Convento e Igreja de Nossa Senhora da Boa-Hora

Em 1758 foi fundado o convento e entregue aos religiosos Agostinhos Descalços, como substituição daquele, da mesma invocação, de onde foram expulsos e que deu lugar ao actual Tribunal da Boa-Hora (no centro da cidade).
Em 1834, com a expulsão das ordens religiosas a antiga igreja conventual passa a paroquial da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda.
Em 1870 / 1872 fez-se a reconstrução quase total da igreja e em 1892, nas dependências conventuais, instala-se o Hospital Militar.

De planta quadrada, definida pela articulação de 3 alas rectangulares com o corpo da igreja conventual em torno de claustro, o conjunto edificado apresenta volumetria composta por paralelipípedos rectângulos cobertos por telhados a 2 águas. A igreja, de planta rectangular, apresenta no interior uma só nave, para a qual abrem 4 altares laterais em arco de volta inteira, e capela-mor, tendo como resultante uma volumetria paralelepipédica, com cobertura a 2 águas. A fachada principal, a S., à qual se acede por escadaria de 2 lanços, organiza-se em 2 níveis, os quais são verticalmente divididos em 5 panos de muro por pilastras lisas. Na parte central abrem-se, ao nível do piso térreo, 3 arcos de volta inteira que permitem o acesso à galilé (rectangular), e, no 2º piso, 3 janelões rectangulares. O coroamento faz-se por um painel quadrangular ostentando emblema mariano, ladeado por aletas e rematado por frontão triangular. Adossado ao topo O. da fachada desenvolve-se o corpo da torre sineira, de secção quadrada, em cujo 3º nível se abrem ventanas em arco redondo, e se apresenta rematada por cruz e fogaréus nos ângulos. Desenvolvendo-se contiguamente ao lado E. da igreja, surge a massa arquitectónica das antigas dependências conventuais, organizada em 2 níveis animados pelo rasgamento de janelas rectangulares de emolduramento simples. No interior da igreja, de nave única coberta por tecto em arco rebaixado (com pintura "grisaille" em "trompe l'oeil", da provável autoria de José Maria Pereira Júnior), reconhece-se, nos muros laterais da nave e da capela-mor, silhar de azulejos de painéis historiados ostentando guarnições polícromas, figurando 12 cenas da vida de Santo Agostinho. As capelas laterais, dotadas de altares de talha dourada com camarim, possuem as seguintes invocações, do lado do Evangelho: Senhor dos Passos e São José (seguindo-se a capela do Santíssimo Sacramento, delimitada por cancelo setecentista de grades douradas) e, do lado da Epístola: Nossa Senhora da Conceição e Santo António. Acima do revestimento azulejar observam-se 8 telas, sendo as 6 de menores dimensões e tematicamente dedicadas à vida de Santo Agostinho atribuídas a Bento Coelho da Silveira (activ. 1648 - 1708), enquanto as restantes 2 (representações do Calvário e Nossa Senhora da Conceição), serão da autoria de Botovi. A capela-mor, de topo plano, coberta por abóbada formal e decorativamente idêntica à da nave, apresenta retábulo de madeira dourada e pintada no qual se distingue, ao centro, uma imagem setecentista de Nossa Senhora da Ajuda, ladeada por 2 nichos albergando representações de Santo Agostinho e de Santa Mónica. Nos muros laterais podem apreciar-se 4 telas figurando os Doutores da Igreja.

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