Do sítio de Alfungera à Rua da Regueira
Com a chegada do exército de D. Afonso Henriques, reforçado pela presença dos cruzados, no Verão de 1147, o arrabalde de Alfama é abandonado e a população refugia-se no recinto amuralhado de Lisboa.Após a conquista da cidade, a população volta a ocupar o arrabalde, junto ao núcleo termal e à praia, onde se concentram os pescadores. Mais a Norte, ainda persistia um pequeno bosque no sítio de Alfungera. Este topónimo vem provavelmente do árabe al-fujrâ, ou seja, "lugar por onde se escapa a água".
Este significado poderá estar associado a uma pequena gruta, que tenha existido no bosque, por onde brotaria água que ia alimentar um pequeno rego de água - a regueira.
Daí advém o topónimo de uma importante artéria do bairro de Alfama, sob a qual ainda murmura a água, encosta abaixo, agora encanada por uma antiga conduta de pedra.Para além das águas termais, que chegam à superfície junto à antiga margem do Tejo, existiam vários locais, na encosta do bairro, onde brotavam pequenas nascentes, como é ainda um testemunho vivo a bica, recuperada, no interior do Grupo Sportivo Adicense e a permanência de alguns poços.
Terá sido na referida gruta que, segundo a lenda, um cavaleiro cristão encontrou uma imagem de Nossa Senhora.
Em memória deste acontecimento, foi instalado no sítio de Alfungera um recolhimento de mulheres, por volta do ano de 1240. A partir de 1319 aí se inicia a construção do Convento do Salvador, centro de uma extinta freguesia e que hoje alberga o Centro Cultural Dr. Magalhães de Lima.
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