Edifício na Avenida de Berna, nºs 1 e 1 - A
A 8 Julho de 1908 foi entregue nos serviços da CML do projecto, com pedido de autorização feito pela Companhia de Crédito Edificadora Portuguesa, para iniciar a obra em terreno de Amélia Augusta Pereira Leite e em 1910 foi a conclusão do edifício.
Em 1933 a moradia foi adquirida em hasta pública pelo Banco Nacional Ultramarino devido à falência da entidade proprietária, a casa bancária "Correia, Leite, Santos & Cª Lda.".
Em 1937 o edifício é arrendado para instalar os serviços da Inspecção Geral das Indústrias e Comércio Agrícolas (do Ministério da Agricultura) e na 2ª metade da década de 80 estes serviços sairam, ficando o edifício devoluto.
Trata-se de arquitectura civil residencial, ecléctica: habitação unifamiliar semelhante a outras riscados por Norte Júnior, onde o investimento decorativo assume particular relevância na composição geral.
A decoração concentra-se sobretudo no corpo que torneja, adquirindo este movimento pelo uso do arco pleno. No ângulo sobressaem o torreão de secção circular, com cobertura bolbosa, e as varandas que, fruto do recuo da caixa murária, se podem desenvolver no 1º e 2º pisos até à face dos panos laterais. A ornamentação concebida para três panos e obedecendo ao princípio do simetrismo, conjuga pilastras almofadadas, acrescidas de conchas e folhagens, com outros molduramentos, como os que, nos panos laterais, coroam as janelas do 1º piso - acima das vergas tomando a forma de frontões triangulares - , ou os que inscrevem a fenestração do 2º piso - em arcos plenos -, ou ainda o recorte do alçado, terminando em arco pleno alteado de verga ressaltada e ladeado por pequenos frontões de lanços. Acresce ainda a aplicação dos gradeamentos de ferro em varandas e sacadas, cujo desenho assenta na combinação de volutas, jarrões e aletas. Esta concentração decorativa esbate-se, gradualmente, nos outros corpos, sendo um deles bastante despojado.

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