Dia do Trabalhador dominado por desemprego, crise, governo e agressão

A situação económica do país, o combate ao desemprego e à precariedade, o direito à contratação colectiva, o aumento dos salários e pensões, a efectivação dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores foram as principais preocupações e reivindicações que levaram as centrais sindicais a manifestarem-se nas ruas.
As duas centrais sindicais, CGTP e UGT, voltaram a assinalar o Dia do Trabalhador em iniciativas separadas.
A CGTP promoveu o tradicional desfile em Lisboa, entre o Martim Moniz e a Alameda. As manifestações da CGTP decorreram em cerca de 50 localidades, sob o lema "Mudar de Rumo, Dignificar os Trabalhadores".
A UGT marchou entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa, sob o lema "Com Emprego e Solidariedade". Foi a segunda vez na sua história que a UGT organizou um protesto no primeiro de Maio.
CGTP alerta para centrão
No discurso que fez em Lisboa, o líder da CGTP referiu-se à hipótese de um Governo central. "Já há por aí quem ande a propagandear o perigo da ingovernabilidade se nenhum partido do chamado centrão tiver a maioria absoluta", disse Carvalho da Silva. O secretário-geral da CGTP critica um cenário de coligação entre os dois partidos, desconfiando do argumento apontado, que é o de uma governação forte.
UGT exige mais medidas de combate à crise
A UGT considerou inaceitáveis os números do desemprego e afirmou que há cada vez mais famílias a sentir a crise. "Não estamos a fazer o suficiente para combater a crise. Há que fazer mais e melhor", disse João Proença.
O secretário-geral da UGT defendeu o alargamento das condições de acesso ao subsídio de desemprego para "aqueles que trabalharam, que estiveram em estágios seis, nove ou um ano, que tiveram formação com bolsas, ou ocupação temporária". A adopção de medidas suplementares de combate à crise, que "sejam implementadas rapidamente no terreno", e o acompanhamento das políticas já definidas pelo Executivo são outras propostas da UGT.
Vital Moreira agredido durante manifestação
Vital Moreira, o cabeça de lista do PS às eleições europeias, foi esta tarde agredido em Lisboa, durante a manifestação da CGTP. O candidato independente tinha sido convidado pela Intersindical a participar nos eventos do Dia do Trabalhador e acabou por ser agredido por vários participantes na marcha promovida pela CGTP.
Tudo terá acontecido, quando o cabeça de lista socialista às europeias, com toda a delegação do PS, pretendia, como faz habitualmente todos os anos, apresentar cumprimentos à direcção da central sindical.
Apesar das tentativas dos dirigentes da CGTP em protegerem Vital Moreira, estes não conseguiram evitar o incidente.
Segundo avança a agência Lusa, o candidato rosa foi empurrado, cuspido, insultado e, em várias ocasiões, agredido com murros na cabeça e nas costas. Acabou por ser obrigado a abandonar o local ouvindo gritos como: «traidor», «mentiroso» e «vai-te embora».
Ouvido pelos jornalistas, no local, Vital Moreira referiu que «apesar de não se tratar assim um convidado», não se arrepende de ter assistido à marcha sindical, que se dirige para a Alameda D. Afonso Henriques. Por seu lado, os dirigentes da CGTP apresentaram o seu pedido de desculpas ao candidato e a toda a comitiva do PS, que incluía também os dirigentes socialistas Vítor Ramalho e Ana Gomes.

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