da MTV em evitar situações embaraçosas como a que Janet Jackson provocou na final do Superbowl norte-americano de 2004, ao exibir um seio. A verdade é que em Lisboa não se registaram situações complicadas, nem mesmo quando o actor Jared Leto pediu vaias para o seu presidente, George W. Bush. A consciencialização política não ficaria, no entanto, por aqui e conheceu o seu auge com Sir Bob Geldof, que subiu ao palco para receber (das mãos de Madonna) o Prémio ‘Free Your Mind’, que distingue personalidades que se distinguiram em acções de solidariedade. Falou-se sério, então! Numa cerimónia que ficará para a história como um dos maiores eventos realizados em Portugal em 2005, o único senão foi mesmo a não actuação de uma banda portuguesa. Seria a ‘cereja no topo do bolo’, mas a organização entendeu que não havia artistas portugueses “com interesse” para uma plateia de tantos milhões de espectadores. A verificar-se, quem subiria ao palco para mostrar ao Mundo que por cá também se faz muito boa música, seriam os The Gift, que ultrapassaram a concorrência de Boss AC, Blasted Mechanism, Humanos e Da Weasel e foram eleitos o Melhor Grupo Português. Sónia Tavares e companheiros tiveram, no entanto, de se contentar com os agradecimentos da praxe. Mas juntaram-se à lista dos notáveis vencedores da 12.ª edição dos Prémios Europeus de Música da MTV. A estação que pouco depois se apressou a atribuir a Lisboa um prémio de excelência: o de melhor cidade anfitriã da cerimónia.

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