Bill Gates em Lisboa
Nasceu há 50 anos e nunca mais o mundo foi o mesmo...Hoje e amanhã Bill Gates, o homem mais rico do mundo está em Lisboa. Será a terceira vez que Bill Gates visita Portugal e desta vez fá-lo para apresentar o contributo da Microsoft ao plano tecnológico, uma das apostas fortes do Governo. Gates vem, também, participar no Government Leaders Forum, dar uma ‘aula’ a ministros e autarcas e dirigentes da Administração Pública sobre novas tecnologias e modernização administrativa e receber uma condecoração das mãos do Presidente Jorge Sampaio.O Government Leaders Forum, ou Fórum de Líderes de Governo, reúne dirigentes políticos e altos representantes das empresas do sector das tecnologias. Esta é apenas a terceira vez que o fórum se realiza na Europa – depois de Roma e Praga – e Lisboa disputava com Viena a sua realização.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, conseguiu que a Microsoft optasse pela capital portuguesa depois de garantir a participação, como orador convidado, do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
À semelhança dos três fóruns precedentes, o tema principal deste encontro será a Estratégia de Lisboa e o seu cumprimento em termos de utilização das novas tecnologias no desenvolvimento económico e da integração dos cidadãos na sociedade de informação.
Os participantes vão analisar, em particular, as oportunidades e os desafios que os dirigentes europeus enfrentam perante a nova economia global, a qual propõe várias reformas para um crescimento forte e mais e melhores empregos.
O papel das tecnologias da informação no desenvolvimento da Administração Pública e do sector público, o aumento dos investimentos na área da investigação e inovação, o ensino digital, a formação dos recursos humanos e os serviços electrónicos são alguns dos pontos que serão abordados nesta reunião.
Além de Bill Gates e de Durão Barroso, o fórum – que decorre amanhã e quarta-feira num hotel de Lisboa – contará com a participação de José Sócrates e de outros governantes europeus.
Bill Gates veio a Portugal já por duas vezes, uma em 1994 e outra em 1998, durante a Expo’98, ano em que se defrontou com o Ministério Público norte-americano na sequência de acusações de outras empresas informáticas segundo as quais recorria a práticas ilegais para eliminar a concorrência. Com a imagem profundamente afectada pelas acusações, desde então que o homem que ocupa o primeiro lugar na lista das maiores fortunas do Mundo tem-se esforçado para dar mais visibilidade aos actos humanitários.
Desde a criação da Fundação Bill and Melinda Gates, o patrão da Microsoft já doou mais de 23 mil milhões de euros para o financiamento de centenas de projectos a nível da educação e do combate à malária e à sida em África e tem actuado como um catalisador de ajudas de outros magnatas e governos para a mesma luta.

Mas como começou Bill Gates? Começou por ser aquilo a que muitos chamariam um "maluquinho dos computadores", mas hoje tem uma fortuna pessoal estimada em 51 mil milhões de dólares e lidera um império empresarial que dá pelo nome de Microsoft.
William Henry Gates III, mais conhecido como Bill Gates, nasceu há 50 anos em Seattle, Washington. O seu bisavô chegou a ser mayor, o avô tinha sido vice-presidente de um banco estatal e o pai era um advogado reconhecido. Mas em 50 anos, Bill já foi muito mais do que os seus antepassados mudou a vida de milhões de pessoas em todo o Mundo. A sua vida confunde-se com a história da informática dos últimos 25 anos.
Gates cedo revelou apetência para a matemática e ciências. Aos 13 anos foi estudar para uma escola privada em Lakeside, onde conheceu Paul Allen e alguns dos primeiros programadores da Microsoft. Este bando de hackers adolescentes passava longas horas, dia e noite, de volta do único computador disponível na escola. Mostraram habilidade na criação de pequenas aplicações para a escola e para uma companhia de transportes e foram convidados por uma empresa chamada Computer Center Corporation, para testar a segurança dos seus sistemas. A recompensa era aquela que Gates e Allen mais desejavam a utilização livre dos computadores da companhia.
Quando, em 1974, o jovem Gates foi estudar para Harvard, estava longe de ser um sex simbol terrivelmente mal vestido, desgrenhado e com uns óculos de lentes enormes, que lhe davam um aspecto alucinado. Como não sabia bem o que queria, começou por estudar direito e matemática. No entanto, passava a muito tempo na sala de computadores da universidade e muito pouco nas aulas.No fim do primeiro ano em Harvard, Allen mudou-se para lá e começaram a pensar em fundar uma companhia. Gates hesitou, mas quando, em Janeiro de 1975 a Popular Electronics mostrou ao mundo o primeiro computador pessoal, o Altair 8800, todas as dúvidas se desvaneceram. Passados poucos dias, Gates telefonou para a MITS (Micro Instrumentation and Telemetry Systems) e disse que tinham desenvolvido uma linguagem de programação (BASIC) que podia ser usada com o Altair. O que não era verdade. Gates e Allen trabalharam freneticamente durante oito semanas e adaptaram o BASIC para o Altair. Nesse mesmo ano, Gates abandonou Harvard e fundaram a Micro Soft em Albequerque, Novo México, que na altura era apontada como uma futura Silicon Valley. Durante esse período, Bill chegou a ser preso por causa de uma infracção de trânsito. Uma história que o próprio nunca explicou. A generalidade das fontes converge para a versão de que Gates foi apanhado a passar um sinal vermelho sem carta de condução.
Em 1979, Gates e Allen mudam a Microsoft para Seattle e no ano seguinte fazem um acordo histórico com a IBM, que permitia à companhia licenciar o seu sistema operativo (na altura o MS-DOS) para os primeiros computadores pessoais da IBM, mas também para outros fabricantes de hardware. Um passo revolucionário que marca o início da explosão da indústria de software. Começa a revelar-se o seu espírito extremamente competitivo e agressivo, que tem levado a Microsoft aos tribunais praticamente desde a sua fundação. Em 1986, a Microsoft vai para a bolsa e Gates fica milionário. Quatro anos depois, aos 35, já era o homem mais rico dos Estados Unidos. O estilo de confronto permanente com os rivais da indústria assenta que nem uma luva a uma das suas frases preferidas "a competição é uma coisa fantástica". A sua ambição começa a fazer estragos em todas as companhias do sector, desenhando-se um império que teve início nos sistemas operativos e pouco a pouco se vai estendendo a várias aplicações informáticas, como os processadores de texto (o Word), folhas de cálculo (o Excel) e outras (Media Player, Internet Explorer, etc.).
Este monopólio tem gerado ódios e invejas de concorrentes e não só, que descrevem Gates como um homem frio. Ficou célebre uma visita de Bill Gates a Bruxelas, em 1998, em que um anarquista presenteou o dono da Microsoft com um bolo na cara.
Quem o conhece, como o director-geral da Microsoft Portugal, João Paulo Girbal, diz que não é assim "É uma pessoa tímida e pouco exuberante, mas afável no trato. É muito directo e não utiliza rodeios, mas isso não faz dele um homem frio". Mesmo tratando-se do patrão, o responsável da subsidiária portuguesa garante que Gates é mesmo "um homem brilhante, tímido, simples, acessível e completamente apaixonado por tecnologia". Gates é casado e tem três filhos. Gosta de ler, jogar golfe e tem um fraquinho por causas humanitárias. Por isso criou a Fundação Bill & Melinda Gates, que tem uma dotação de 25 mil milhões de dólares e faz donativos anuais de mil milhões para combater a SIDA e outras doenças. Gosta de falar sobre o futuro e costuma dizer que "ainda estamos apenas no início de tudo o que vamos conseguir fazer com software".
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