O Jardim do Torel

Este recanto da cidade, se assim se pode chamar à eclética Rua Júlio Andrade, caracteriza-se pela harmonia do edificado que se enquadra na zona verde do jardim, que se recolhe dentro do gradeamento italianizante. É o Torel e é Lisboa, no fundo do vale que nos chama. No centro duma fonte, uma escultura de bronze do longínquo Egipto, ainda que feita em fundição lisboeta. Dali a panorâmica impõe São Pedro de Alcântara, o Carmo, o Marquês, Lisboa está mais uma vez aos pés de Santana. Uma cúpula “brunelesca” desvia-nos o olhar, mas, já o rio chama por nós. Queríamos ser pássaros para saltar de colina em colina e, num louco voo fazermos rasantes aqui, voo picado além, ou pairar, como só as aves conseguem, sobre este local espectacular, até à saciedade.
Talvez fosse isto mesmo o que atraiu D. João de Meneses a voar no Balão do aeronauta Poitevin, partindo deste Alto, em 1857 ou, vinte e sete anos depois, nova subida de balão, desta vez com dois valentes, Abreu Oliveira e Gouveia Pinto.
O Jardim do Torel deve o seu nome ao desembargador Cunha Thorel, que construíu aqui um palácio no século XVIII, destruído depois pelo fogo. No século seguinte, outro palácio e várias casas da alta burguesia, de estilo revivalista e italianisante, ocuparam esta parte da colina. Permaneceram as casas modestas setecentistas e temos igualmente um jardim que domina o vale da Avenida da Liberdade.

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