Basílica da Estrela ou do Coração de Jesus

Erguida entre os séculos XVIII e XIX para albergar um convento das carmelitas descalças, a Basílica da Estrela engloba o Convento do Santíssimo Coração e localiza-se na freguesia lisboeta da Lapa.
Em 1760, D. Maria, então princesa herdeira, fez um voto no dia do seu casamento, prometendo fundar um convento de religiosas no caso de vir a ter um filho varão, o que veio a acontecer com o nascimento de D. José, a 21 de Agosto de 1761. Este, porém, faleceu em 1788, antes da conclusão da basílica, em 1799.
O monumento é de estilo barroco e neoclássico. O convento das carmelitas descalças, de planta rectangular, tem igreja adossada em cruz latina, composta por nave cónica com coro-alto, precedida de galilé, transepto e capela-mor pouco pronunciada, ladeada por duas sacristias, que comunicam através das antecâmaras.
As obras foram da responsabilidade dos arquitectos Mateus Vicente e Reinaldo Manuel, ambos da escola de Mafra. A fachada principal tem três corpos, sendo o do centro coroado por um frontão. As quatro estátuas erguidas sobre as colunas, da autoria de Machado de Castro, representam a Fé, a Devoção, a Liberdade e a Gratidão. A parte superior é encimada por um terraço de onde se ergue um zimbório com magnífica vista sobre a cidade. O interior é sumptuoso e a maioria dos quadros é da autoria do italiano Pompeu Batoni, sendo as esculturas de Machado de Castro. No corpo do mosteiro, adjacente à basílica, funcionou desde 1886 o Instituto Geográfico e Cadastral.
O interior é revestido a calcário de várias tonalidades, formando apainelados e elementos geométricos que dinamizam a frieza do muro, com coberturas em abóbada de lunetas.
A nave possui capelas retabulares laterais, esquema difundido pelas igrejas do período pombalino, divididas por um jogo de pilastras e colunas, e capela-mor pouco profunda, iluminada directamente, cujo esquema retabular e inspirado no da Basílica de Mafra e no da Sé de Évora.
Sobre o cruzeiro, destaque-se a existência de cúpula, de estrutura semelhante a da Igreja da Mem6ria. As fachadas do convento são simétricas, a partir de um eixo central, marcado por ressalto, e por frontão decorado e proeminente.
Os claustros são quadrangulares, de dois andares, tendo, em cada ala, cinco arcadas no piso inferior, com acesso pela zona central, e outros tantos vãos no superior, protegidos por guardas de cantaria. No centro, uma fonte profusamente decorada. Em torno destes, organizam-se as varias salas destinadas a vida comunitária, nomeadamente o refeitório e a Sala do Conselho.
Internamente, os corredores acedem as celas das religiosas, relativamente amplas e com iluminação directa. As várias salas são decoradas por silhares de azulejo rococó e neoclássico, de composição figurativa e ornamental, tendo algumas salas decoradas com estuque e pintura mural, onde dominam as representações de cenas da vida de Cristo, de Santa Teresa e alegorias, nomeadamente Virtudes. A basílica tornou-se o panteão da sua fundadora, que ali foi sepultada. Aliás, ainda em vida, tinha no convento uma ala nobre, destinada aos seus aposentos, a qual obrigou a desobediência de determinados aspectos da regra carmelita, em função do efeito final e da magnificência do conjunto, surgindo uma mansão grandiosa, não proporcionada ao poder económico das ocupantes, cujas celas tinham janelas para o exterior, ao contrário do recomendado pela referida regra.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Red Bull Air Race vai realizar prova em Lisboa

Carlos do Carmo canta Ary dos Santos

Lisboa terá Plano Ambiental até final do ano