Corrida solidária... e fria
Cerca de 13 mil pessoas inscreveram-se na prova «Unir para Sorrir», uma corrida de 355 quilómetros ligando o Porto a Lisboa em 32 etapas com o objectivo de doar carrinhas adaptadas a instituições. Querer correr por quem não pode teve mais força que o frio.Ainda a manhã não tinha nascido e já algumas dezenas de pessoas, devidamente equipadas, estavam concentradas na Praça da Liberdade para participar naquela que promete ser a corrida de solidariedade para ajudar pessoas incapacitadas. «Unir para Sorrir» era o lema e, logo pela manhã, o entusiasmo era já imagem de marca da prova organizada pelo Clube do Stress e apoiada pelas câmaras do Porto e Lisboa, as duas cidades que ficarão unidas em dois dias por um objectivo nobre. A partida foi dada passavam pouco menos de 10 minutos das 7h00.Porque as manhãs de Setembro no Porto têm sido frias e húmidas, os primeiros a chegar à Baixa foram compensados com um chá quente para ajudar a aquecer alguns dos músculos que nas horas seguintes iriam fazer um esforço de muitos quilómetros. Uma dessas pessoas foi Pedro Mariano, do Porto, que quando estava a colocar a faixa com o seu número de participação se queixava do frio matinal. Este munícipe decidiu participar, essencialmente, pela componente solidária da prova, mas também pelo factor desportivo, enaltecendo a organização por aliar os dois vectores e frisando que o desporto deve ser dinamizado junto das camadas jovens. “É formidável terem organizado esta prova, ainda mais com o objectivo de correr por quem não pode”, acrescentou. Pedro Mariano faz corrida esporadicamente, pelo que os seus objectivos em termos de quilómetros não eram muito ambiciosos e a meta, se possível, seria a Afurada, em Vila Nova de Gaia, onde cerca de 200 pessoas juntamente com Luís Filipe Menezes aguardavam para se juntarem à prova.A primeira etapa da corrida de solidariedade «Unir para Sorrir» partiu então às 7h00 da Estação de São Bento, com elementos da organização e o primeiro-minstro, José Sócrates, a liderar um grupo de cerca de uma centena de participantes. Também na linha da frente esteve o presidente da Câmara do Porto. Rui Rio sublinhou a importância da prova ter milhares de pessoas a correr até Lisboa com o objectivo de contribuir para a compra de 10 carrinhas adaptadas para o transporte de pessoas incapacitadas. Ao longo do percurso de 355 quilómetros em 32 etapas é esperado que milhares de pessoas se juntem à corrida, esperando-se a participação de personalidades como o ex-presidente da República, Jorge Sampaio. Ontem, do Porto partiram, além de Sócrates, o ministro do Desporto, Laurentino Dias, bem como Rosa Mota e Aurora Cunha.
O objectivo da corrida é doar carrinhas adaptadas ao transporte de pessoas incapacitadas a dez instituições sociais, mas a proeza pode não ser atingida. Carlos Paiva, secretário-geral do Clube do Stress, em declarações ao JANEIRO, informou que até sexta-feira haviam comprado o kit de participação apenas 13 mil pessoas. Para adquirir as 10 carrinhas era preciso, pelo menos, chegar aos 30 mil, acrescentou. Ainda assim, Carlos Paiva tinha a esperança de que com a mediatização da corrida levasse a que muitas mais pessoas comprassem o kit e participassem na corrida durante o dia de hoje. Não obstante, o responsável revelou-se satisfeito com os resultados, sublinhando a importância da prova «Unir para Sorrir» em conseguir iniciar muitas pessoas na prova.
Quem quiser participar na prova pode ainda comprar um kit por cinco euros, que inclui um número dorsal e uma t-shirt, em lojas do grupo Sonae. O dorsal incluído no kit serve de livre-trânsito nos comboios da CP do eixo Porto/Lisboa, e também de seguro de corrida. A meta está na Torre de Belém, em Lisboa, com chegada prevista para as 20h de hoje.
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