Coração de Lisboa ganha vida
Uma nova ‘cidade’ vai nascer em Lisboa. Com zonas livres de trânsito, muito comércio, turismo, alta finança e áreas de serviços e lazer. Terá 17 mil habitantes. O projecto está pronto a ser aprovado pela Câmara. Será financiado, sobretudo, por pelo Governo e privados. Obras podem arrancar em Fevereiro.
Reocupar o coração de Lisboa e libertá-lo de 75 por cento do tráfego automóvel são dois dos grandes objectivos do Plano de
Revitalização da Baixa de Lisboa. As obras, avaliadas em 1,1 mil milhões de euros, deverão arrancar já em Fevereiro do próximo ano e prolongar-se-ão até 2020.Os primeiros resultados visíveis desta intervenção – que só encontra paralelo nos trabalhos de reconstrução desenvolvidos após o terramoto de 1755 – começarão a ser visíveis já em 2010, altura em que a população residente na zona ascenderá a 7900 habitantes, contra os cerca de 4900 que regista actualmente. Este encremento será acompanhado pela dinamização da área comercial e dos serviços, sobretudo na vertente financeira.
Reocupar o coração de Lisboa e libertá-lo de 75 por cento do tráfego automóvel são dois dos grandes objectivos do Plano de
Revitalização da Baixa de Lisboa. As obras, avaliadas em 1,1 mil milhões de euros, deverão arrancar já em Fevereiro do próximo ano e prolongar-se-ão até 2020.Os primeiros resultados visíveis desta intervenção – que só encontra paralelo nos trabalhos de reconstrução desenvolvidos após o terramoto de 1755 – começarão a ser visíveis já em 2010, altura em que a população residente na zona ascenderá a 7900 habitantes, contra os cerca de 4900 que regista actualmente. Este encremento será acompanhado pela dinamização da área comercial e dos serviços, sobretudo na vertente financeira.O projecto, apresentado ontem em Lisboa pelo Comissariado, abrange oito freguesias: S. Paulo, Encarnação, Mártires, Sacramento, Santa Justa, S. Nicolau, Madalena e Sé), compreendendo um total superior a dois milhões de metros quadrados só em área construída. Destes, um milhão e quatrocentos mil metros quadrados necessita de obras de reabilitação no edificado. “Só nos edifícios do Terreiro do Paço há 140 mil metros quadrados devolutos, que, se aproveitados, permitirão criar 5000 postos de trabalho”, sublinhou Manuel Salgado, comissário responsável pelo Urbanismo e Espaço Público.
Mas não basta recuperar a população perdida ao longo dos anos para dar nova vida à Baixa- Chiado. A redução substancial do tráfego, que será limitado – e mesmo proibido – em algumas zonas é entendida como um dos pontos centrais do projecto, orçado em 1,1 milhões de euros. Esta verba está dividida em duas partes: 682 milhões de euros serão gastos entre 2007/10 e 463 entre 2011/20. À Câmara caberá suportar, até 2010, 168 milhões de euros, recuperáveis através do IMI. O restante será suportado pelo Estado e privados.
TRÂNSITO: Tráfego cai 75 por cento
O modelo de circulação para a Baixa aponta para uma redução substancial do tráfego, da ordem dos 75 por cento. À hora de ponta a zona é percorrida por cerca de 7500 veículos por hora. Com as alterações a introduzir, esse valor cai para as 1800 viaturas/hora. Ou seja, menos 5700
automóveis/hora. O principal contributo para essa quebra será a interrupção da circulação na circular ribeirinha (Eixo da Av. 24 de Julho e Av. Infante D. Henrique) entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas. A transição nascente-poente, e vice-versa, só será possível através de percursos sinuosos com passagens pelas ruas da Conceição e de S. Julião. A alternativa à Av. Ribeira das Naus é a Rua do Arsenal, que passa a ter dois sentido. A eliminação da circulação nas faixas laterais (poente e nascente) da Praça do Comércio será, por seu turno, o principal elemento condicionante para o tráfego de atravessamento norte-sul.
automóveis/hora. O principal contributo para essa quebra será a interrupção da circulação na circular ribeirinha (Eixo da Av. 24 de Julho e Av. Infante D. Henrique) entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas. A transição nascente-poente, e vice-versa, só será possível através de percursos sinuosos com passagens pelas ruas da Conceição e de S. Julião. A alternativa à Av. Ribeira das Naus é a Rua do Arsenal, que passa a ter dois sentido. A eliminação da circulação nas faixas laterais (poente e nascente) da Praça do Comércio será, por seu turno, o principal elemento condicionante para o tráfego de atravessamento norte-sul. HABITAÇÃO: Regresso dos habitantes
Quadruplicar o número de habitantes na Baixa-Chiado é o grande objectivo do Plano e Revitalização. Sendo certo que já não existem espaços livres de dimensões relevantes, nem a possibilidade de construir grandes edifícios para novos espaços residenciais, o projecto sugere, entre outras alternativas: afectar à habitação todos os fogos existentes ou espaços devolutos que já tenham tido esse uso, bem como os armazéns existentes acima do 2.º andar. Uma das formas apontadas pelo plano de reabilitação da Baixa-Chiado para reocupar o espaço nobre da capital é a criação de residências universitárias. Para os mais idosos está prevista a criação de lares para a terceira idade.
COMÉRCIO: Mercado na Figueira
O Projecto de Revitalização da Baixa-Chiado pretende transformar a zona num enorme espaço comercial. Nesse sentido serão desenvolvidas três acções de fundo na áreas: o desenvolvimento de duas ruas comerciais (Vitória e Stª. Justa) funcionando como centros comerciais a céu aberto; a reinstalação na Praça da Figueira de um mercado, parte a céu aberto; e a instalação de duas áreas de comércio, restauração e lazer na zona ribeirinha junto ao Campo das Cebolas e na Praça da Figueira. Para facilitar a mobilidade serão construídos percursos pedonais assistidos, com a instalação de escadas rolantes que ligarão a Rua dos Fanqueiros à Rua da Madalena e daí à Colina do Castelo de S. Jorge.
FINANÇAS: Projecto quer manter bancos
Na Baixa estão actualmente localizados: o Ministério das Finanças, a sede do Banco de Portugal, as sedes do Montepio e do Banco Totta e as instalações centrais do BCP, BPI, BES, entre outras. Além das direcções destes bancos, está situado na Baixa e no Chiado um conjunto alargado de serviços bancários, com uma elevada densidade de balcões. Nesse sentido, será criado um Centro Financeiro Integrado. O objectivo é a manutenção dos centros de decisão ou instalações representativas das instituições financeiras. Pretende-se, ainda, que na reorganização das instituições financeiras ou na sua relocalização na cidade alguns espaços a libertar na Baixa venham a ser reocupados por outras instituições financeiras.
MAIS PARQUES
Serão construídos vários parques de estacionamento para suportar o projecto: Praça do Comércio (450 lugares); Largo do Corpo Santo (700 lugares); Campo das Cebolas (com 700 lugares).
NOVOS MUSEUS
Está prevista a criação, na Praça do Comércio, de um Núcleo do Museu da Cidade de Lisboa (dedicado ao terramoto de 1755). Um outro Museu (virtual e didáctico) ficará no Edifício do Arsenal.
HOTEL DE CHARME
Um hotel de charme nascerá no Terreiro do Paço, no quarteirão a poente da R. Augusta. Ficará instalado em dois edifícios, um virado à Praça do Comércio, o outro de frente para a R. do Comércio.
TERMINAL DE CRUZEIROS
A intervenção na frente ribeirinha ficará marcada pela construçáo de um novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa no Jardim do tabaco, cujas obras marítimas seráo iniciadas dentro em breve.
FEIRAS TEMÁTICAS
Uma das formas encontradas para a dinamização da Praça de Figueira é a realização de feiras temáticas – filatelia, livros antigos, velharias, artesanato, produtos regionais e produtos biológicos.
NOVA EMPRESA
Este Projecto de Reabilitação da Baixa-Chiado prevê a constituição de uma empresa municipal, foi ontem revelado. Terá o nome de Gestão Urbana e Infra-Estruturas e a ela caberá toda a gestão do mesmo.
POLUIÇÃO RECORDE
Realizaram-se testes de poluição (sonora e atmosférica) junto da Igreja da S. Nicolau e verificou-se que os resultados são superiores aos níveis da Av. da Liberdade, uma das mais poluídas da Europa.
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