Rua dos Remédios
“A Rua dos Remédios segue no seu último troço, à esquerda, até à confluência do Paraíso; nós enfiamos por este pitoresco arco das Escadinhas dos Remédios – tão pintado por artistas poetas – com a nesga do Tejo ao fundo, e embrenhamo-nos num sistema de vielas e de becos, os últimos da Peregrinação de hoje; à esquina desta serventia, com frente para a Rua fica-nos este grande prédio antigo, n.º 162, que é, desde 1909, a sede do Centro Escolar Republicano Dr. Alberto Costa, onde recebem instrução cento e quarenta crianças.
Nestas escadinhas observa, na sobreporta n.º 10, um registo de azulejos, datado de 1757, que nos dá – mais a Sagrada Família, cujo Menino parece que vai a descer os degraus da viela, com medo de cair.
Agora do Beco do Surra, à esquerda, mostra-nos meia dúzia de minúsculos lanços de ruela, com as inevitáveis escadinhas; observa apenas estas casa, n.º 41-43, de curiosas janelas, e de cuja frontaria saem uns cachorros de pedra, grossos, com calha, nos quais em tempos velhos se teriam apoiado gelosias. Para a direita encontramos de novo o Beco da Lapa que há pedaço abandonámos por uma fuga que ele dá para os Remédios. Repara nesses dois prédios seguidos, n.º 16-18, que não são vulgares dentro deste tipo pobre de construção. Aí temos o Beco das Mil Patacas – designação antiquíssima – afinal um simples recanto, mas cheio de expressão, com uma casa curiosíssima de aspecto típico, lápides foreiras à Senhora da Misericórdia e à Mendicidade, tudo num conjunto repousado de aguarela”.
Nestas escadinhas observa, na sobreporta n.º 10, um registo de azulejos, datado de 1757, que nos dá – mais a Sagrada Família, cujo Menino parece que vai a descer os degraus da viela, com medo de cair.
Agora do Beco do Surra, à esquerda, mostra-nos meia dúzia de minúsculos lanços de ruela, com as inevitáveis escadinhas; observa apenas estas casa, n.º 41-43, de curiosas janelas, e de cuja frontaria saem uns cachorros de pedra, grossos, com calha, nos quais em tempos velhos se teriam apoiado gelosias. Para a direita encontramos de novo o Beco da Lapa que há pedaço abandonámos por uma fuga que ele dá para os Remédios. Repara nesses dois prédios seguidos, n.º 16-18, que não são vulgares dentro deste tipo pobre de construção. Aí temos o Beco das Mil Patacas – designação antiquíssima – afinal um simples recanto, mas cheio de expressão, com uma casa curiosíssima de aspecto típico, lápides foreiras à Senhora da Misericórdia e à Mendicidade, tudo num conjunto repousado de aguarela”.
Na Rua dos Remédios, a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios tem a sua história ligada aos pescadores de Alfama e ao culto do Espírito Santo. Construída no século XVI, provavelmente em 1517, a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios foi sede de uma das mais ricas confrarias de Lisboa, sobretudo a partir da segunda metade do século XVII, quando a primitiva confraria de Nossa Senhora dos Remédios se fundiu com a irmandade do Espírito Santo, até então instalada na Igreja de São Miguel de Alfama.
A ermida terá saído remodelada no reinado de D. João V e restaurada na sequência do terramoto de 1755. A porta da fachada lateral indica que aquela entrada terá sido, provavelmente, aberta nessa altura, sendo também indicadora das obras de reedificação.
A fachada principal, sobre a Rua dos Remédios, é limitada por dois espessos cunhais em cantaria, de maior largura na base. Em leitura ascendente, o eixo central é composto por portal manuelino definido pela intersecção de arco trilobado com arco em cortina (no lóbulo central do primeiro encontra-se a pomba do Espírito Santo, lavrada sobre escudo); janelão gradeado, com moldura em cantaria de gramática decorativa setecentista e janela de peito de moldura curva no topo superior, forma que a caixilharia em madeira acompanha.
No interior destacam-se os azulejos historiados (Séc. XVII-XVIII) e as pinturas (Séc. XVI), atribuídas à escola e a Gregório Lopes.
A ermida terá saído remodelada no reinado de D. João V e restaurada na sequência do terramoto de 1755. A porta da fachada lateral indica que aquela entrada terá sido, provavelmente, aberta nessa altura, sendo também indicadora das obras de reedificação.
A fachada principal, sobre a Rua dos Remédios, é limitada por dois espessos cunhais em cantaria, de maior largura na base. Em leitura ascendente, o eixo central é composto por portal manuelino definido pela intersecção de arco trilobado com arco em cortina (no lóbulo central do primeiro encontra-se a pomba do Espírito Santo, lavrada sobre escudo); janelão gradeado, com moldura em cantaria de gramática decorativa setecentista e janela de peito de moldura curva no topo superior, forma que a caixilharia em madeira acompanha.
No interior destacam-se os azulejos historiados (Séc. XVII-XVIII) e as pinturas (Séc. XVI), atribuídas à escola e a Gregório Lopes.
Comentários