Assim nasceu Alcântara...

Em tempos remotos, nos vales hoje sensivelmente ocupados pela Avenida da Ceuta e campos vizinhos, prosseguindo até ao Tejo pelos terrenos onde ainda está a linha de caminho de ferro, corria uma ribeira que nascia perto de Belas.
Segundo os historiadores, foi pelos Árabes construída no final dos anos 200, princípios dos anos 300 (Séc. III e IV), mais ou menos no sítio da actual passagem de nível, uma ponte que ligava as duas margens da ribeira. Foi essa ponte que deu nome ao local Al-qantara que significa, em Árabe - a ponte.
Foi junto à ponte que, em 25 de Agosto 1580, se deu a batalha com os espanhóis, perdida pelas tropas comandadas por D. António Prior do Crato. Portugal perdeu nessa batalha a sua independência.
Em 1743, a ponte foi alargada e nela colocada uma estátua de S. João Nepomuceno.
Freguesia das mais características do Concelho de Lisboa, Alcântara remonta a sua existência a 8 de Abril de 1770. A Freguesia era então denominada de S. Pedro em Alcântara.
Sabe-se que a sua instalação já havia sido ordenada em 11 de Fevereiro do mesmo ano, tendo o bispo de Lisboa determinado que se transferisse para Alcântara o orago da antiga freguesia de S. Pedro, em Alfama e cujo templo ruíra com o terramoto de 1755.
Só em 1608 Alcântara aparece como um “logar”, dependendo com Belém, do “bairro” de Nossa Senhora da Ajuda. Foi o terramoto de 1755 que contribuiu para a constituição bairrista de Alcântara. O cataclismo forçou o descongestionamento da cidade e a construção de novos bairros, entre eles o de Alcântara. Mas o maior impulso no povoamento dos terrenos das duas margens da ribeira de Alcântara deram-no os quarenta anos do reinado de D. João V. Em 1820, a Freguesia aparece definida entre as 41 da cidade, dependendo do Bairro de Belém, seis anos depois integrada no de Mocambo, para em 1833 voltar a integrar-se, autónoma, no bairro de Belém. Em 1835, foram criadas as Juntas de Paróquia. Em 1852, Alcântara aparece fazendo parte do 4º Bairro Administrativo de Lisboa. Após a mudança do regime político, a partir de 24 de Agosto de 1912, a Freguesia civil passou a designar-se oficialmente pelo simples nome de Alcântara. O belo vale de Alcântara, rezam as crónicas, foi um campo muito aprazível e atractivo, que com o passar dos tempos, não só se tornou em zona de caçadas reais, como se transformou, sobretudo na margem direita da ribeira a partir da ponte, pouco a pouco, em zona de quintas , palácios e conventos – Conventos do Sacramento e do Livramento, Ermida de N. Senhora das Necessidades, Palácios das Necessidades e do Fiúza, Real Palácio de Alcântara, depois do Calvário e a sua Quinta da Ninfa, Convento das Flamengas e do Calvário, Capela de Santo Amaro...No Palácio Real do Calvário moraram os três primeiros Reis da última dinastia, D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II e os últimos no Palácio das Necessidades.
Como zona fora de portas, havia guardas-fiscais em Alcântara, os quais foram retirados com o desaparecimento das barreiras da cidade – Alcântara passava então a fazer parte de Lisboa.
Considerada como arrabalde de Lisboa desde o século XVI, foi a pouco e pouco vendo desaparecer as sua inúmeras quintas e hortas, circundadas por velhos caminhos e azinhagas, que originaram novas ruas, travessas e calçadas.
Após o terramoto de 1755, Alcântara teve uma acentuada industrialização, localizando-se muitas unidades fabris de curtumes, de lanifícios e de estamparias, no Vale de Alcântara, aproveitando as águas da sua ribeira. Também no Alvito, no Calvário, em Santo Amaro e na Junqueira havia muitas fábricas ligadas à indústria química (sabões, óleos, margarinas, adubos, etc.), à indústria alimentar (moagens, chocolates, bolachas, açúcar, etc.) à indústria naval, à indústria metalomecânica, à indústria da pólvora e da extracção de cal, etc.Para alojar os operários das indústrias instaladas em Alcântara, a partir de 1870, começaram a surgir os Páteos e Vilas Operárias. Alcântara, chegou a ter 47 Páteos e Vilas Operárias.
A sua forte industrialização e um vigoroso movimento operário e associativo, tornaram Alcântara um dos mais fortes baluartes republicanos do início deste século e determinou o carácter popular que ainda hoje perdura na Freguesia e que se traduziu desde muito cedo num forte Movimento Associativo, com o aparecimento de muitas Colectividades de Cultura e Recreio e Clubes Desportivos.
Em 1916, a freguesia teria à volta de 30.000 habitantes e, mais tarde, em 1940, era uma das mais populosas de Lisboa, com cerca de 45.000 pessoas. A sua extensão tinha, como limites, a margem do Tejo, a R. Tenente Valadim, a Rua do Borja, a Tapada da Ajuda, a Cç. da Boa-Hora.
Por razões administrativas, que não lógicas, em 1959 a Freguesia foi reduzida à parte ocidental da linha de caminho de ferro, para ser criada a Freguesia dos Prazeres.
Com essa amputação de parte da Freguesia, com o encerramento e posterior desaparecimento das unidades fabris, com o desalojamento de muitos milhares de habitantes, forçados a sair por causa da construção da Ponte 25 de Abril e posteriormente com o desalojamento de muitas famílias devido à construção da linha de comboios que atravessa essa mesma Ponte, Alcântara viu a sua população baixar drasticamente tendo actualmente cerca 22.000 habitantes.
Também socialmente houve uma grande alteração. Duma população maioritariamente ligada à classe operária passou a haver uma maioria da população activa, ligada ao comércio e aos serviços.
Entretanto, foi estancado o ciclo de perda de população em Alcântara e presentemente vê-se um crescimento lento mas sustentado do número de habitantes da Freguesia.
Casas velhas, que estavam devolutas ou quase desabitadas, começaram a ser recuperadas ou a ser substituídas por novos prédios.
Também grandes áreas ocupadas por antigas fábricas desactivadas, estão a dar lugar a grandes empreendimentos habitacionais e ao aparecimento de alguns condomínios.
Apesar de neste momento, esse Movimento Associativo não ter a pujança de outrora, continuam ainda a ter, um papel importante na dinamização desportiva e recreativa da população de Alcântara.
Com o desaparecimento quase total das unidades industriais da Freguesia, as principais actividades passaram a ser o pequeno comércio, o sector terciário e a restauração.
Alcântara, é uma Freguesia com uma grande frente ribeirinha que pode ser fruída pela população. Tem o Parque Florestal de Monsanto, onde existem equipamentos para as crianças como o Parque Infantil do Alvito e o Parque dos Índios da Serafina e onde os adultos têm também grandes zonas de lazer. Tem uma zona de Palácios (Rua 1º de Maio, Rua da Junqueira e Alto de Santo Amaro), de igrejas (Calçada da Tapada e Rua 1º de Maio) e a Capela de Santo Amaro (Monumento Nacional) que tem grande interesse arquitectónico e histórico. Tem uma zona de animação nocturna (Docas) que é conhecida por todo o País.
É uma freguesia onde ainda é muito forte o espírito de “vizinhança” ao qual está associado a solidariedade entre vizinhos. Está encostada a uma zona monumental importante (Belém) e muito perto da baixa de Lisboa.
É uma Freguesia tranquila e segura dentro dos parâmetros da Cidade de Lisboa.
Está muito bem servida de transportes públicos, é a Freguesia de Lisboa que tem mais Escolas do Ensino Secundário e a que tem mais farmácias. Possui além disso, um Centro de Saúde, um Hospital Central, 2 esquadras de Polícia, uma Repartição de Finanças e um Mercado Municipal.
Assim nasceu, cresceu e se tornou Alcântara até hoje...


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