Palácio Azevedo Coutinho
A primeira referência documental relativa à existência de casas no local data de 1638, informação coadjuvada pela planta de Tinoco, datada de 1650. Nesta última, vêem-se construções que ocupam uma área correspondente ao lote onde se situa actualmente o palácio. É de crer que se tratou desde essa época de uma habitação de características nobres, se atendermos à tipologia planimétrica e funcional que frequentemente os palácios citadinos de Lisboa tinham nessa época, consistindo muitas vezes num mero agregado díspar de casas habitadas pela família alargada de um nobre.A estrutura desenvolve-se sobre dois arcos, um de volta perfeita (a do Chanceler) e outro de volta abatida, integrado na fachada principal. A história do palácio está intimamente ligada ao arco de volta perfeita, provavelmente quinhentista (tratar-se-á de um arco da segunda metade do século XVI), que no século XVII passou a ser conhecido por Arco de Chanceler, topónimo que subsiste até hoje.
Do núcleo primitivo subsiste a frontaria, embora substancialmente alterada com o acrescento dos dois andares superiores no século XIX, o ângulo do terraço e parte da fachada sul. Ainda em finais do século XVII, o então proprietário, António Correia da França, adquiriu várias casas na proximidade imediata do palácio, que possivelmente terão sido integradas. Terá também efectuado obras de melhoramento no corpo primitivo do solar. Provavelmente datará desta intervenção o alinhamento da fachada principal, a qual, ainda em meados do mesmo século, era extremamente irregular, a ser correcto o traçado na planta de Tinoco. No século seguinte fizeram-se obras de reparação dos danos causados pelo terramoto de 1755, cuja extensão exacta se desconhece.
Entre 1847 e 1857, imediatamente após a família Azevedo Coutinho ter entrado na posse da propriedade, deram-se as últimas alterações de vulto, que consistiram basicamente no já mencionado acrescento dos dois andares superiores, na cobertura dos tectos apainelados com estuques e na supressão de silhares de azulejos.
As particularidades formais do edifício estão, talvez como em nenhuma outra casa nobre de Alfama, estritamente condicionadas pela topografia acidentada e pelas características exíguas e algo labirínticas da malha urbana deste bairro, para além da estreita ligação com a Igreja de Santo Estêvão, cuja capela-mor está muito próxima da fachada principal do palácio, o que já acontecia, embora em menor escala, no século XVII.
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