Hospital de Santo António dos Capuchos

A origem dos edifícios onde hoje em dia se situa o Hospital de Sto. António dos Capuchos remonta ao século XVI, quando ali foi edificado um convento de frades franciscanos dedicado a Sto. António. A igreja do convento cuja primeira pedra foi lançada em 15 de Fevereiro de 1570 (cerimónia assinalada numa lápide colocada na fachada da Igreja actual) foi inaugurada em 1579. O terramoto de 1755 destruiu grande parte deste convento pelo que muito pouco se sabe da sua estrutura original, posteriormente alvo de reconstrução graças às inúmeras e avultadas esmolas de muitos devotos já que tanto a igreja como as capelinhas que existiam na cerca do convento eram alvo de grande devoção popular. Do convento primitivo apenas resta uma parte da igreja, nomeadamente o arco da fachada principal e o local do claustro, já que a sua estrutura original foi completamente alterada por volta de 1940.
Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o Convento de Sto. António dos Capuchos ficou desocupado, até à fundação em 1836, pela Rainha D. Maria II, do Asilo de Mendicidade de Lisboa. O asilo que de início ocupou os edifícios do antigo convento, destinava-se a dar abrigo aos mendigos e indigentes da região de Lisboa. A sua fundação encontra-se assinalada numa lápide situada por cima da porta que dá entrada para o claustro. Devido ao número crescente de necessitados, as instalações iniciais foram sendo progressivamente aumentadas através da construção de novos dormitórios e oficinas, assinaladas por várias inscrições ainda hoje existentes nos edifícios do Hospital.
Em 1854, para ampliação do asilo, o provedor José Isidoro Guedes, Visconde de Valmor, procedeu à aquisição do Palácio dos Condes de Murça, solar do século XVIII pertencente à família Mello, onde actualmente estão instalados os Serviços de Oftalmologia e Cirurgia 6. O asilo chegou a ter mais de 1000 asilados de ambos os sexos. Tinha 18 dormitórios e 6 enfermarias. Para suprir às necessidades dos asilados havia duas cercas cultivadas e várias oficinas, entre as quais alfaiataria, carpintaria, colchoaria, serralharia, etc.
Em 1898, o asilo foi transferido para o Mosteiro de Alcobaça, tendo sido progressivamente desocupado e posteriormente abandonado até 1928, ano em que foi oficialmente criado o Hospital de Sto. António dos Capuchos, último hospital a ser anexado ao grupo Hospitais Civis de Lisboa.
Em 1995, o Serviço dos Capuchos tinha o maior corpo clínico de todos os Serviços de Oftalmologia, com mais de sessenta oftalmologistas que, juntamente com alguns técnicos especializados e outros profissionais de saúde asseguravam a consulta geral, todas as consultas de sub-especialidade (glaucoma, estrabismo, diabetes ocular, retina médica e cirúrgica, contactologia, neuroftalmologia, oftalmologia pediátrica e genética), exames complementares (angiografia, ecografia, perimetria, electrofisiologia, etc.), laserterapia, ortóptica e toda a cirurgia oftalmológica. Metade das equipas da Urgência de S. José eram compostas por oftalmologistas dos Capuchos.
Hoje em dia o Hospital dos Capuchos apesar de possuir grande número de utentes é um dos que aguarda a sua sorte. Possivelmente será integrado num outro hospital, tal como S. José e o Desterro.

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