LAPA
A Freguesia da Lapa foi constituída em 11 de Fevereiro de 1770, pelo Cardeal Arcebispo D. Francisco de Saldanha, a partir da igreja nova da Lapa, possivelmente a primeira edificação religiosa erguida depois de 1755, que foi sede paroquial da freguesia até 1886, ano que passou para a Basílica da Estrela, mantendo o orago de Nossa Senhora da Lapa.
O nome de Lapa teve a sua origem, segundo documentação consultada, numa rocha denominada Lapa da Moura, que se encontrava junto à Pampulha, fora dos limites actuais da freguesia. Esta designação foi-se estendendo para Norte e Nascente e que oralmente foi perdendo o acessório "da Moura".
O plano de divisão das freguesias firmou-lhe o território que foi destacado da freguesia de Santos-o-Velho e parte da extinta freguesia do Senhor Jesus da Boa Morte.
O desenvolvimento da região onde viria a ser criada a freguesia da Lapa tem as suas raízes no século XVI, a partir do momento em que começam a ser aí edificados cenóbios importantes. Essas casas religiosas tornam-se pólos de formação de vida envolvente e consequentemente de novas construções. Em 1573, os Beneditinos fundam a sua primeira casa de Lisboa, o Convento de Nossa Senhora da Estrela ou da Estrelinha. Em 1818 começou a acolher a Botica do Exército e a Secretaria dos Hospitais Militares, tendo-se transformado definitivamente em Hospital Militar em 1837. Em 1596, os frades da Ordem de S. Bento deslocam-se um pouco mais para sul, fundando o Convento de S. Bento da Saúde. Dois anos antes já as freiras Brígidas haviam também fundado a sua casa e em 1667 é a vez do Convento das Francesinhas. Entre outros nasceram ainda os conventos da Esperança e o das Trinas do Rato. 

Pelos inícios do século XVIII a área a sul da freguesia, junto ao rio, era de denso povoamento desde o Cais do Sodré até Alcântara, passando pela Madragoa (Mocambo). Em frente ao edifício da Radiodifusão Portuguesa (Amílcar Pinto e Adelino Nunes, 1935) situa-se a estreita Rua do Machadinho, a mais afamada viela do Bairro do Mocambo que, no século XVI, era habitado por negros e gente do mar (mocambos eram as choças para onde fugiam os escravos negros). Só no século XIX é que este emaranhado de ruas passou a ser conhecido por Madragoa, talvez por aí ter existido um Convento das Madres de Goa. O bairro mantém raízes populares. Aqui moravam as varinas que vendiam peixe em canastras através de toda a cidade.
Voltando aos inícios do século XVIII, verificamos que três importantes vias atravessavam então a Lapa em direcção ao centro da cidade. Essas vias eram ladeadas de numerosos edifícios de habitação. Uma grande parte da área da futura freguesia da Lapa apresentava já uma malha urbana diversificada, unindo casas e conventos. Mas vai ser o terramoto o responsável pelo intenso desenvolvimento da zona da Lapa, que culminaria na criação da freguesia, em 1770, por desmembramento do território da freguesia de Santos ao qual se juntou, em 1780, parte do termo de Santa Isabel.
Com maior monumentalidade edificou-se a Basílica da Estrela ou do Sagrado Coração de Jesus, entre 1779 e 1790, com um convento anexo. É aliás na bela Basílica que se situa uma das melhores vistas panorâmicas da cidade de Lisboa.
O alto do Zimbório da Estrela é, sem dúvida, um dos pontos de Lisboa com maior interesse turístico, no entanto não é publicitado. Na realidade poucas são as pessoas, entre nós, que tiveram o previlégio de poder admirar a imperiosa e extasiante paisagem que é visível a partir deste ponto.
Os arquitectos da Basílica foram Mateus Vicente e Reinaldo Manuel, "discípulos" do alemão Ludwig que foi arquitecto do monumental Convento de Mafra. A Basílica é considerada a herdeira desta obra e os seus arquitectos evitaram os erros cometidos em Mafra, procurando assim a obra perfeita.
A área da freguesia é de 75 hectares ocupada por uma população de cerca de 15 000 habitantes. É uma área essencialmente residencial tendo também uma presença grande de comércio e serviços.A Lapa tem também um dos mais belos jardins de Lisboa, o Jardim Guerra Junqueiro, mais conhecido por Jardim da Estrela, onde está construído o mais antigo coreto de Lisboa.
Esta freguesia da Lapa tem realmente muito para mostrar. E uma das suas zonas, a Lapa popular, é hoje cobiçada por uma camada específica da média /alta burguesia lisboeta. É mais ou menos aí que se ergue e se pode admirar a bela Igreja de Nossa Senhora da Lapa, onde há um quadro de Santo António da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes. O templo data de 1755, tendo sido sujeito a importantes obras em 1769.
Do património da Lapa destacam-se a Igreja matriz, Basílica da Estrela, conventos do Quelhas e da Esperança, Palácio de S. Bento e Coreto da Estrela e os Jardins da Estrela e de S. Bento. A Lapa tem ainda as seguintes colectividades: Sport Lisboa Lapa, Estrela Futebol Clube, Clube de Jornalistas e Vespa Clube de Lisboa.
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