85 quilómetros de documentos

A imensa curiosidade em conhecer o passado e a história familiar leva centenas de genealogistas amadores ou profissionais aos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, em Lisboa, para consultar os registos paroquiais do País. Conhecer o passado para compreender o presente, parece ser o principal objectivo.
Os registos paroquiais do País são os documentos mais consultados no Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT), sobretudo por genealogistas amadores ou profissionais, em busca de informação para reconstruir árvores genealógicas.De acordo com Miguel Veloso, responsável pelo departamento de comunicação da Torre do Tombo, no ranking dos documentos mais consultados surgem em seguida os arquivos da antiga PIDE, polícia política do regime de Salazar e os arquivos da Inquisição.
Registos paroquiais
“Os registos paroquiais são os mais pedidos e consultados na Torre do Tombo, porque as pessoas querem cada vez mais conhecer a sua história familiar, quem são e de onde vêm os seus antepassados”, explicou o responsável.
Os registos paroquiais são essenciais para fazer pesquisa genealógica, pois contêm assentos de baptismos, casamentos e óbitos, fornecendo os nomes dos familiares, datas, locais, e até profissões e relações de parentesco com padrinhos e testemunhas.O registo de baptismos e casamentos em livro próprio só passou a ser obrigatório a partir de 1563, embora muitas paróquias já o fizessem, enquanto o registo dos óbitos data de 1614.
Arquivo histórico
Ao longo do ano, os 85 quilómetros de documentos guardados em permanência no arquivo histórico da Torre do Tombo são diariamente consultados por estudantes, investigadores portugueses e estrangeiros, “mas os genealogistas são a grande maioria”.“Os que vêm a título pessoal são pessoas entre os 50 e os 65 anos, geralmente reformados que têm a curiosidade de saber um pouco mais sobre as suas raízes, mas nunca aprofundam muito”, afirmou Miguel Veloso.
Quanto aos profissionais, “têm entre 25 e 35 anos, são sobretudo homens e dedicam-se muitas vezes à genealogia com métodos de trabalho diários”, acrescentou.
Durante o Verão, o horário da Torre do Tombo é mais reduzido, “mas o público até aumenta e é mais diversificado. As pessoas aproveitam as férias para fazer algum tipo de pesquisa prática”, indicou.
Alguns números
Segundo dados de 2005, a Torre do Tombo recebeu uma média diária de 80 leitores, num total de 20.585, que resultaram em 86.200 requisições aos serviços.
De 2004 para 2005, ainda segundo dados dos serviços, verificou-se um aumento de cerca de vinte por cento na procura de documentos, números que não contemplam as dezenas de pessoas que se dirigem à Torre do Tombo, mas são depois encaminhadas para outros arquivos.
«Dicionário Geográfico»
Uma das obras mais consultadas no IAN/TT, o «Dicionário Geográfico» de 1758, com relatos de párocos sobre a devastação do grande terramoto no País, já está acessível no site do organismo na Internet em http://www.iantt.pt.
A digitalização dos 44 volumes da obra, encomendada na época pela Academia de Ciências de Lisboa, é um exemplo da estratégia da nova direcção do Instituto de tornar cada vez mais acessíveis ao público os arquivos da Torre do Tombo.
Este «Dicionário Geográfico» tem a particularidade de ter sido elaborado com base nas descrições dos párocos das 4.168 freguesias do País, após a devastação provocada pelo grande terramoto de 1755.
Depois da destruição, a Academia das Ciências de Lisboa pediu o auxílio da Igreja Católica, que, por seu turno, solicitou aos padres que descrevessem as freguesias antes e depois do terramoto.
O resultado, compilado na altura por ordem alfabética pelo padre Luís Cardoso, é ainda hoje uma das obras mais procuradas no IAN/TT, e inclui informações sobre rios, serras, a história da freguesia, as produções locais, desenhando um retrato bastante detalhado do Portugal da época.
Os documentos são muito solicitados por investigadores das áreas do ordenamento do território e cartografia, professores de História e Geografia, mas também por muitas pessoas que têm curiosidade em relação à história da sua freguesia.

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