Linha do Oeste volta a ter comboios directos para Lisboa e Coimbra

A CP vai apresentar em Setembro uma nova oferta na Linha do Oeste que contempla ligações directas para Lisboa e Coimbra, voltando a integrar este eixo na rede ferroviária nacional.
Entre Lisboa (Oriente) e as Caldas da Rainha passará a haver quatro ligações directas diárias em cada sentido, sem necessidade de mudar de comboio no Cacém ou em Meleças, como hoje acontece. Das Caldas para Coimbra passa a haver dois inter-regionais directos em cada sentido entre as duas cidades, acabando-se com o transbordo em Bifurcação de Lares (um apeadeiro situado nos arrozais do Mondego, a poucos quilómetros da Figueira da Foz).
Os horários são hoje apresentados aos autarcas de todos os concelhos atravessados pela Linha do Oeste numa reunião na Câmara das Caldas da Rainha e para a qual a CP convidou os presidentes de Sintra, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Bombarral, Óbidos, Caldas, Nazaré, Alcobaça, Marinha Grande, Leiria, Soure, Pombal e Figueira da Foz.
A nova estratégia da empresa para a linha que serve uma das zonas com maior densidade populacional do país e que tem registado maiores índices de crescimento demográfico rompe com a tradição iniciada há sete anos pelo então presidente da CP, Crisóstomo Teixeira, que acabou com as ligações directas aos principais centros geradores de tráfego (Lisboa e Coimbra), transformando este eixo ferroviário numa linha regional, com composições a pararem em todas as estações e apeadeiros, sem qualquer vocação para o longo curso.
Hoje, por exemplo, torna-se necessário apanhar três comboios para viajar de Leiria a Lisboa, quando desde a inauguração da linha, em 1888, sempre houvera ligações directas da cidade do Lis para a capital. E mesmo de Torres Vedras, às portas de Lisboa, não há comboios directos para Entrecampos ou Oriente, porque é necessário fazer transbordo em Meleças.Resultado: nos últimos anos, a população do Oeste tem vivido de costas para o comboio, satisfeita com a auto-estrada A8 e a alternativa pública rodoviária. Entre Caldas e Lisboa há 20 autocarros diários em cada sentido e entre Leiria e a capital há 23, o que prova a existência de um mercado que não tem sido explorado pela CP.
Os novos horários da empresa para esta linha arriscam-se, porém, a já virem tarde e a não recuperarem o tráfego perdido nas últimas décadas. O material circulante é renovado, tem ar climatizado, mas está longe de ser confortável para viagens de longo curso e é lento para os padrões actuais de velocidade. A linha - em via única e não electrificada - raramente permite velocidades acima dos 100 km/hora e tem sido ignorada por todos os governos nos planos de modernização da rede ferroviária nacional. Ciclicamente, deputados do PS e do PSD fazem as mesmas perguntas na Assembleia da República acerca da urgência da modernização da linha, sem que haja qualquer decisão do governo de momento. O actual não é excepção: entre múltiplas promessas de aposta na ferrovia - incluindo o projecto de alta velocidade -, a Linha do Oeste continua à margem de qualquer investimento.
Seguindo uma estratégia idêntica à da Linha do Douro, a CP vai basear a sua oferta no Oeste com rajadas de quatro inter-regionais em cada sentido entre Lisboa/Oriente e Caldas da Rainha, intercaladas com regionais com origem e destino em Meleças e que param em todas as estações e apeadeiros. Das Caldas para Coimbra haverá dois comboios directos em cada sentido (o que já não acontecia há 20 anos), continuando os regionais a ter o seu término e origem na Figueira da Foz. O serviço é assegurado com o material actual composto por automotoras UDD (Unidades Duplas Diesel), construídas na Sorefame em 1966 e que foram recentemente alvo de reabilitação.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Red Bull Air Race vai realizar prova em Lisboa

Carlos do Carmo canta Ary dos Santos

Lisboa terá Plano Ambiental até final do ano