Lisboa com novos acessos
O alargamento do IC19, a concessão da Grande Lisboa e a conclusão da CRIL e do Eixo Norte-Sul vão retirar, até 2010, cerca de 40 mil viaturas da 2.ª circular e 20 mil da Calçada de Carriche, duas das mais congestionadas vias da capital. Estes cálculos foram feitos ontem pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, na apresentação das “Novas acessibilidades da Grande Lisboa".As quatro intervenções previstas para estradas a Área Metropolitana de Lisboa representam um investimento de 332 milhões de euros. Para além da redução do tráfego na 2.ª circular e Calçada de Carriche, prevê-se uma redução da sinistralidade em cerca de 30 por cento.
O objectivo é não só melhorar a qualidade de vida dos que vivem na região, mas também “a sua economia”, sublinhou ontem o primeiro-ministro José Sócrates que participou numa visita a alguns dos locais a intervencionar e na cerimónia pública de apresentação dos projectos.Estas intervenções irão permitir “tornar a Área Metropolitana de Lisboa (AML) uma zona económica mais eficiente e mais capaz de dar o seu contributo para a economia nacional”, sublinhou José Sócrates.
Entre as obras anunciadas, destaca-se o projecto da concessão da Grande Lisboa, atribuída à Mota-Engil, que prevê a construção de duas novas vias, que constituirão a futura A16, que terá portagens, tal como o Correio da Manhã avançava na sua edição de ontem.
Trata-se do IC30, que integrará uma nova circular exterior à Área Metropolitana de Lisboa e que tem uma extensão de oito quilómetros, e o IC16, que permite a conclusão da Radial da Pontinha, com uma extensão de 12 quilómetros.
A este anúncio reagiu, ontem à tarde, a Brisa, uma das candidatas ao projecto, não excluindo a possibilidade de ir a tribunal. Recorde-se que a Brisa já tinha denunciado alegadas irregularidades na proposta do consórcio Lusolisboa, liderado pela construtora Mota-Engil.
ESTRANGULAMENTOS
“As acessibilidades rodoviárias hoje existentes são manifestamente insuficientes para poder responder, de forma adequada, a um tão grande volume de tráfego, tornando muito difícil e penosa a mobilidade nesta região”, admitiu o ministro Mário Lino, na cerimónia de apresentação dos projectos.
Neste momento, a capital dispõe de duas radiais “com fortes problemas de estrangulamento, provocados pela sobrecarga de tráfego automóvel, a A5 e o IC19”.
Na A5 circulam, em média, 90 mil veículos por dia, verificando-se que o viaduto Duarte Pacheco é usado diariamente por cerca de 200 mil veículos. Por outro lado, o IC19 contribui por dia com 120 mil veículos.Em termos globais, a Área Metropolitana de Lisboa conta com 2,7 milhões de pessoas.
As intervenções previstas terão um “impacto muito positivo para o nosso futuro”, afirmou Mário Lino, salientando que estas decisões vão permitir “desatar o autêntico ‘nó górdio’ em que se havia transformado a rede de acessibilidades na zona ocidental da região da Grande Lisboa.
ALARGAMENTO DO IC19
Objectivo: Passagem de duas para três vias de circulação, entre o nó de Queluz e Cacém (inaugurada ontem) e entre o Cacém e Ranholas, uma extensão de cinco quilómetros. Entre os nós de ligação estão previstas quatro vias e Cacém terá nova entrada.
Investimento: 32 milhões de euros
Conclusão: 2008.
CONCESSÃO GRANDE LISBOA
Objectivo: As duas vias (IC16 e IC30) combinadas permitem satisfazer a procura de tráfego entre a zona Ocidental da Área Metropolitana de Lisboa para o Norte (A1) e Sul (A2), aliviando a circulação dentro da cidade de Lisboa, e reduzir tempos de percurso.
Investimento: 140 milhões de euros
Conclusão: 2010.
CONCLUSÃO DA CRIL
Objectivo: Terminar a ligação entre a Buraca e a Pontinha de forma a descongestionar o trânsito na zona Oriental da Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente nos acessos que hoje desembocam na 2.ª Circular (com 120 mil veículos por dia).
Investimento: 100 milhões de euros.
Conclusão: 2009.
FIM DO EIXO NORTE-SUL
Objectivo: Trata-se de terminar o traçado (faltam cinco quilómetros) constituindo uma alternativa à 2.ª Circular para ligação à A1 e A2 e à entrada em Lisboa pela Calçada de Carriche. Reduz os tempos de percurso no tráfego e cria novas acessibilidades.
Investimento: 60 milhões de euros.
Conclusão: Abril 2007.
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