Jardim Alfredo Keil / Praça da Alegria

Junto ao passeio Público (hoje Avenida da Liberdade) havia uma pequena praça semi-abandonada onde entre 1809 e 1835 se realizava a Feira da Ladra. Atravessada na colina, a praça constituía um belo desafio para um jardinzinho à maneira romântica. Ali, em 1882, se fez um amplo socalco circular com cerca de 0,5ha, com um lago com repuxo ao centro, guardado por um par de palmeiras e rodeado de lódãos, eucaliptos e outras altas árvores.
Passaram os anos, e veio a República, que baptizou o jardim com o nome de Alfredo Keil, lhe acrescentou em 1957 um busto deste pintor e compositor, da autoria de Teixeira Lopes, e uma lápide com a letra do hino nacional, de que ele escreveu a música.
Também conhecido por Jardim da Praça da Alegria, quase 125 anos depois, a praça continua bela: passsam já dos 30 metros os seus dois metrosideros dos antípodas, cujas flores lhes garantiram o nome de árvores-de-fogo.
Com alguns arbustos e pequenas manchas de relva apresenta um estrato arbóreo bem desenvolvido, tendo sido identificadas 12 espécies de árvores. Exibe como principais motivos de interesse a presença de vários exemplares considerados de Interesse Público: duas coralinas (E. crista-galli), dois bonitos exemplares de metrosideros, dois maciços de lodãos e uma paineira-rosa. Esta última com mais de 20 metros de altura, cria na época da floração um espectáculo extraordinário, uma vez que a sua copa se torna de um rosa-vivo, visivel de muito longe, especialmente do Jardim do Torel e do Castelo de S. Jorge.
De referir que os dois metrosideros e as duas coralinas, além de serem consideradas Árvores de Interesse Público são ainda Exemplares Únicos ou Raros.
Numa comunidade animal claramente domonada pelo pombo-das-rochas pelo pardal-comum apenas foram identificadas 7 espécies de aves, pelo que a diversidade avifaunistica pode ser considerada baixa. No entanto, a proximidade do Jardim Botânico da Faculdade de Ciências e o facto da pressão humana não ser excessiva permitem admitir a presença esporádica de algumas das aves residentes neste último.
Alfredo Keil (Lisboa, 8 de Julho de 1894 — Hamburgo, 4 de Outubro de 1907), foi um compositor de música, pintor, poeta, arqueólogo e coleccionador de arte e antiguidades. Era filho de João Cristiano Keil, um alfaiate alemão, e de Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal. Aos 14 anos foi para a Alemanha onde iniciou os seus estudos artísticos em Nuremberga, berço do romantismo. Estudou desenho e música, numa academia dirigida pelo pintor Kremling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana e a problemas de saúde, regressa a Portugal. Continua os seus estudos artísticos em Lisboa e em 1875 expõe pela primeira vez na Sociedade Promotora de Belas Artes. Ao longo do seu percurso artístico recebeu numerosos prémios nacionais e estrangeiros.
Teve atelier e residiu na Avenida da Liberdade, local onde realizava exposições com a sua pintura, saraus literários e culturais que se tornaram famosos na época. Bastante concorrida terá sido a exposição individual com cerca de 300 quadros, que aí realizou em 1890.
Em 1890, o ultimato inglês a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico "A Portuguesa", com versos de Henrique Lopes de Mendonça. Mais tarde seria o hino nacional de Portugal - A Portuguesa.
O busto de Alfredo Keil, colocado no Jardim da Praça da Alegria, cujo nome oficial é “Jardim Alfredo Keil”, da autoria do escultor Teixeira Lopes, foi ali colocado pela CML a 3 de Julho de 1957, justificando o presidente da altura, o tenente coronel Salvação Barreto a escolha do local pela proximidade da residência e atelier do homenageado.

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