Animais na cidade

Pombos, andorinhas, pardais-dos-telhados ou melros, são os que mais fazem sentir a sua presença na cidade de Lisboa.
Os pombos são aves mansas, que se encontram em grande número nos centros urbanos, onde se adaptaram muito bem, devido a vários factores, dentre eles a facilidade de encontrar alimento e abrigo. Têm preferência por grãos e sementes; entretanto, como não são exigentes, comem também restos de refeição, pão e até lixo.
A andorinha é uma ave que relacionamos à Primavera, pois é nesta estação que as vemos em maior abundância.
Em Portugal existem cinco espécies de andorinhas, sendo a mais conhecida pela generalidade das pessoas a Andorinha-dos-beirais (Delichon urbica), que tem como habitat preferencial os beirais das casas, utilizados como suportes para os seus ninhos.
Esta ave possui uma grande capacidade de controlo de voo, que é bastante agitado e rápido, o que lhe permite fazer voos rasantes, tornando-a numa excelente predadora de insectos voadores. A andorinha procura nidificar em zonas onde possa encontrar lama em abundância, elemento essencial de construção. Integrado numa colónia, este ninho é utilizado durante vários anos consecutivos pelo mesmo casal, o que revela o grande sentido de orientação desta ave, que após uma migração de largas centenas de quilómetros consegue voltar exactamente ao mesmo local.
Nos tempos em que por aqui abundavam as sementeiras de trigo, o pardal do telhado era uma verdadeira praga.
Mal as espigas começavam a aloirar, os camponeses tinham de se valer de mil artifícios para os afugentar, tais como: espantalhos, engenhos movidos pelo vento fazendo barulho e até crianças eram forçadas pelos pais a permanecerem, dias a fio, a bater em latas para salvar as cearas de trigo. Era o pão para ser comido nos 365 dias do ano que estava em causa.
Nos últimos tempos, com o abandono das sementeiras de cereais, o seu número sofreu uma considerável redução.
Adaptou-se, contudo, muito bem ao desenvolvimento urbano. Alimenta-se dos nossos desperdícios e procria nos telhados das nossas habitações.
O melro apresenta dismorfismo sexual: o bico do macho é amarelo e o da fêmea acastanhado, o macho tem as penas todas pretas e a fêmea é mais acastanhada, tendo o peito salpicado de malhas cinzento acastanhadas. Alimenta-se de insectos, minhocas e bagas e frequenta tanto os campos como os jardins. Nidifica entre Março e Maio, 4 a 5 ovos azul claros com manchas avermelhadas, que são incubados pela fêmea durante 11/17 dias. O ninho é em forma de taça, numa árvore ou arbusto.
Nas fontes e lagos artificiais os verdadeiros protagonistas são os anfíbios e o pato-colhereiro. Mas é nos jardins que se pode encontrar uma maior variedade de espécies, pois aí existem desde predadores nocturnos, como o mocho, ao omnipresente gato europeu, com uma vida dividida entre os lares domésticos e as ruas, passando por pavões, galos e galinhas.

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