Ruínas do Teatro Romano dedicado a Nero / Museu do Teatro Romano

O teatro romano como texto nunca foi lá grande coisa, embora obras de Plauto tivessem persistido através dos tempos e servido de tema, por exemplo, a D. Francisco Manuel de Melo ou Molière. Quanto à arte do palco, os romanos nunca se puderam comparar ao gregos. Mas arquitectonicamente, o seu "design" (como diríamos hoje) era por vezes magnífico.
O Teatro Romano de Lisboa era uma dessas belas construções, rodeada de conforto e fausto. Edificado durante o império de Augusto, quase na viragem para o primeiro milénio da era cristã, foi reconstruído em 57 s.C. e dedicado a Nero e posteriormente abandonado durante as invasões bárbaras, pelo século IV, acabando por ficar totalmente esquecido.
A reconstrução da cidade após o Terramoto fê-lo reaparecer, em 1789, após um profundo silêncio. Seguiu-se um período de vagas escavações e longas controvérsia sobre o destino a dar aquele valioso testemunho da grandeza urbana da Lisboa romana. Era, de facto, difícil e oneroso proceder a escavações numa área profusamente edificada e onde os proprietários reclamavam os seus direitos estabelecidos.Escavações metódicas foram realizadas entre 1964 e 1966 sob a orientação de D. Fernando de Almeida, prosseguiram no ano seguinte, agora dirigidas por Irisalva Moita. As obras foram, no entanto, novamente abandonadas e remetidas ao olvido. É, porém, em 1993 que se inicia uma ambiciosa intervenção com um projecto destinado a transformar aquele espaço num novo polo de vida cultural da cidade. O projecto, entregue pela Câmara Municipal ao arqueólogo Luís Pascoal e ao arquitecto Rui Pimentel implicava a criação de um auditório, de um circuito de visita às ruínas e de uma museu.
Os trabalhos foram efectuados em tempo recorde. O conjunto museológico (museu e campo arqueológico) foi aberto ao público nos finais de Dezembro e pode ser visitado nos horários normais com entradas pelo Pátio do Aljube e pela rua de S. Mamede.
Do que hoje se pode visitar (sensivelmente dois terços do total) avultam fustes de colunas, capiteis, epigrafia, cerâmica, partes do proscoenium (um muro baixo e ornamentado), o frous scaenae (uma fachada alta com colunata que se erguia atrás do palco e formava um cenário permanente), uma bancada em semi-círculo aproveitando a colina do castelo.
Para o visitante, o mais fácil de identificar são os pilares onde assentava o estrado de madeira do pulpitum (o palco), parte da orchestra (a área destinada aos frequentadores mais ilustres) e parte da cavea (as bancadas). Além de construções anexas (choragia) e espaços laterais ao palco (parascoenia), as escavações puseram ainda a descoberto o muro de suporte de terras que limitava o teatro a sul. Há, ainda, ruinas de épocas posteriores, como uma construção páleo-cristão, datável dos séculos IV ou V, silos do período islâmico e restos de habitações medievais e do século XVI.De qualquer maneira, prosseguem ainda escavações, pois se espera que o subsolo esconda ainda algumas preciosidades, mas foi totalmente afastada a opção de reconstruir totalmente o Teatro, muito embora com esse objectivo tenham sido adquiridos alguns prédios vizinhos, durante os anos 80.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Red Bull Air Race vai realizar prova em Lisboa

Carlos do Carmo canta Ary dos Santos

Lisboa terá Plano Ambiental até final do ano