Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Trata-se de um templo inaugurado solenemente, em 13 de Outubro de 1938, pelo Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, com a presença do presidente da República Portuguesa e ainda, como autoridade jurisdicional paroquial, do prior de S. Sebastião da Pedreira. Só em 1 de Novembro foi colado o novo prior, Dr. Manuel Canastreiro, que paroquiava na Nazaré.
A majestosa igreja foi começada a construir em 1934, segundo o risco do arquitecto Pardal Monteiro. A sua construção deve-se ao facto seguinte: tendo o Banco de Portugal adquirido, em Julho de 1933, o edifício da igreja de S. Julião, mediante uma indemnização para levantamento de outra igreja, a Sociedade Progresso de Portugal, de acordo com o Patriarcado, encarregou-se de erguer na área das Avenidas Novas, o novo templo que passaria a ter a invocação de Nossa Senhora de Fátima. Foi, na época, o primeiro templo paroquial que abandonou os moldes clássicos da arquitectura religiosa, “derivados dos vários estilos e transições”, no dizer de Norberto Araújo, “para aceitar o risco sintético, de linhas simplificadas, através de uma concepção modernista do espírito religioso aplicado à matéria nobre”. É na verdade uma igreja grandiosa, conquanto, à primeira vista, e pelo seu modernismo, pareça inexpressiva. Uma alta torre encima o templo, e, no cunhal do lado poente, destaca-se a imagem de Nossa Senhora de Fátima, obra do estatuário António da Costa. A fachada, intencionalmente abatida, é ilustrada por um friso longitudinal escultórico, que ocupa toda a sobreporta, representando os apóstolos. É obra de Francisco Franco. Um pequeno vestíbulo ou nártex, na substituição da galilé clássica, abre lateralmente; é revestido este nártex de mosaico, combinado, e encimado por cúpula redonda, a baixa altura. O interior, verdadeiro repositório de arte, é de uma só nave, de 18 metros de largura, constituída por oito tramos. O tecto, apoiado apenas nas paredes laterais, não carece de pilares ou colunas. Tem cinco frestas de vitrais por cada lado, concebidas por Almada Negreiros e que iluminam a nave. No coro encontra-se um magnífico órgão de factura italiana e a face do anteparo é ornada com pinturas a fresco de Lino António. Fora do alinhamento regular do edifício fica o baptistério, revestido de mosaico, sendo o tecto em rotunda e os vitrais de Almada Negreiros. Ao centro fica a pia baptismal, encimada pela imagem de S. João Baptista, escultura de Leopoldo de Almeida. As pinturas dos passos da Via Sacra, em redor do corpo da igreja, são de Henrique Franco. À Capela de Santa Teresinha seguem-se as de S. José, Nossa Senhora das Dores, Santo António, Nossa Senhora do Carmo e Coração de Jesus. Todo o interior do templo é revestido de mármores escuros ou rosa, de vários tipos, da região de Pero Pinheiro. O arco da capela-mor é decorado com pinturas a fresco. O tecto, liso, é pintado a azul. No altar-mor fica o sacrário, num trono dourado, e do lado da epístola a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de mármore, obra do escultor Leopoldo de Almeida. Colaboraram com o arquitecto Pardal Monteiro, os arquitectos Rodrigues Lima, Faria da Costa, António Martins, Fernando Batalha, o construtor-mestre Diamantino Tojal e os engenheiros Teixeira Duarte e J. Bélard da Fonseca. Na casa mortuária – a primeira incluída em templos portugueses – vê-se uma estátua de mármore representando a “Ressurreição de Lázaro” e executada por Leopoldo de Almeida num bloco de 1.500 quilos.
Esta igreja foi Prémio Valmor em 1938.

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