A Voz do Operário
A Sociedade «A Voz do Operário» fundada em 1883 por um grupo de operários da indústria dos Tabacos liderados por Custódio Braz Pacheco, surgiu na sequência do Jornal com o mesmo nome que os próprios tinham lançado 4 anos antes.
Em 1930, terminado o imponente edifício (a grande guerra de 1914-1918 e suas consequências atrasaram a construção), a sociedade atinge um número recorde de 70 mil sócios. Nas vastas instalações de que passa a dispor fervilha uma actividade intensa e variada. As salas de aula são utilizadas de manhã à noite. Instala-se o ensino profissional e dá-se início a cursos livres de acesso universitário. São criados serviços médicos de várias especialidades, incluindo um consultório dentário. Os anfiteatros e a magnífica sala de espectáculos são palco de constantes reuniões culturais e artísticas.
É precisamente nesta altura que a nova realidade política nascida em 1926 e acentuada a partir dos anos 30, vem alterar toda a situação. As associações populares, locais privilegiados da actividade e da expressão
livre dos cidadãos suscitam, como não podia deixar de ser, a desconfiança da ditadura que entretanto se instalara. Muitas delas são perseguidas e encerradas.
livre dos cidadãos suscitam, como não podia deixar de ser, a desconfiança da ditadura que entretanto se instalara. Muitas delas são perseguidas e encerradas.Reencontrada a liberdade com o 25 de Abril, «A Voz do Operário» recupera a sua tradição humanista e universalista. Os seus espaços abrem-se às manifestações políticas, culturais e artísticas. Pelos seus anfiteatros passam figuras de relevo da vida nacional e a sua grande sala de espectáculos é de novo local de reunião de milhares de pessoas.
Hoje em dia funciona também como escola e creche.
Durante as marchas populares, pela altura do Santo António de Lisboa, a Voz do Operário, apresenta, de há uns anos para cá, a marcha infantil do Operário.
A Voz do Operário deu igualmente nome à rua onde se fixou.

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