A Ermida de São Jerónimo

A Ermida de São Jerónimo é, sem qualquer dúvida, o ex-libris da Freguesia de São Francisco Xavier.
Apesar das suas reduzidas dimensões, a forma como olha, sobranceira, a zona ocidental da cidade, o Tejo e a Ponte que o atravessa, o Cristo Rei, a Serra da Arrábida e o próprio Atlântico, faz dela um monumento inconfundível. Por outro lado, a beleza do seu interior – “uma autêntica e minúscula réplica do Mosteiro dos Jerónimos” – torna-a inesquecível.
Aquando da sua construção, que data de 1514, a Ermida encontrava-se num dos extremos da antiga cerca dos frades Jerónimos do Mosteiro de Santa Maria de Belém e servia-lhes de retiro até que o século XIX viu extinguirem-se as ordens religiosas em Portugal (em 1833), acabando o património do Mosteiro por ficar disperso.
A cerca é então retalhada e, em 1835, uma boa parte é entregue à Casa Pia de Lisboa – aliás, o seu fundador, Pina Manique, esteve sepultado na Ermida de São Jerónimo – ficando a restante fora dos limites dos novos muros. É neste momento que a Ermida de São Jerónimo perde a sua ancestral ligação ao Mosteiro.
Classificada como Monumento Nacional, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, desde 26 de Setembro de 1940, esta ermida “de formas sóbrias e raro equilíbrio de volumes, é um monumento que impressiona todos os que o vêem pela primeira vez”.
Embora seja o nome de Rodrigo Afonso que mais “aparece ligado à elaboração e conclusão da Obra”, o de Diogo Boitaca, um dos arquitectos do Mosteiro dos Jerónimos, está também ligado à sua traça.
A Ermida tem planta rectangular, composta por nave única e capela-mor saliente, também rectangular. Os contrafortes exteriores são seccionados em quatro registos, tendo no topo gárgulas, com motivos grotescos.
A fachada principal, a oeste, é de cantaria, rasgada ao centro por um pórtico de reduzidas dimensões. As fachadas laterais e posterior são de alvenaria rebocadas.
O interior é constituído por uma nave única com dois vãos cegos. A nave é coberta por uma abóboda polinervada tipo estrelado. A capela-mor é coberta por uma abóbada polinervada, cujos fechos, ou chaves, são decorados com a cruz de Cristo, a esfera armilar e elementos vegetalistas.
Ao longo dos séculos, a ermida foi sendo alvo de restauros. O mais marcante de que há memória data do século XIX (1886) e é contemporâneo das grandes obras que, na altura, foram levadas a cabo no Mosteiro dos Jerónimos.

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