2005 - Lisboa vertiginosa

Num ano fértil em concertos, os U2 protagonizaram o mais esperado, mediático e grandioso dos espectáculos. Na escaldante noite de 14 de Agosto, a banda debitou canções e emoções fortes, sempre com alguma mensagem política à mistura.
A banda irlandesa fechou a digressão europeia de Vertigo perante 52 mil pessoas.
Os U2 subiam ao palco no domingo só perto das dez da noite mas a romaria para ouvir a melhor música do mundo começou antes. Os muitos milhares que dormiram ao relento para conseguir um bilhete correram pelos melhores lugares. O concerto esgotou muito antes – os mais de 50 mil ingressos voaram das bilheteiras no início de Março. Os outros números do espectáculo foram também vertiginosos. O palco que recebeu os U2 no Estádio Alvalade XXI começou a ser montado 4 dias antes, para transportar todo o material foram necessários 70 camiões e na montagem das estruturas estiveram envolvidas 300 pessoas. A segurança no estádio durante o concerto foi garantida por 450 agentes da PSP, GNR, corpo de intervenção e agentes à paisana para controlar no exterior a venda ilegal de bilhetes.
A banda manteve o alinhamento de outros concertos na Europa, abrindo com Vertigo, o primeiro tema retirado do álbum How to dismantle an atomic bomb, que dava o mote para a digressão. Apesar do título remeter de imediato para o terrorismo, no contexto dos recentes atentados bombistas ou no da intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque, o álbum era sobretudo composto por canções que evocavam uma atmosfera pessoal e familiar.
«Para desarmar uma bomba atómica apenas é preciso amor», afirma Bono, que dedicou uma das músicas, Sometimes You cant make it on your own, ao seu pai, recentemente falecido.

A intercalar com temas novos, a banda revisitou o passado e regressou a temas como 11 O'Clock Tick Tock, o seu primeiro single, editado pela Island Records, I Will Follow ou Electric Co.
Houve ainda outras canções incontornáveis, que Bono tem aproveitado para mostrar a vertente política e falar da actualidade, como Pride in the name of Love, Sunday Bloody Sunday ou One.
Tendo este sido o último concerto na Europa, Bono disse ainda num português esforçado que a banda «já tem saudades de Lisboa», que se «sentiu em casa», agradecendo a todos os portugueses e ao presidente Jorge Sampaio, que assistiu ao concerto, pelo facto dos quatro músicos terem sido agraciados domingo com a Ordem da Liberdade.
Na audiência viram-se bandeiras da Irlanda, Portugal, Espanha e Brasil e em alguns cartazes os admiradores mais fanáticos consideraram que «Bono é um deus» e que os U2 são a sua «religião».Em resposta, Bono falou de fé, recordando diferentes símbolos religiosos estampados num lenço na cabeça, dos atentados terroristas de Julho em Londres, aos quais dedicou o tema Miss Sarajevo, bem como do combate à pobreza em África.Ao longo de duas horas exactas, incluindo os dois encores, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr percorreram as duas passadeiras vermelhas que se aproximavam da plateia, para protagonizar vários dos momentos do concerto.Sunday Bloody Sunday, I Will Follow, Where the Streets Have no Name, With or Without You, Beautiful Day e Miss Sarajevo, tema que terminou com a passagem de seis artigos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, foram outros dos momentos mais felizes da banda em palco.
«Obrigado por nos proporcionarem a excelente vida que nós temos», agradeceu o vocalista dos U2.
Nós é que agradecemos...
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