Freguesia de Nª Sra. de Fátima
Freguesia criada através da Reforma Administrativa de 1959, Nossa Senhora de Fátima ocupa uma área desmembrada da freguesia de S. Sebastião da Pedreira. O palco onde a sua área geográfica se desenvolve, possuidor de um cenário original e único no panorama das freguesias da capital, é regra geral adjectivado como “de elite”. A freguesia de Nossa Senhora de Fátima ocupa uma zona que foi habitada desde tempos ancestrais, como dão conta diversos testemunhos arqueológicos aqui descobertos e datados do Neolítico. Durante o domínio árabe foi o local polvilhado por hortas e almuinhas que, fazendo jus à fertilidade e riqueza daquelas terras, se constituíram
durante séculos como o cartão de visita deste então arrabalde lisboeta. Por volta do século XIII começou o aprazível e bucólico lugar, situado numa das principais vias de acesso à fortificada Lisboa, a ver as suas hortas transformadas em quintas e cercas conventuais. O sítio foi desde logo escolhido pela capital como um dos seus principais abastecedores alimentares. Embora a construção de casas monásticas, pelas ordens religiosas, e de campo, por parte da nobreza, fosse gradualmente crescente, durante toda a alta Idade Média, em nada o fácies campestre da zona se viu alterado. A edificação de uma ermida por iniciativa da Confraria dos Carpinteiros, a fundação de um convento quinhentista e o terramoto de 1531 dinamizaram em muito o povoamento do lugarejo, que forneceu grande parte dos materiais necessários à reconstrução da cidade. A fixação de população e o aumento de construções sucediam-se, definindo-se, já no século XVII, uma nova unidade religiosa e administrativa que se via engrandecida por nobres palácios (o dos Távoras, futuro Galveias) e grandiosas quintas que se assumiam como verdadeiros enzimas na consolidação da importância deste arrabalde
campesino. A zona era cada vez mais de veraneio, de festa rija, de petiscos, saraus e romances. Lisboa em peso aqui se juntava na ânsia de são divertimento.
campesino. A zona era cada vez mais de veraneio, de festa rija, de petiscos, saraus e romances. Lisboa em peso aqui se juntava na ânsia de são divertimento. O terramoto de 1755 marca o início das primeiras alterações do carácter rural e romântico do lugar. Novas e aterrorizadas populações fugidas do arrasado centro da cidade ali se instalam. Um importante número de operários, que das pedreiras (tal como em 1531) retiram
os materiais para a reedificação da cidade, aí assenta arraiais. Com a passagem dos tempos a burguesia pombalina substitui os nobres de linhagem e com a Revolução Industrial os seculares solares dão lugar a unidades fabris.
os materiais para a reedificação da cidade, aí assenta arraiais. Com a passagem dos tempos a burguesia pombalina substitui os nobres de linhagem e com a Revolução Industrial os seculares solares dão lugar a unidades fabris. Em 1874, Ressano Garcia idealiza um plano de expansão da cidade para norte. Furando o cerco da urbe tradicional, afirmava-se a primeira modernidade no quadro do progresso oitocentista. Rosa Araújo, então presidente do município, mostrou-se receptivo aos projectos daquele engenheiro, e assim nasceu, em 1882, a Avenida da Liberdade, seguida, nas três décadas subsequentes, pelas chamadas Avenidas Novas, entre o Saldanha e o Campo Pequeno. A actual área de Nossa Senhora de Fátima é então expropriada, loteada, desventrada por ruas e avenidas regulares e arrumada em quarteirões residenciais geométricos e uniformes. Chegam os transportes públicos, que ligam a
nova cidade ao centro, projecta-se, desenha-se, constrói-se. É Lisboa que anuncia a sua triunfal chegada a um local onde vai criar uma sua outra imagem, esta urbana, funcional, higiénica e civilizada. É a cidade de espaços mais amplos que possuem uma nova escala urbana. E assim se formou uma zona que de residencial e pacata passou nas últimas décadas a terciária, tumultuosa e frenética, parecendo agora querer recuperar o tempo perdido. No meio dessas avenidas, no centro dessa geometria urbanística, levanta-se a Igreja de Nossa Senhora de Fátima.
nova cidade ao centro, projecta-se, desenha-se, constrói-se. É Lisboa que anuncia a sua triunfal chegada a um local onde vai criar uma sua outra imagem, esta urbana, funcional, higiénica e civilizada. É a cidade de espaços mais amplos que possuem uma nova escala urbana. E assim se formou uma zona que de residencial e pacata passou nas últimas décadas a terciária, tumultuosa e frenética, parecendo agora querer recuperar o tempo perdido. No meio dessas avenidas, no centro dessa geometria urbanística, levanta-se a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Em termos de arquitectura civil, esta freguesia possui um notável conjunto de exemplares que vão desde o Palácio Galveias à Praça de Touros do Campo Pequeno, passando pelos edifícios da Gulbenkian, da Faculdade, do Curry Cabral e da Livraria Municipal. Na Avenida da
República há dois edifícios classificados como imóveis de interesse público. Um é do risco do arquitecto Rodrigues Prieto, o outro, de 1906, é do arquitecto Ventura Terra. O segundo é uma feliz e sóbria composição decorativa, tendo um corpo central primorosamente concebido. Na mesma artéria há um edifício (Pardal Monteiro, 1923) que foi galardoado com o Prémio Valmor. Este importante galardão (em 1929) foi também atribuído a outro edifício, situado na Avenida 5 de Outubro, e riscado pelo mesmo arquitecto. Trata-se de um belo exemplar de arquitectura moderna, impondo-se pelo equilíbrio das suas proporções, pela harmonia da sua decoração e pelo cuidadoso estudo dos pormenores.
República há dois edifícios classificados como imóveis de interesse público. Um é do risco do arquitecto Rodrigues Prieto, o outro, de 1906, é do arquitecto Ventura Terra. O segundo é uma feliz e sóbria composição decorativa, tendo um corpo central primorosamente concebido. Na mesma artéria há um edifício (Pardal Monteiro, 1923) que foi galardoado com o Prémio Valmor. Este importante galardão (em 1929) foi também atribuído a outro edifício, situado na Avenida 5 de Outubro, e riscado pelo mesmo arquitecto. Trata-se de um belo exemplar de arquitectura moderna, impondo-se pelo equilíbrio das suas proporções, pela harmonia da sua decoração e pelo cuidadoso estudo dos pormenores. Um dos exemplos de mais perfeita harmonia, equilibradas proporções e beleza de formas – de entre as “casas em U” portuguesas – é o do Palácio Galveias.
Na freguesia, o lugar de destaque no panorama cultural e artístico de Lisboa foi há já muito conquistado pela Fundação Calouste Gulbenkian para não falarmos na Praça de Touros do Campo Pequeno, símbolo da tauromaquia.
Mas não se pode falar da freguesia de Nossa Senhora de Fátima sem que se aluda àquele que é um dos seus mais importantes pontos de referência: o Hospital Curry Cabral.
Nª Sra. de Fátima, que festeja os santos populares, possui algumas colectividades: a Associação Operária Palma e Arredores, o Grupo Excursionista “Os Económicos” e os Ases das Avenidas.
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