Palácio Galveias - Biblioteca Municipal Central
O Palácio Galveias data dos meados do século XVII, quando terminara o domínio filipino e os Portugueses, entre as lutas e os sacrifícios da Guerra da Restauração, não deixavam de pensar e realizar as casas que lhes faltavam. Este palácio foi edificado por alguém da nobre família Távora que dispunha, nesta zona então arrabaldina, de uma grande quinta. Num dos extremos da quinta construíram o palácio – a perseguição que viria a sofrer, um século depois, toda a família, terá feito perder a documentação da casa e de aí se desconhecer quase tudo quanto se refere a autoria arquitectónica e à própria história dos que aqui viveram nessa primeira centúria da vida do palácio. Apesar da vasta área de que dispunham, os proprietários não quiseram engrandecer o palácio de forma a dar-lhe uma galeria arcada no pátio de honra. Em 1759, aproveitando o atentado mais cheio de dúvidas, de interrogações e de falsidades que seria possível arranjar--se, o Estado apoderou-se de todos os bens dos Távoras, entre eles o belo palácio que se ergue no chamado Campo Pequeno. Com a vasta quinta, o palácio foi vendido em hasta pública, mas 42 anos depois estava de novo entregue ao leiloeiro judicial, pois os herdeiros do primeiro comprador não conseguiram evitar a ida à praça da propriedade, por dívidas à Fazenda Pública. Desta segunda vez foi adquirido por João de Almeida Melo e Castro que viria a ser o 5.º conde de Galveias, dando novo nome ao palácio.
Não muitos anos depois, em 1814, um irmão de João de Almeida, Francisco, herdaria o título (6.º conde) e o palácio mais o seu complemento rústico. E seguiria na posse da família até que, nos últimos anos do século XIX, uma senhora desta família vendeu a propriedade a um abastado homem de negócios, Brás Simões. Fosse ou não a falta de nobreza, o certo é que o palácio caiu em verdadeira miséria e abandono. Só em 1927 começaria a tomar forma uma perspectiva salvadora para o palácio – pensava-se instalar aqui tribunais e conservatórias. Como era de esperar, a grande quinta situada em zona onde então já avançavam as urbanizações, não teria outro remédio senão sacrificar-se à urbanização. E foi; o palácio é que não.
Na Câmara Municipal apareceram outras ideias e em Janeiro de 1928 iniciaram-se as negociações com a sociedade proprietária, que acabaria, no ano seguinte, por aceitar as condições camarárias. Seria entregue o Palácio Galveias, depois das necessárias e vultuosas obras, a uma missão de cultura: Arquivo Histórico-Cultural, Biblioteca e Museu. Nas obras de restauro incluiu-se o arranjo do jardim, no lado sul do edifício, para o qual se reservou pequena parte do antigo, destinando-se a parque-museu. Em Julho de 1931 seria inaugurado e entregue à sua nova missão pelo presidente da República, general Oscar Carmona.
O brasão dos Melo e Castro deu lugar ao brasão de armas da cidade e o pátio recuperou a beleza das linhas e o sentido militar herdado dos governadores da Índia, que pertenceram à nobre Casa dos Távoras. Os bustos de alguns dos nossos reis; os numerosos painéis de azulejaria, dos quais a maioria foi obra de Leopoldo Batistini, os outros vindos do Convento do Quelhas; os mármores embutidos e os nichos Renascença tiveram assim a devida e merecida recuperação e salvação de um destino que até então se julgava inglório. Nas colecções de arte do palácio, oriundas de diferentes proveniências, sublinha-se o valor de paramentos religiosos vindos de conventos e a excepcional colecção de gravuras, desenhos e plantas de Lisboa, desde quinhentistas a oitocentistas, uma preciosidade artística e uma preciosidade para os estudos olisiponenses. Independentemente do serviço cultural que vem desempenhando, o Palácio Galveias é um dos monumentos que honra e enriquece o património de Lisboa e ainda um exemplo típico da casa nobre portuguesa que não se impõe pela grandiosidade ou sumptuosidade, mas pela dignidade, equilíbrio e pureza de linhas. Serviço cultural importante é também aquele que desempenha a Livraria Municipal, instalada num edifício do princípio do século, profundamente remodelado em 1953. Trata-se de um equipamento do Pelouro de Cultura da Câmara Municipal de Lisboa que tem como principal objectivo o conhecimento da cidade. Por essa razão encontram-se representadas na livraria obras de todas as editoras portuguesas que, a par de publicações municipais, versam um tema comum: a milenar Olisipo. Um pequeno núcleo audiovisual, uma base de dados e exposições temporárias de pintores e escultores são também outras das ofertas deste municipal espaço livreiro que continuamente tem vindo a definir e a conquistar identidade e importância no panorama cultural de Lisboa.
A Biblioteca-Galveias tem vários espaços:
* a Sala de Leitura de Referências, onde estão reunidas as informações sobre o espólio bibliográfico existente em formato digital;
* a Sala de Leitura de Periódicos, onde tem à sua disposição jornais diários, nacionais e estrangeiros, e revistas tanto de temática geral quanto especializada em várias áreas do conhecimento. Poderá também consultar o Diário da Républica (até ao mês anterior). Todos os periódicos são depois enviados para a Hemeroteca Municipal.
* o Espaço Infantil que é uma sala vocacionada para crianças dos 0 aos 14 anos, com colecção bibliográfica e multimédia dirigida ao público infantil. Existem cinco computadores de acesso gratuito para o uso das crianças até aos 14 anos. Trata-se de um espaço de lazer infantil com a possibilidade de visualização de DVD’s infantis também disponíveis e actividades diversas dirigidas ao público juvenil.
* a Sala Multimédia, que possui computadores para o uso de Internet ou realização de trabalhos. A marcação dos computadores é feita na altura (Internet 30 minutos e trabalhos 1 hora) ou pode ser feita com antecedência para uma hora na Internet. A utilização dos computadores é gratuita
* a Sala de Leitura Geral que funciona em sistema de livre acesso para obras de referência. As restantes deverão ser solicitadas aos funcionários. Os temas estão identificados por dísticos e cores , correspondendo às seguintes classes: Generalidades, Informática, Filosofia, Psicologia, Religião, Ciências Sociais, Política, Direito, Ciência Naturais, Ciências Aplicadas, Medicina, Gestão, Tecnologia, Arte, Desportos, Linguística, Literatura, Arqueologia, Geografia, História.
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