Aborto: Clínica espanhola dos Arcos abre em Março em Lisboa
Depois do resultado do referendo sobre o aborto, o secretário-geral do PS José Sócrates afirmou que a interrupção voluntária da gravidez "deixará de ser um crime" em Portugal, considerando que a vitória do "Sim" foi "um resultado inequívoco"."O povo falou e falou de forma clara e veio reforçar a legitimidade do espaço político e legislativo que estava em causa", sublinhou José Sócrates.
"Batemo-nos pela mudança da lei, mas com o compromisso de o fazer através de uma consulta popular", disse, assegurando que "a vontade do povo português " será respeitada e permitirá "consolidar um novo consenso social para combater eficazmente o aborto clandestino".
O resultado do referendo sobre o aborto veio aumentar o interesse das clínicas estrangeiras em Portugal. Até ao momento há duas espanholas interessadas - uma delas vai abrir portas em Março - e uma fundação inglesa. Mas, enquanto a nova lei não entrar em vigor, os médicos contactados pelo DN afirmam que "as consciências já mudaram" e haverá tendência para praticar mais abortos dentro dos limites legais da actual lei. Em particular, na alínea que permite a interrupção voluntária da gravidez por questões de saúde física e psicológica da mãe.
A clínica espanhola dos Arcos, que se dedica à interrupção voluntária da gravidez (IVG), abre em Março uma unidade no centro de Lisboa, próximo da Avenida da Liberdade, disse hoje à agência Lusa a directora da clínica.
Yolanda Hernandez Dominguez explicou que a clínica «está na última fase de construção», em simultâneo com a instalação do equipamento.
«É uma clínica com profissionais portugueses para mulheres portuguesas», garantiu Yolanda Dominguez, escusando- se a especificar, de momento, o local concreto em Lisboa onde a unidade espanhola vai abrir portas.
Nas clínicas dos Arcos, em Badajoz e Mérida (Espanha), foram atendidas no último ano cerca de quatro mil mulheres portuguesas.
Yolanda Hernandez Dominguez explicou que a clínica «está na última fase de construção», em simultâneo com a instalação do equipamento.
«É uma clínica com profissionais portugueses para mulheres portuguesas», garantiu Yolanda Dominguez, escusando- se a especificar, de momento, o local concreto em Lisboa onde a unidade espanhola vai abrir portas.
Nas clínicas dos Arcos, em Badajoz e Mérida (Espanha), foram atendidas no último ano cerca de quatro mil mulheres portuguesas.
Também os responsáveis da Mary Stopes International, uma fundação sem fins lucrativos, vão deslocar-se esta semana a Portugal para acertar a abertura de uma clínica no País. O projecto já é antigo, mas os contactos feitos anteriormente aconselharam a uma espera pelos resultados do referendo. Mal esteja dada a autorização para funcionar, a clínica abrirá portas "em seis meses", afirmou ao DN o seu porta-voz.
Maria José Alves, médica da Maternidade Alfredo da Costa considera que, mesmo antes de a nova lei entrar em vigor, o aconselhamento e avaliação de uma mulher que queira abortar "dará mais peso à decisão da própria grávida".
A obstetra lembra que a maioria dos abortos praticados em Portugal são por mal formação do feto e não por motivos de saúde física e psicológica da mulher, porque tem havido uma leitura muito restritiva da norma. "A avaliação do risco que a mulher irá ou não correr é muito determinada pelo médico." Mas, tendo em conta o resultado do referendo e a perspectiva de mudança da lei, haverá "uma tendência para que a grávida tenha um papel mais determinante nesta avaliação".
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