Santo Condestável
A freguesia do Santo Condestável foi criada em 7 de Fevereiro de 1959, a partir de território desmembrado da freguesia de Santa Isabel. Os seus limites territoriais vão do Viaduto Duarte Pacheco à Estrela, aos Prazeres, a Campolide e ao vale de Alcântara. Dentro desses limites ficam bairros como o do Casal Ventoso, Sete Moinhos e Campo de Ourique. No entanto, já desde 1934 que existia a paróquia do mesmo nome, criada pelo Cardeal Cerejeira, e provisoriamente instalada na igreja de Nossa Senhora das Dores. A construção da nova igreja paroquial começou em 1946, sendo o templo sagrado em 14 de Agosto de 1951. Nessa ocasião foi realizado um aparatoso cortejo, desde o Convento do Carmo, para transporte da urna com as relíquias de Nuno Álvares Pereira, beatificado em 1918 e cuja figura o estado Novo tanto promoveu. O templo foi definido pelo Cardeal Cerejeira como “monumento que evoca o seu titular no quadro medieval da cavalaria cristã”.
A Igreja de Santo Condestável foi projectada por Vasco Regaleira, arquitecto oficial das “novas igrejas”. O resultado final foi um neogótico tardio e híbrido. Merecem referência as esculturas de Leopoldo de Almeida e Soares Branco, um fresco de Severo Portela e, principalmente, os dois vitrais que Almada Negreiros concebeu para as grandes janelas ogivais sobre os altares laterais.
A ocupação territorial desta freguesia não deixa de estar ligada directamente às diferenciações sócio-urbanísticas que se vieram a materializar ao longo do próprio processo de povoamento. O desenvolvimento dos vários sectores da actividade económica provocou, nas últimas décadas do século passado e nas primeiras deste, um considerável incremento populacional. Em 1878, Lisboa contava com 187 mil habitantes; em 1890, seriam já 302 mil; nos princípios deste século, 356 mil; para atingir a cifra de 600 mil, em 1940. Quanto à freguesia do Santo Condestável, criada em 1959, apenas se conhecem números a partir de 1960, em que regista uma população de 39.199 habitantes. No Censo 91 é-lhe atribuída a soma de 22.299 habitantes. Segundo certos inquéritos, cerca de 5 mil pessoas vivem no Bairro do Casal Ventoso, delimitado pela Rua D. Maria Pia, Travessa da Horta Navia, Rua do Arco do Carvalhão e Avenida de Ceuta (estendendo-se pelo Vale de Alcântara). Este aglomerado populacional começou a desenvolver-se nos finais do século XIX, em terras agrícolas de algumas quintas. Muita desta mão-de-obra trabalharia nas fainas portuárias e nas fábricas de Alcântara. De facto, esta freguesia regista uma tendência para a perda de população. Como se reconheceu no Plano Estratégico de Lisboa (1992), a “cidade vem expulsando uma parte não negligenciável da sua população jovem e em idade activa para a coroa de municípios periféricos” em “resultado da desintegração das funções urbanas; das condições de degradação do parque, por falta de conservação e beneficiação. Para além destas tendências é de assinalar a
alteração de usos, e principalmente a especulação imobiliária”. Mas o Plano Director Municipal prevê para a área específica onde o território de Santo Condestável se integra, uma melhoria acentuada das acessibilidades, com a requalificação dos aspectos funcionais, da sua estrutura social, das morfologias e da própria arquitectura urbana. Se se quiser encontrar na cidade de Lisboa um bairro próprio da classe média, pacato, respirando um ambiente de início do século, tem de se conhecer Campo de Ourique. Como alguém escreveu, “Campo de Ourique é um bairro onde se pode viver sem sair de lá. Tem características e hábitos e todas as esquinas poderão ser um acontecimento”. Além disso, Campo de Ourique é um bairro vivo. As pessoas passeiam nas ruas, utilizam o jardim, frequentam as lojas e esplanadas. Antes da sua urbanização, nas últimas décadas do século XIX, era um descampado com quintas e olivais integrados na vasta área de Campolide. Na Planta Geral de Lisboa (1785) já se identificava o quartel de Campo de Ourique, construído sobre a orientação do conde de Lippe. Num mapa de 1812 existia já a Parada de Campo de Ourique e o quartel do mesmo nome. Mantinha-se, de certa forma, a mesma malha urbana, mas há a assinalar novos locais com toponímia militar: “Detrás dos Quartéis e Abarracamentos Militares”. Uma descrição regista o Largo da Páscoa como um espaço bem aldeão, com duas árvores e umas casitas térreas. Como opinou Matos Sequeira, em “Lisboa Depois do Terramoto”, Campo de Ourique antes de 1875 “não era
nada”, sendo um conjunto de grandes descampados. Foi precisamente esta situação que permitiu que se construísse o Bairro de Campo de Ourique, após a abertura do último troço da Rua Saraiva de Carvalho, em 1863, para dar acesso ao cemitério Ocidental.
nada”, sendo um conjunto de grandes descampados. Foi precisamente esta situação que permitiu que se construísse o Bairro de Campo de Ourique, após a abertura do último troço da Rua Saraiva de Carvalho, em 1863, para dar acesso ao cemitério Ocidental. A grande urbanização do território de Campo de Ourique ficou-se a dever a Ressano Garcia. Um eixo aberto em 1880 permitirá a construção de um esquema em rectângulo, concluído em 1911, entre as ruas Ferreira Borges e Tomás de Anunciação, Campo de Ourique e Saraiva de Carvalho. O bairro teve ainda uma segunda fase de ampliação que definiu os contornos que hoje tem. O facto de o território da freguesia do Santo Condestável corresponder, no essencial, ao bairro de Campo de Ourique, faz dela uma das freguesias lisboetas que apresentam um património edificado de características mais homogéneas. Predominam os edifícios de início do século, com motivos decorativos de uma variedade e riqueza surpreendentes. Entretanto, nas ruas periféricas do bairro (ruas do Patrocínio, de Campo de Ourique, do Arco do Carvalhão), subsistem construções mais antigas de inegável valor e patrimonial que importa
também conhecer e preservar.
também conhecer e preservar. Depois de um pequeno troço da Rua de Campo de Ourique, encontra-se a Rua Ferreira Borges, arborizada em jeito de avenida, como outras paralelas. O edifício cor-de-rosa, cuja parede lateral se prolonga do lado esquerdo, pertence ao Quartel (que foi do Regimento dos Sapadores do Caminho-de-Ferro), muito modificado na sua traça original, fulcro do bairro, e a partir do qual se traçou o recticulado geométrico das ruas, bem planificadas, e se foram erguendo prédios de rendimento cujas fachadas não chocam entre si. Dois dos regimentos “históricos” que ocuparam o Quartel, o 4 de Infantaria e o de Infantaria 16, ficaram perpetuados em arruamentos. As outras artérias evocam personalidades que a Câmara Municipal julgou dever assim homenagear, mas que nada têm a ver com o local. É o caso da estátua da Maria da Fonte que representa a heroína popular, colocada no Jardim Teófilo Braga, vulgarmente conhecido por Jardim da Parada, por ter sido o antigo terreiro da parada do quartel. Muito frequentado por gentes de todas as idades, tem parque infantil, belas árvores, inúmeros pombos incrivelmente mansos e dois lagos.
Nas casas de Campo de Ourique encontram-se inúmeros registos de azulejos, decorações Arte Nova em alguns prédios, remates nas empenas e nas janelas, ferros fundidos nas sacadas. Dignas de atenção são também as lojas, sobretudo as padarias, cafés, talhos e outros estabelecimentos que não foram obrigados a decorações modernas por motivos de concorrência. Também aí se encontra uma deslumbrante riqueza de azulejaria.
Depois, espalhados por esta área, há locais ricos de História. Neste bairro começou o movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 que implantaria a República. Uma lápide na Rua de Campo de Ourique e outra no belíssimo edifício que faz esquina entre as ruas do Patrocínio e Saraiva de Carvalho, referem o facto. É muito conhecida a intervenção de Campo de Ourique na implantação da República, pela descrição que Machado dos Santos faz dos acontecimentos no seu relatório, em que salienta o importante apoio que teve dos revolucionários civis de Campo de Ourique, enquadrados pela Carbonária. Descendo pela Rua do Patrocínio, encontramos o discreto cemitério alemão. Foi instalado em terrenos cedidos pelo comerciante Nicolau Lubeck, perto da Igreja de Nossa Senhora das Dores (1780) que serve a comunidade alemã. Este templo serviu de paroquial do Santo Condestável desde a criação da freguesia eclesiástica até à inauguração da nova igreja. Nesta mesma artéria levanta-se o antigo Convento da Congregação do Senhor Jesus da Boa Morte e Caridade, fundado em 1736 e alterado em 1840. Muito modificado, o Convento da Boa Morte ainda tem, em parte, uma ocupação religiosa e de assistência, a cargo das religiosas franciscanas missionárias de Maria. Na capela pode ser observada uma imagem do Senhor Jesus da Boa Morte, esculpida em pedra pelo mestre canteiro António dos Santos, em 1725. Nesta rua encontram-se ainda as mais antigas casas de toda a freguesia. Destaca-se o n.º 41-43, com empena em bico e dois registos de azulejos, setecentistas, representando Nossa Senhora da Piedade e S. Francisco Borja. 

Desde que no Quartel de Campo de Ourique se deram importantes acontecimentos no período das guerras liberais, nunca mais este povo deixou de participar activamente nos principais acontecimentos históricos da cidade. Durante a Primeira República, consolidaram-se as tradições republicanas e reivindicativas de Campo de Ourique, tendo aqui lugar, em 1914, diversas greves, protestos e outras manifestações populares contra a carestia de vida, e que constitui o primeiro desafio do movimento operário ao governo de Afonso Costa. Em Fevereiro de 1918, uma greve dos operários da Fábrica da Ponte Nova foi violentamente reprimida, sendo efectuadas doze prisões. Durante a 2.ª Guerra Mundial refugiaram-se aqui muitos judeus. Em 1958, viveu-se a campanha eleitoral de Humberto Delgado. De 1969 a 1973 recorda--se a força da oposição que existia nesta freguesia, onde ficava a sede da CDE.
Importantes foram também os cafés e os encontros de tertúlias que neles se realizaram – Café Latino, A Tentadora, Café Ruacaná, O Canas. Por outro lado aqui se sediaram movimentos patrióticos e republicanos, além de muitos nomes ligados à cultura e política portuguesa aqui terem morado ou participado em actos de relevo. No n.º 16 da Rua Coelho da Rocha morou Fernando Pessoa (o edifício foi remodelado e é hoje um espaço cultural). Na mesma rua morou o matemático e grande democrata Bento Jesus Caraça. Todas estas circunstâncias, aliadas á forte implantação popular de subúrbio que se registam na zona do Casal Ventoso, Rua Maria Pia e Rua do Arco do Carvalhão, fazem com que a freguesia tenha um movimento bairrista que se reflecte, em especial, nas inúmeras colectividades que possui.
Em Santo Condestável encontra-se, de facto, um grande número de colectividades, umas com maiores tradições que outras, algumas tendo dado grandes nomes ao desporto nacional. Com um passado de hábitos
populares, sobretudo no período dos arraiais de Junho que ocupam os pátios, as vilas e os becos, pode-se concluir que estas instituições correspondem às características bairristas e para a sua população estão viradas.
populares, sobretudo no período dos arraiais de Junho que ocupam os pátios, as vilas e os becos, pode-se concluir que estas instituições correspondem às características bairristas e para a sua população estão viradas.Do património da freguesia fazem parte a Igreja matriz, a Ermida do Senhor Jesus dos Terramotos, o Convento do Senhor Jesus da Boa Morte, as Casas Fernando Pessoa, José Barroso e António Joaquim da Cruz, as Oficinas São José, o Cinema Europa, o Mercado Municipal de Campo de Ourique, o Viaduto Duarte Pacheco, a ponte e túnel da Ponte Nova e o monumento a Maria da Fonte, o Jardim de Campo de Ourique e riba fóssil.
Santo Condestável festeja os santos populares e das suas colectividades destacam-se: Academia Filarmónica Verdi, Andorinhas Futebol Clube, Assoc. Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, Casalense Futebol Clube, Centro Social do Casal Ventoso, Clube Desp. Santo António de Lisboa, Concentração Musical 1 de Junho de 1914, Coop. “A Padaria do Povo”, Grupo Desp. Domingos Sávio, Grupo Recreativo Mariapiense, Inst. António Feliciano de Castilho, Lisboa Futebol Clube, Oficinas São José, Sport Clube Montepradense, Sport Lisboa e Águias e Sport Lisboa e Campo de Ourique
Santo Condestável festeja os santos populares e das suas colectividades destacam-se: Academia Filarmónica Verdi, Andorinhas Futebol Clube, Assoc. Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, Casalense Futebol Clube, Centro Social do Casal Ventoso, Clube Desp. Santo António de Lisboa, Concentração Musical 1 de Junho de 1914, Coop. “A Padaria do Povo”, Grupo Desp. Domingos Sávio, Grupo Recreativo Mariapiense, Inst. António Feliciano de Castilho, Lisboa Futebol Clube, Oficinas São José, Sport Clube Montepradense, Sport Lisboa e Águias e Sport Lisboa e Campo de Ourique
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