Edifício na Avenida da República, 15 a 15 - A / Pastelaria Versailles

Em 1919 deu entrada na CML do pedido de autorização para a construção do prédio; era seu proprietário João Antunes Lopes. O arquitecto foi Manuel Joaquim Norte Júnior (1878 -1962) e o construtor José Tomás de Sousa.
Em 1987 a proprietária, Angélica Nogueira das Neves, pede à CML que faça uma vistoria com vista ao regime de propriedade horizontal.
Arquitectura civil residencial e comercial, ecléctica. Edifíco de habitação com 6 pisos, de planta rectangular e disposição vertical de volumes, ocupado no térreo por um estabelecimento comercial. No conjunto destaca-se a fachada principal, de composição assimétrica e profusamente ornamentada, conjungando elementos filomórficos, geométricos, volutas, colunas, pilastras e balaustradas. No seu eclectismo combina-se a tendência neoclássica de inspiração francesa com elementos neobarrocos.
Pastelaria Versailles: ocupa todo o pano direito do edifício (E.), ao nível térreo, assinalada por duas vitrines de aros metálicos a ladear a porta - de caixilharia de madeira envidraçada - de acesso, rasgada ao centro entre duas colunas robustas, com os capitéis e ½ fuste decorados por motivos florais. O estabelecimento tem planta rectangular irregular, sendo o seu interior constituído por uma zona de balcão, por um salão amplo e uma zona sobreelevada (estas últimas ocupadas por mesas e cadeiras), ao qual se segue a zona da instalação sanitária, cozinha, escritório e armazém. INTERIOR: ecléctico, de sugestão rocaille, observam-se grossos pilares coríntios marmoreados, com os capitéis dourados, bem como um lambril de madeira que circunda todo o espaço. A zona de balcão situa-se à direita, por trás situam-se os expositores em madeira com talha trabalhada, a todo o comprimento da parede. As paredes, no salão, estão decoradas com painéis em forma de meia circunferência, com vistas dos jardins de Versailles, envoltos por uma moldura de espelho. Na zona sobreelevada (à qual se tem acesso por 3 degraus e está separada do salão por um corrimão em ferro), situa-se um vitral (de Ricardo Leone) com motivos florais ao centro, ladeado por dois medalhões onde estão representadas figuras humanas. As paredes laterais são preenchidas por espelhos. Na parede de fundo encontra-se ao centro um espelho de forma circular, a encimar a zona de passagem da loiça, à frente desta zona encontra-se um aparador em madeira que serve de móvel de apoio. Este conjunto central está ladeado por 2 portas encimadas por vitrais com motivos vegetais (de Ricardo Leone), que fazem a circulação entre a cozinha e a zona de atendimento; seguindo-se a zona de fabrico de pastelaria e escritório. Entre este conjunto e a zona sobreelevada encontra-se outra porta que dá acesso às instalações sanitárias do público. A cave tem 2 zonas diferenciadas, às quais se tem acesso por escadas, uma situada ao lado da cozinha, que dá acesso às instalações sanitárias do pessoal, e outra situada junto da zona de fabrico de pastelaria que dá acesso ao armazém. O tecto do salão está dividido por vigas, em 6 compartimentos, estando decorado com estuques brancos de gosto afrancesado que formam uma cercadura, observam-se ainda medalhões nos cantos onde estão representados, a óleo, cestos com flores; em cada compartimento encontra-se um lustre. O tecto da zona sobreelevada é decorado com uma sanca simples, tendo ao centro um lustre.

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