Quarteto para o Médio Oriente reúne-se hoje em Lisboa
O Quarteto para o Médio Oriente reúne-se hoje em Lisboa para tentar relançar o processo de paz israelo-palestiniano e ouvir as propostas do novo enviado, Tony Blair, que participa pela primeira numa reunião de alto nível.O Quarteto de Paz para o Médio Oriente, também chamado simplesmente Quarteto, é formado pelos Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Europeia e existe desde 2002 para mediar as negociações de paz entre israelitas e palestinianos.
A reunião de Lisboa é de alto nível pelo que a ONU é representada pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, os Estados Unidos e a Rússia pelos respectivos ministros dos Negócios Estrangeiros, Condoleezza Rice e Serguei Lavrov, e a UE pelo alto representante para a Política Externa, Javier Solana, pelo presidente do conselho de ministros, Luís Amado, e pela comissária para as Relações Externas, Benita Ferrero-Waldner.
Segundo a porta-voz do secretário-geral da ONU, a reunião de Lisboa, prevista para o fim da tarde e seguida de jantar, destina-se a analisar e discutir «os melhores meios para relançar o processo de paz e ajudar a Autoridade Palestiniana a edificar as suas instituições e a sua economia, vitais para a criação de um Estado palestiniano viável».
Tony Blair, que foi nomeado para estas funções há menos de um mês e se reuniu com vários responsáveis europeus para preparar a reunião de Lisboa, deverá por isso expor agora as suas ideias para alcançar aquele objectivo e, segundo analistas de diversos quadrantes, definir uma missão que pretende mais de mediação política do que de coordenação.
A reunião realiza-se numa altura crítica, semanas depois de o movimento radical Hamas ter assumido o controlo da Faixa de Gaza após tomar de assalto todas as instalações de segurança, levando o presidente Mahmud Abbas, da mais moderada Fatah, a lançar-se numa luta pelo poder demitindo o governo de unidade nacional e nomeando um governo de emergência, chefiado por Salam Fayyad.
Três dias antes da reunião do Quarteto, os Estados Unidos anteciparam-se e o presidente, George W. Bush, anunciou a intenção de organizar no Outono uma conferência internacional - entretanto reclassificada como reunião internacional - presidida por Condoleezza Rice e com a participação de Israel, Autoridade Palestiniana e «alguns países árabes».
A ideia, cuja receptividade Rice vai poder avaliar em Lisboa, foi segundo vários observadores uma tentativa de limitar a agenda da reunião do Quarteto a mandatar Tony Blair para que trabalhe pelo reforço das instituições palestinianas sob a batuta da Fatah.
«Ajudar Mahmud Abbas a criar as instituições e a adquirir os meios para se tornar num verdadeiro Estado. É isso que Tony Blair deve fazer», segundo Daniel Fried, o secretário de Estado adjunto para as questões europeias norte-americano.
Mas dez países europeus da bacia do Mediterrâneo, entre os quais Portugal, fizeram publicar há dez dias uma carta defendendo um papel mais importante para Blair: facilitar a criação de uma «força internacional robusta» para os territórios, apoiada num acordo interpalestiniano e em medidas concretas de Israel em apoio do presidente palestiniano.
A carta irritou Solana, que criticou novas tentativas de divisão da UE e sublinhou que ele próprio «disse há meses que a UE está disposta a avaliar a criação de uma força no dia em que a ONU lho pedir».
Portugal desvalorizou entretanto a carta, proposta pela França, com Luís Amado a afirmar que se tratou «apenas de uma ideia para a discussão, colocada informalmente, numa carta informal de uma reunião informal».
Depois de receber esta semana em Lisboa os ministros dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, Abdelelah Al-Khatib, e do Egipto, e Ahmed Abou El Gheit, Luís Amado e os ministros árabes manifestaram a esperança de que a reunião do Quarteto em Lisboa permita relançar o processo de paz e coincidiram na necessidade de a UE assumir «um papel mais activo» na região.
A Rússia, representada em Lisboa pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, já fez saber que vem a Lisboa para ouvir os planos de Tony Blair e, tal como a ONU, propõe-se defender a urgência de dar resposta à crise económica e humanitária nos territórios.
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