Freguesia de S. Francisco Xavier
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“A freguesia de S. Francisco Xavier estende o seu olhar sobre o rio Tejo, amparada na falda da Mata de Monsanto.”Zona rural até meados do século XIX, manteve-se inicialmente na dependência administrativa da Ajuda, tendo passado mais tarde para a tutela de Belém.
Em 1959, o então Ministério do Interior procedeu a uma reforma administrativa, criando doze novas freguesias, uma das quais seria a Freguesia de São Francisco Xavier.
Para o estabelecimento dos novos limites das autarquias então instituídas procurou-se, de acordo com o espírito do Decreto-Lei nº 42 142, “que as freguesias correspondessem, tanto quanto possível, a comunidades definidas por uma população socialmente homogénea e não muito numerosa, habitando em área naturalmente delimitada e dotada dos serviços públicos mais comuns (...)”.
Os limites da Freguesia de São Francisco Xavier ficaram assim definidos: “partindo da curva da estrada de circunvalação que fica 250 m a norte do Forte do Alto do Duque, segue, para norte, por aquela estrada (estrema da cidade), até à auto-estrada Lisboa-Cascais; inflecte, para leste, pelo eixo da auto-estrada, até ao seu cruzamento com a Estrada de Queluz; desvia-se para sul, continuando, pelo eixo da Estrada de Queluz, num percurso de 700 m, até ao cruzamento com a calçada da Cruz, que dá acesso ao Bairro do Caramão da Ajuda; avança, para sudoeste, pelo eixo da referida calçada (contornando pelo sudoeste o referido bairro, que fica excluído) e pelo eixo do futuro traçado da Estrada do Caramão, até ao Cemitério da Ajuda; rodeia, pelo poente e pelo sul, o cemitério (que pertence à freguesia da Ajuda), até atingir a Calçada do Galvão; desce, pelo eixo desta calçada, até à altura da Rua do Jardim Botânico, toma a direcçãooeste, prosseguindo pelo eixo do futuro arruamento, que contornará, em curva, pelo norte, o projectado mercado e a escola técnica, até atingir o parque desportivo do clube Os Belenenses; contorna, pelo norte e poente, o mencionado parque, até encontrar a Rua de Alcolena; acompanha, para oeste, o eixo da Rua de Alcolena, continuando, na mesma direcção, alguns metros, até alcançar a Rua do Alto do Duque; do extremo norte da última das citadas ruas segue, em linha recta, para noroeste, até ao ponto de partida”.
Percorrer a história desta zona, pouco povoada desde sempre, não é tarefa fácil.
No entanto, alguns vestígios arqueológicos, que têm sido encontrados nas imediações da freguesia, indiciam que tenha sido procurada e habitada em épocas pré-históricas.
Os Mouros também por aqui andaram. Ainda hoje os vestígios da sua passagem se mantêm, quer na toponímia, quer na arquitectura.
Deles por aqui ficaram nomes de povoações e locais como Alcolena, Algés, Alfragide, Alcântara, Alvito e Almargem (para os lados da Junqueira).
Mas a sua presença fez-se notar ainda na arquitectura, sobretudo com a construção de moinhos. Estes edifícios, que caracterizaram a paisagem dos arredores de Lisboa durante muitos séculos, eram, quase sempre, construções de dois a três pisos.
Com o passar do tempo, os moinhos foram gradualmente caindo em desuso e, enquanto construção, deterioraram-se.As freiras Dominicanas Irlandesas do Convento do Bom Sucesso foram, à semelhança dos frades Jerónimos, proprietários de terrenos e bens no que é hoje a Freguesia de São Francisco Xavier. Entre as suas pertenças são de referir vários moinhos. Alguns deles chegaram aos nossos dias, como os de Sant’Ana, construídos entre 1755 e 1762.A geografia da actual Freguesia de São Francisco Xavier era nos séculos XVII a XVIII marcada por quintas e palácios.
Isto ficou a dever-se, em parte, à grande concentração populacional registada na região (sobretudo na Ajuda, em Belém e Pedrouços) aquando do terramoto de 1755. Sendo uma zona que pouco sofreu com o terramoto, tornou-se apetecida não só da corte e da aristocracia, mas também do povo.Dentro dos actuais limites da Freguesia de São Francisco Xavier, havia então várias quintas. Em Caselas, encontra-se, em 1751, uma quinta importante, com uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Graça. O muro dessa quinta exibia, à entrada, uma imagem de Santo António. Foi esta imagem que levou a que a referida propriedade passasse a ser conhecida como Quinta de Santo António.
Uma outra quinta, a antiga Quinta de Caselas ficou também para a história. O edifício, do século XVIII, era do tipo pombalino, com portal e pátio de entrada. Existiam também vários casais, como o de Pai Calvo, que o rei comprou aos frades Jerónimos, juntamente com o casal de Alcolena.
Da memória da zona de Caselas consta ainda a Quinta de São José, assim como os casais com o mesmo nome, propriedades hoje unidas numa só, que alberga o Colégio “A Quinta das Palmeiras”.
Terra de “semeaduras, escassos vinhedos e algumas oliveiras”, “de águas e de frescas sombras, de lavadeiras e de moleiros”, a zona a que hoje chamamos de Freguesia de São Francisco Xavier foi, durante o século XIX, um desses lugares aprazíveis, onde a calma reinava e se respirava ar puro.É durante o século XX que os terrenos que hoje pertencem à Freguesia de São Francisco Xavier passam de zona rural a zona urbana, que a população aumenta, que o lugar deixa de ser arrabalde para integrar a própria cidade. O censo de 1960 registava já uma população de 2911. Actualmente, mais de quarenta anos passados, e tendo por base os dados do censo de 2001, a população da freguesia ascende a 8100 pessoas.
A década de 40, do século XX, vem alterar, no entanto, a morfologia da região. Pouco antes, em 1934, começa a transformação da zona envolvente, quando Duarte Pacheco manda florestar Monsanto, até então um ermo terroso, orlado, contudo, de “uma cintura de magníficas quintas, que faziam um dos encantos dos arredores da cidade”. Depois, na encosta da nova Mata de Monsanto, Caselas vê nascer, em 1949, o Bairro Social, da autoria de Couto Martins.
Pouco tempo depois, e quase em frente ao de Caselas, outro bairro nascia: o do Restelo.São Francisco Xavier é hoje uma das freguesias mais verdes de Lisboa. Dominada pela Mata de Monsanto e por arvoredos e relvados que “olham” o Tejo, tem sabido proteger a sua “magia” de aldeia dentro da cidade.Em termos de organismos de solidariedade social, S. Francisco Xavier é uma freguesia que apresenta um grande dinamismo. Constroem um mundo novo para todos aqueles que não tiveram a sorte de uma existência feliz, minorando assim os graves problemas que ainda existem na nossa sociedade. É o caso da Fundação Nossa Senhora do Bom Sucesso e da Fundação Anne Sulivan. O Centro Infantil Helen Keller e a Liga Portuguesa de Profilaxia da Cegueira completam o quadro das instituições de solidariedade social da freguesia.Das colectividades fazem parte os Clube Internacional de Futebol e Caselas Futebol Clube.A freguesia de S. Francisco Xavier tem por orago o santo que lhe confere o nome embora festeje os santos populares, em Junho.



Comentários
Gostei muito e quero dar-lhe os parabéns deste trabalho sobre a Freguesia de S. Francisco Xavier, onde moro desde 1979, 1º na EPUL e depois em Caselas.
No entanto, gostaria de saber, se tem alguma informação sobre o Moínho de Caselas, e se me poderia facultar.
Desde já grato, apresento os melhores cumprimentos,
Vasco Pitschieller