Ajuda - A floresta às portas de Lisboa

“No topo de uma das colinas de Lisboa encontra-se o bairro da AJUDA . Entre a fresca brisa do Tejo e os rumores das árvores do Monsanto. Ruelas castiças e casario simples que tornam o bairro um dos mais agradáveis da capital”.
Outrora, considerada arrabalde de Lisboa, e caracterizada pela floresta e pela actividade pastorícia, a Ajuda ficou, desde cedo, ligada à realeza, transformando-se numa zona onde se misturavam as residências aristocráticas e as moradias populares.
Freguesia muito antiga, Ajuda foi instituída como tal durante o primeiro quartel do século XVI. Era então limitada pelas ribeiras de Alcântara e de Algés e compunha-se de todas as povoações estabelecidas dentro desse perímetro: Alcântara, Belém, Caselas, Montes Claros, Pedrouços, Bom Sucesso, Junqueira. Estes eram apenas alguns dos numerosos lugares (muitos deles hoje freguesias) que constituíam a freguesia primitiva. E tão importante a freguesia da Ajuda se tornou que foi necessário subdividir a fábrica da igreja, criando-se assim uma no Convento das Freiras Flamengas de Alcântara e outra no real mosteiro de Belém para ministrar os sacramentos.
Esta freguesia que a princípio era simples curato, passou em 1747 a reitoria da apresentação do Cabido da Sé, vindo mais tarde a deter o título de priorado. Em 1834, foi a freguesia dividida, criando-se na parte litoral a freguesia de Belém.
A própria sede da freguesia da Ajuda foi transferida para o Convento da Boa Hora. Mais tarde, em 11 de Novembro de 1852, ficou esta freguesia separada do concelho de Lisboa e a fazer parte do então criado concelho de Belém, onde se manteve até que uma ulterior reforma o incluiu na área de Lisboa.
O princípio histórico desta freguesia gira em torno de uma ermida de peregrinação, construída naqueles tempos em que todo o actual perímetro ajudense não passava de um local despovoado e inculto da imensa charneca que se estendia desde a praia de Belém à serra de Monsanto. Segundo a lenda, um pastor encontrou uma imagem da Virgem numa fenda de uma rocha. A notícia por ele contada divulgou-se rapidamente, e as manifestações de fé fizeram-se então ali profusa e intensamente. De toda a parte acorriam devotos a adorar a imagem, trazendo dinheiro, jóias e outros valores que se acumulavam dia-a-dia. Com estes recursos construiu-se a primeira ermida de Nossa Senhora da Ajuda, no próprio local onde foi encontrada a imagem. Em volta foram-se estabelecendo tendas de venda, barracas e até casas para aqueles que queriam viver sob a protecção do santuário. Dentro em pouco, estava assim formado um povoado em volta da ermida que se ia tornando cada vez mais pequena face à crescente afluência de devotos. Os recursos aumentavam prodigiosamente. As esmolas que os romeiros levavam eram muitas e valiosas. Começaram a haver doações e legados.
E, assim, dava-se início à construção de maior e melhor templo para substituir a primitiva ermida. Mais tarde, D. Manuel mandava edificar o majestoso Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, que iria contribuir grandemente para o desenvolvimento da já grande povoação da Ajuda. Alguns anos depois, D. Catarina, mulher de D. João III, tornou-se muito devota de Nossa Senhora da Ajuda, visitando com frequência a capela. A sua devoção arrastou a corte, levando muitos nobres e fidalgos a edificarem casas de campo nas proximidades, tornando-se assim o arrabalde predilecto da gente fina e abastada. Em face de toda esta movimentação e consequente desenvolvimento, foi necessário criar a nova freguesia, erecta na capela de Nossa Senhora da Ajuda. Nesta freguesia situa-se o Palácio da Ajuda, monumento nacional, um dos mais sumptuosos palácios nacionais, cuja primeira pedra foi lançada em 1802. Substituiu a Real Barraca, onde se alojou a família de D. José após o terramoto de 1755.
Embora inacabado, o palácio merece visita pelas colecções de artes decorativas, desde o século XV ao XX. Em 1974, um inexplicável incêndio destruiu a Galeria de Pintura de D. Luís, e em 1987 o arquitecto Gonçalo Byrne foi convidado para redesenhar a ala poente. Há mais de 100 anos, às 2 da tarde do dia 4 de Maio de 1884, um “dia belíssimo”, era inaugurada pelo rei D. Luís a Exposição Agrícola de Lisboa, na Tapada da Ajuda. De acordo com os jornais da época, a adesão popular foi imediata, calculando-se que dessa Lisboa ainda intimamente ligada à estrutura rural que a rodeava e dela dependente, cerca de 12.000 pessoas visitaram a exposição só nos primeiros três dias.
Para o efeito surgiu na Tapada da Ajuda uma série de edifícios, com carácter estritamente agrícola alguns, mas também outros de maior dimensão e com carácter de construção definitiva, onde ficaram instalados os vários expositores. De entre estes destacavam-se “um pavilhão, desenho do distinto arquitecto da Câmara, José Luís Monteiro” e, principalmente, o Palácio da Agricultura projectado pelo Arq.º Luís Caetano Pedro de Ávila, e que constitui ainda hoje, com a sua localização numa das partes altas da Tapada da Ajuda. Para a construção deste edifício, Pedro de Ávila adoptou a tecnologia do ferro, usada já, entre nós, no Palácio de Cristal, do Porto, e na Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Apesar de ser uma técnica pouco utilizada, a escolha deste material para uma obra daquele tipo nada mais é do que o corolário lógico para a resolução do problema que a Pedro de Ávila era colocado.
Esta obra, há alguns anos recuperada da ruína em que se encontrava, mantém-se como exemplo de um tipo de construções que, nos finais do século XIX, introduziram uma nova linguagem na arquitectura citadina, e como testemunho de um dos arquitectos a quem mais se deve o esforço para o reconhecimento internacional da profissão.
Do património da Ajuda, cujo orago é Nossa Senhora da Ajuda, fazem parte a Igreja matriz, Palácio da Ajuda, Torre do Galo, edifícios da escola 19, da Junta de Freguesia e dos Quartéis, Jardim Botânico e Tapada da Ajuda .
A Ajuda possiu várias colectividades Academia Recreativa da Ajuda, Ajuda Clube, Assoc. de Actividades Sociais do Bairro 2 de Maio, Assoc. Desp. da Juventude Ajudense, Boa Hora Futebol Clube, Centro Cult. e Recreativo das Crianças do Cruzeiro e Rio Seco, Centro Popular dos Trabalhadores do Alto da Ajuda, Clube Atlético e Recreativo do Caramão, Clube Desp. Império do Cruzeiro, Clube Recreativo e Desp. Armadorense, Cruzeirense Atlético Clube, Grupo Desp. “A Académica da Ajuda”, Grupo Desp. 2 de Maio, Grupo Sport Chinquilho Cruzeirense, Sociedade Filarmónica Recordação Apolo e Sporting Clube do Rio Seco.

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