O edifício da Junta de Freguesia

No antigo palácio da Rua dos Remédios onde funciona, desde 1947, a Junta de Freguesia de Santo Estêvão subsistem dois conjuntos azulejares do século XVIII.
Estes azulejos foram recentemente registados para integrarem o “Inventário do Património em Azulejo do Século XVIII em Território Continental ”, promovido pela Universidade Aberta e pelo Museu Nacional do Azulejo.
Os conjuntos localizam-se no andar nobre do edifício, em duas salas distintas, e revestem as paredes até meia altura (silhar). Embora não se encontrem completos, são exemplares de grande interesse pois são testemunhos da ornamentação original do palácio.
Um dos conjuntos, do início do século XVIII, representa albarradas: vasos de flores decorados com escamas, que se repetem numa composição enquadrada por uma barra de enrolamentos vegetalistas estilizados.
O conjunto existente numa outra sala caracteriza-se pela policromia e por figurar medalhões com vasos floridos, ladeados por almofadas e grinaldas, elementos estilísticos que o datam de finais do século XVIII. Apesar das sucessivas reutilizações do edifício, os azulejos apresentam-se em bom estado de conservação.
Este edifício da Junta de Freguesia já foi, em tempos, sede da Academia Recreio Musical do Pessoal do Comando Geral de Artilharia, mais conhecido pelo Comando Geral.
Rezam as crónicas que corria o ano de 1899 quando a Academia se instalou na casa que já tinha sido palácio de nobres fidalgos.
Quem eram estes nobres, não se sabe, tal como nos diz Norberto de Araújo nas suas «Peregrinações». Sabe-se que mais tarde viriam a ser proprietárias do edifício as duas irmãs Correia que, segundo rezam outras crónicas, teriam ocupado a parte superior do edifício para alugar ao Comando Geral que ali se havia de manter até a Junta de Freguesia se tornar no novo inquilino do velho palácio.
Há ainda quem se lembre que a banda do Comando Geral era composta por excelentes músicos que faziam delirar o pessoal de Alfama em animados bailes organizados aos sábados.
Também há quem se lembre que alguns dos instrumentos eram feitos pelos próprios músicos que, à falta de melhor, conseguiam pôr latas de manteiga a produzir harmoniosos acordes.

Comentários

Anónimo disse…
Sobre o descaminho de azulejos e elementos arquitectónicos de edifícios históricos, recomenda-se a consulta ao site americano da actividade comercial do, até á pouco tempo, presidente da Associação Portuguesa de Antiquários, onde se pode observar um inacreditável catálogo de peças desses géneros, actualmente á venda nos E.U.A. (e só do estabelecimento de Palm Beach pois as peças mais valiosas estão expostas em Manhattan).

http://www.solarantiquetiles.com/

Não obstante não duvidar da licitude desta actividade, que não ponho em causa, é pertinente interrogarmo-nos sobre quantas destas exportações definitivas de património histórico-artístico com mais de cem anos, é que foram solicitadas, e autorizadas pelos serviços competentes do Ministério da Cultura ?

É caso para dizer que o "Inventário do Património em Azulejo do Século XVIII em Território Continental" se demoram algum tempo a conclui-lo, têm que ir atrás dos painéis para a América. Ironias á parte !

Antiquário que até presta serviços de consutadoria á PJ no programa "SOS Azulejo" (?).

http://mais.uol.com.br/view/7945qmbpogar/tradicionais-azulejos-de-lisboa-sao-cada-vez-mais-roubados-0402306ECC916326?types=A&

Peças que há cerca de duas décadas são sistematicamente furtadas em Portugal por catálogo e por encomenda, por elementos de uma organização criminosa internacional, constituida por bandos de gatunos operacionais, de etnia cigana, e seus associados italianos e dos Países Baixos, que os organizam e distribuiem a mercadoria ilícita pelo mercado mundial. Indivíduos sobejamente conhecidos das autoridades judiciais nacionais, e internacionais, e que estranhamente não são eficazmente combatidos. Sendo classificados de um "grupo de ladrões ainda não identificado" !

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Reportagem+Especial/2009/1/sospatrimonio.htm

Faz-se entretanto pesquisa na net, designadamente na Ebay, para alegadamente cumprir e explicar o desempenho de funções, onde se detectam azulejos a vulso, produto da pequena delinquência, e "esquece-se" o impune "comércio a grosso" das obras de arte valiosas.

http://video.msn.com/video.aspx?mkt=pt-br&vid=6f951fda-f648-4302-a426-462c531a269d

http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/roubo-de-azulejos-em-portugal-ameaca-patrimonio-historico-040262DCC16366?types=A&

Com consideração.

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