Museu da Água - Estação Elevatória dos Barbadinhos

A água, para uma cidade como Lisboa, foi sempre insuficiente. Este problema, arrastou-se durante muitos séculos (já na época romana existia), até se tornar gravíssimo e levar diversos reis a elaborarem diversos planos (que não foram postos em prática) para a captação de água, proveniente de diversos lugares. A primeira grande realização para resolver esta carência, iria ser o notável Aqueduto das Águas Livres que alimentava chafarizes e fontes situados em vários lugares da cidade. A sua construção ocorreu no reinado de D. João V (o Magnânimo) que concretizou diversas e arrojadas construções civis e religiosas. Apesar do monumental aqueduto setecentista, ter constituído uma obra que melhorou as condições de abastecimento de água, não foi necessário passar muito tempo para se verificar que era insuficiente. A falta de estruturas capazes de superar as deficiências neste capítulo, determinava que a distribuição domiciliária da água fosse efectuada com auxílio aos "aguadeiros" que abasteciam as casas por meio de vasilhas ou barris, cujo preço estava dependente da abundância, ou não, da água. Só a partir de 1880, é que começou a ser feito um verdadeiro abastecimento urbano e domiciliário de Lisboa com a distribuição de água vinda do rio Alviela, tendo para o efeito sido construída a Estação Elevatória dos Barbadinhos e o Aqueduto Alviela.
A Estação Elevatória dos Barbadinhos situa-se na antiga estação elevatória a vapor dos Barbadinhos. Trata-se do aproveitamento de um espaço que testemunha todo um complexo industrial do último quartel do período de oitocentos, e que permitiu, na época, fazer face às necessidades urgentes de aumento de abastecimento de água à cidade de Lisboa.
A estação elevatória, foi inaugurada a 3 de Outubro de 1880 e permitia que as águas vindas do rio Alviela, fossem para os reservatórios da Verónica e da Penha de França e dali seguissem para os reservatórios do Arco e de Campo de Ourique, para depois serem distribuídas para os pontos altos da cidade. O excelente estado de conservação de toda a maquinaria do complexo e o significado histórico e sociológico que representa para a cidade de Lisboa, explicam a razão da criação deste museu. Actualmente, no programa deste espaço cultural, integrado no Museu da Água, é possível assistir ao funcionamento das máquinas a vapor, podendo observar-se nas suas salas toda a série de componentes em actividade. A arquitectura do próprio edifício característica da Revolução Industrial, merece atenção, designadamente, a fachada e a alta chaminé, para evacuação do vapor; ou ainda, pormenores ligados ao trabalho do ferro, como é o caso das escadas situadas no interior, em ferro fundido e a decoração que enche uma grande janela na fachada posterior da estação elevatória.

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