A Tapada da Ajuda

A outra tapada que sobreviveu. Esta foi o local da caça da família real até ao reinado de D. José I. Em 1861 foi ali construído o Observatório Astronómico de Lisboa, seguido em 1881, pelo Pavilhão de Exposições (para a Exposição Agrícola Nacional de 1884) e finalmente, em 1917, o edifício do Instituto Superior de Agronomia que tem vindo a alargar a sua área edificada. Com 100 ha, a tapada possui instalações desportivas (entre elas um campo de rugby), locais de merenda e um miradouro.
A Tapada da Ajuda desenvolve-se em redor do extremo sul da cumeada nascente do vale de Alcântara, sendo envolvida a Norte pelo Parque Florestal de Monsanto e a Sul pelo Bairro de Sto. Amaro e Alcântara. A poente faz fronteira com o Alto da Ajuda, nomeadamente com a Faculdade de Arquitectura (UTL) e as novas instalações da Faculdade de Veterinária, com o Bairro 1º de Maio e o tecido urbano do Rio Seco. A nascente é limitada pelo Bairro do Alvito, pela zona desordenada das pedreiras e pelo campo desportivo conhecido por Tapadinha, e pelos acessos à ponte 25 de Abril.
Em certos pontos mais elevados, ultrapassado o nível das copas, a paisagem vê-se em toda a sua extensão e sem descontinuidade: o imponente estuário do Tejo, o definido contorno das serranias da «outra Banda», desde Cacilhas a S. Julião da Barra, tendo como fundo os “majestosos” maciços de Palmela e da Arrábida. Para Poente, Norte e Nascente, o Parque de Monsanto, e a “cidade em anfiteatro, coroada ao longe pelo Castelo, pela Graça, pela Penha de França” e os vultos dos mais altos edifícios de Lisboa, destacando-se do casario lá em baixo. Como o Prof. Silva Rosa (1942) já salientava: “Não se encontra melhor dentro de Lisboa, e cidades europeias que possuam semelhantes vistas, poucas haverá”.
A Tapada como “Parque Municipal” devido ao excelente nível da vegetação (multiplicidade de biótopos, estrato arbóreo e arbustivo abundantes) e à presença de frequentes espaços de recreio (alguns espaços relvados e lagos), e ainda pelas suas características agrícolas (presença de hortas, zonas abertas cultivadas com cereais e vinhas), com «campos de observação» e «campos de experiência», é um espaço único dentro da densa malha urbana de Lisboa. “(…) Pelo que a antiga Tapada Real se pode considerar actualmente um verdadeiro «Parque Botânico»”.Por outro lado, o facto da Tapada ser confluente com o Parque Florestal de Monsanto associado aos anteriores factores, deverão ser os responsáveis pela grande diversidade faunística detectada (C.M.L.,1997).
Do portão principal na Calçada da Tapada ao do Casalinho, no extremo NO, são cerca de 1,5 km. É atravessada por estradas asfaltadas que a dividem em várias parcelas agrícolas e florestais bem compartimentadas. Existem, igualmente, pomares, olivais, vinhas, matas e jardins.

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