Estátua do Dr. Sousa Martins

A Estátua do Professor Doutor Sousa Martins no Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa, foi obra do escultor Costa Motta. Tratou-se de uma iniciativa de uma comissão de amigos do saudoso professor à frente da qual esteve o sr. Casimiro José de Lima com o propósito de perpetuar a memória de Sousa Martins em frente da Escola Médica. Foi inaugurada a 7 de Abril de 1904.
José Thomás de Sousa Martins nasceu em Alhandra numa casa ribeirinha e tipicamente portuguesa, no dia 7 de Março do ano de 1843. Aí viveu até completar o ensino primário. Tinha doze anos quando, aconselhado pela mãe e já órfão de pai, seguiu para Lisboa numa fragata, mirando com nostalgia, as margens do Tejo, onde se criara e brincara com os rapazes da sua idade.
Em Lisboa, recebeu-o em sua casa o seu tio Lázaro Joaquim de Sousa Pereira, irmão de sua mãe, e já estabelecido há bastante tempo no ramo farmacêutico. Era sua a Farmácia Ultramarina situada na Rua de S. Paulo.
Então com doze anos dividiu a sua vida entre o Liceu Nacional de Lisboa, que frequentava de manhã, a Farmácia onde ajudava o tio nas tardes e de noite dedicava-se ao estudo. Acabado o Liceu e já com um grande conhecimento que adquiriu enquanto praticante de farmácia, ingressa na Escola Politécnica de Lisboa no Curso de Farmácia.
Com 21 anos, em 1864, termina o curso de farmacêutico com as melhores classificações. E em 1866, apenas contava 23 anos conclui o curso de Medicina com Aclamação, apresentando a sua tese " O Pneumogástrico Preside à Tonicidade da Fibra Muscular do Coração".
Em 1868 foi nomeado por Concurso, Demonstrador da Secção Médica da Escola de Lisboa, tendo sido eleito Sócio da Sociedade de Ciências Médicas.
Em 1872 foi designado Lente da escola Médico - Cirúrgica de Lisboa, e em 1874 Médico Extraordinário do Hospital de S. José e nomeado nesse ano Delegado Português na Conferência Sanitária Internacional em Viena.
Muitos foram os cargos que desempenhou, de Secretário e Bibliotecário na Escola Médico - Cirúrgica passando pela Cátedra de Patologia Geral, Semiologia e História da Medicina, de Presidente da Comissão Executiva e Secção de Medicina da Expedição Científica à Serra da Estrela a Director efectivo da Enfermaria S. Miguel no Hospital S. José.
Delegado à Conferência Sanitária Internacional de Veneza em 1897, onde foi eleito Vice - Presidente, regressou a Lisboa muito debilitado fisicamente.
A luta contra a tuberculose fazia-o expor-se à doença, nos contactos diários e directos com os doentes terminais. Detinha-se junto deles, a amenizar-lhes o medo. Muitos morreram de mãos entre as suas, alguns viram-lhe auras estranhas sobre os cabelos. Aos seus alunos dizia: «quando entrardes de noite num hospital e ouvirdes algum doente gemer, aproximai-vos do seu leito, vede o que precisa o pobre enfermo e, se não tiverdes mais nada para lhe dar, dai-lhe um sorriso».
Contraiu a tuberculose e na madrugada de 18 de Agosto de 1897, o Dr. Sousa Martins, sem qualquer vontade de assistir à sua derrota perante a doença que sempre combateu, suicida-se. Antes de morrer escrevera: «a tuberculose, antes de arrancar a vida ao homem, faz dela um longo martírio, e do mártir um inválido».
Confidenciara ainda a um amigo que «um médico ameaçado de morte por duas doenças, ambas fatais (tuberculose e lesões cardíacas), deve eliminar-se por si mesmo».
As suas faculdades de clínico e uma postura humanista de não receber honorários dos mais desfavorecidos, deram-lhe o reconhecimento popular de «Pai dos Pobres» e a aura de santo ainda mesmo em vida, tendo essa aura aumentado ainda mais devido às circunstâncias trágicas da sua morte.
O culto ao Doutor Sousa Martins, enraizado na cultura portuguesa, tem sido estudado por antropólogos e sociólogos na perspectiva científica de compreender a presença do culto religioso num tão vasto e transversal auditório e que atrai como fenómeno religioso uma grande curiosidade no inicio e uma crença profunda quando existe a necessidade de recorrer aos auxílios dos seus serviços de ser sobrenatural.
Como comprovam as inúmeras mensagens deixadas pelos crentes, inscritas no mármore, a ajuda prestada pelo Doutor Sousa Martins é uma ajuda real e na maior parte das vezes são problemas de saúde para o que é pedida a sua intervenção.
Inscrito na História Religiosa de Portugal a devoção em torno do Doutor Sousa Martins, um homem santo, assume- se como um fenómeno religioso de grande espontaniedade e criatividade e que se mantêm de forma inorgânica.

Comentários

jane teresasena disse…
SENDO EU ESPIRITA FICO MAIS CRENTE EM SEGUIR ESSA DOUTRINA QUANDO CONHECEMOS HISTÓRIAS COMO ESSA.
O LEMA DELE MESMO CHEIO DE TITULOS FOI HUMILDADE E CARIDADE,Q LHE SERVIU PARA SUA PROVOCADA MORTE.
NAS MINHAS REUNIÕES ESPIRITAS JÁ FIZ COMENTÁRIOS SOBRE ESSE IRMÃO E SUAS ORAÇÕES.
Q OS IRMÃOS DE LUZES ILUMINE CADA VEZ ELE PARA Q CONTINUIO AJUDANDO OS Q NELE TEM FÉ.
FIQUEM COM DEUS E OS IRMÃOS DE LUZES ILUMINADO VCS.

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